O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Rio não prioriza o investimento no esporte olímpico

Thiago Leal

A preparação de um atleta para os Jogos Olímpicos dura quatro anos. Nesse período, ele abdica do lazer e da família para manter o foco na competição esportiva. Para ganhar uma medalha é preciso mais do que dedicação. Uma boa estrutura é crucial para subir ao pódio. Como a próxima edição da competição será realizada no Rio de Janeiro, a ansiedade pelo sucesso brasileiro se torna ainda maior. No entanto, a três anos dos jogos, o discurso do poder público fica restrito às obras que ainda precisam ser concluídas e os atletas, que deveriam ser os principais beneficiados, têm sido esquecidos.

O Rio de Janeiro carece de uma grande estrutura para os atletas. O fechamento do Estádio Célio de Barros, do Parque Aquático Júlio Delamare, e do Velódromo, que serão demolidos, piorou ainda mais esse quadro. Além das poucas opções de locais para treinamento, o desenvolvimento de atletas é dependente dos clubes, que encontram obstáculos. No início do ano, o Flamengo terminou com as equipes profissionais de ginástica olímpica e natação devido a problemas financeiros. Os nadadores Cesar Cielo e Joanna Maranhão e os ginastas Diego Hypólito e Jade Barbosa, esperanças de medalhas, foram alguns dos atletas que precisaram buscar em outros estados uma estrutura melhor. Botafogo e Fluminense também incentivam algumas modalidades olímpicas, como o remo e a natação, respectivamente. No entanto, este investimento ainda é pequeno também em virtude das limitações financeiras.

Já nos Estados Unidos, na China e na Rússia, principais potências olímpicas, o estímulo ao esporte começa nas escolas. Quem se destaca logo cedo, ganha bolsas de estudo em universidades e recursos físicos e financeiros para treinar. No Brasil, esse trabalho ainda é embrionário. Os Jogos Escolares da Juventude são uma tentativa de descobrir talentos dentro dos centros estudantis. A competição, realizada desde 2005 pelo Comitê Olímpico Brasileiro, reúne cerca de 4 mil alunos de todo o país e é dividida em duas faixas etárias: jovens de 12 a 14 anos e de 15 a 17. A edição deste ano será disputada em Natal, no mês de setembro, e em Belém, em novembro.
Se para os torcedores o período de três anos é longo, para os atletas que sonham com uma medalha esse tempo é curto e as possibilidades que se apresentam são poucas.

Um impasse no meio das obras da Transolímpica

Karina Valente

As obras da Transolímpica, que vai ligar o Recreio até a Avenida Brasil, na altura de Deodoro, iniciadas em julho de 2012, enfrentam um impasse. Uma mudança de planos do projeto inicial prevê a possibilidade de desapropriação de casas no bairro de Magalhães Bastos para a construção da via.

Inicialmente, um estudo havia apontado a necessidade de desapropriação de 143 imóveis em Magalhães Bastos e 114 em Sulacap. Em Jacarepaguá, seriam 152 propriedades afetadas na Taquara, 402 na Estrada do Outeiro Santo, 353 em Curicica, e 24 no Condomínio Bosque do Paradiso.

Porém, em outra região do bairro Magalhães Bastos, a desapropriação pegou a população de surpresa. Os moradores da Rua Salustiano Silva não contavam com a possibilidade de terem as casas desapropriadas, já que as obras estavam previstas para passar por um terreno do Exército. De acordo com a prefeitura, o Exército resolveu não ceder a área que seria destinada às obras e uma modificação na rota teve que ser feita, o que prejudica os moradores da rua e cerca de 50 casas poderão ser desapropriadas.

Segundo a Secretaria de Obras, a determinação da área que será afetada vai ser feita através de um estudo topográfico que já está em andamento. Depois de concluído o estudo, a Procuradoria Geral do Município e a Comissão Especial de Avaliação vão analisar os imóveis e comunicar aos proprietários o valor que será pago por cada um deles. Se o acordo for aceito, o próximo passo será o pagamento e, caso não haja acordo, o processo passará para a esfera judicial.

O custo da implantação da Transolímpica, que terá 23 quilômetros de extensão, é de R$ 1,55 bilhão e a previsão é que as obras terminem até o final de 2015. A obra faz parte dos compromissos da cidade com as Olimpíadas de 2016. A Transolímpica vai ligar a Vila dos Atletas e o Parque Olímpico do Rio, no Riocentro, ao Parque Radical do Rio, em Deodoro. Cerca de 400 mil pessoas serão beneficiadas com o corredor que diminuirá o tempo de percurso que atualmente dura uma hora e 50 minutos para 40 minutos.

O morro no mapa

Mariana Broitman 

O Instituto Pereira Passos acaba de anunciar a realização de um novo mapa da cidade do Rio de Janeiro. A decisão simboliza um grande avanço no que diz respeito à integração do Rio de Janeiro - da praia ao morro, do asfalto a favela.

Em 1990, a capital fluminense realizou o mesmo processo de mapeamento digital e englobou as regiões da Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Recreio ao novo formato. Em 1997, Zona Sul e Zona Norte ganhavam contornos, e só em 2000 acontecia o mesmo com a Zona Oeste e o Centro. No entanto, apesar dos novos recursos tecnológicos serem capazes de verticalizar a cidade através dos contornos os morros cariocas, intervenções paralelas já fazem o Estado subir as ladeiras das comunidades de outras formas.

As Unidades de Polícia Pacificadoras foram os primeiros representantes de fato do Estado a fazê-lo, e reformularam as relações entre os moradores e a polícia. A pesquisa da UNESCO em parceria com a London School of Economics and Political Science (LSE), revelou que 93% dos participantes gostam de morar no Rio, mas o vínculo afetivo que liga a favela à cidade ainda é distorcido. No entanto, a presença de ONGs como o Afroreggae e a Central Única das Favelas (CUFA) já trabalham essa inserção do morador de comunidade como carioca há um bom tempo.

Fruto disso, a ascensão da classe C colocou as favelas cariocas também no mapa do consumo da cidade. A nova classe de consumidores agora é caricaturada em novelas e não sai também das telonas brasileiras. Com bom humor e inclusão, está se trabalhando algo que apesar de novo para o grande público, é, no entanto, uma manifestação desse movimento de inclusão.

A arte, a cultura e a criatividade são as ferramentas que vem subvertendo estereótipos, conectando enfim dois espaços urbanos antes separados por muros que por vezes sequer existiam. Se antes o papel principal era de mediar conflitos, agora essas e outras ONGs constroem parcerias inusitadas com movimentos sociais, com a mídia e o setor privado, mas principalmente, com o Estado – já que por muito tempo compensaram as fragilidades públicas.

O Afrroregae levou a favela ao Theatro Municipal para abrir o discurso do Presidente norte-americano Barack Obama e participou da inauguração do Banco Santander no Complexo do Alemão – o primeiro banco em favela, bem atento aos novos potenciais consumidores. Um evento organizado por Tania Lopes, irmã do jornalista Tim Lopes, também foi organizado por lá, em uma tentativa cheia de sucesso de findar qualquer ruído da mídia entre o morro e a família do jornalista assassinado na favela. Descaracterizar o espaço como violento é algo que ainda vai levar tempo, já que de fato, a presença das UPPs não garante completamente a segurança. 

Se os primeiros passos eram dados com construções como o Centro Cultural Waly Salomão em Vigário Geral – que já foi visitado até pela Madonna – e o Viaduto em Madureira, hoje os contornos são outros. O turismo, por exemplo. Hostels como o Vidigalbergue e o Ocean Inn no Vidigal já representam passos independentes das comunidades. O chamariz? As atividades gratuitas e a efervescência cultural. Além, é claro, do churrasco com vista para as praias do Leblon e Ipanema. E não são só turistas, cariocas de todas as zonas sobem o morro atrás da imensa lista de festas a cada fim de semana.

A gastronomia virou livro, com o Guia de Gastronômico das favelas, de Sergio Bloch. O Planetário da Gávea, desde 2009, sobe uma comunidade por mês com o projeto Luneta na Laje – na próxima semana é a vez do Turano. Com a Jornada Mundial da Juventude se aproximando favelas pacificadas da Zona Oeste se preparam para receber visitantes do mundo inteiro dentro de casa.

Animais são a causa da péssima qualidade das areias

Ana Luiza Carvalho

A presença de cachorros nas praias do Rio é sempre motivo de polêmica. Mesmo sendo proibido desde 2001 não é difícil encontrar animais nas areais aproveitando o dia de sol com seus donos. Eles são os grandes vilões e responsáveis pela alta presença de bactérias e coliformes nas areias cariocas. A lei Municipal 2.358/95 proíbe a presença de qualquer animal nas praias, até mesmo na praia do Diabo e do Arpoador, que até 2008 eram as duas únicas em que o acesso dos animais era permitido. 

A qualidade da areia é monitorada quinzenalmente pelo projeto Areia Carioca. O último boletim colocou na lista negra quatro praias com areias não recomendadas para uso e outras seis em situação regular. As praias do Leme, Copacabana, na altura da Rua Souza lima, Diabo, Ipanema, na Rua Maria Quitéria e do Leblon, na Bartolomeu Mitre, receberam sinal vermelho. A avaliação da qualidade da areia é feita através da medição do número de coliformes e da bactéria Escherichia coli, ambos provenientes dos animais. Os restos de comida são a segunda maior causa da presença de bactérias na areia, e está diretamente relacionado à presença de aves e roedores.

A lei ainda estabelece que qualquer cidadão pode exigir dos donos dos animais o cumprimento da norma, e se necessário, pode pedir o auxílio de qualquer autoridade no local. Ainda assim, a prefeitura sugere aos banhistas que usem cadeiras, toalhas, ou cangas, evitando o contato direto com a areia, além de ter atenção com os alimentos entregue às crianças, para que estas não os sujem com a areia. É preciso evitar também o contato de ferimentos com a areia.

A prefeitura também afirma que trabalha em três frentes para evitar a presença dos animais e dos restos de comida nas praias. Através da campanha “Rio, praia limpa”, feita pela Secretaria de Meio Ambiente, que investe na conscientização e educação dos cariocas, através da Secretaria Especial de Ordem Pública (SEOP), que atua nas praias com o objetivo de fazer cumprir a legislação existente, e da COMLURB, que faz a limpeza nas areias das praias, em especial aquelas com alerta de não recomendadas.

Lixo de Janeiro e as Promessas de 2016




Vanessa Forton



Com os grandes eventos que a cidade do Rio de Janeiro irá receber, vêm também às grandes promessas. A cidade, que em 2012 sediou o Rio+20, fechou o ano de 2012 reciclando apenas 1% de seu lixo. Isso significa que das 8.403 toneladas geradas diariamente pela população, apenas 84 delas eram recicladas. Além disso, a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) consegue reduzir ainda mais esse número, tratando apenas 22, 68 toneladas. O restante acaba caindo nas mãos de catadores autônomos ou de cooperativas. Enquanto o Rio desperdiça seus recursos naturais e acumula lixo, as capitais européias recuperam cerca de 40% do seu lixo reciclável. Agora, o Rio quer aumentar esse percentual para 25% até 2016.



Segundo a Prefeitura, as medidas para o projeto estão sendo colocadas em prática desde o começo desse ano. A previsão é que em cerca de três meses a Central de Triagem de Irajá já esteja pronta e funcionando. Essa obra é a primeira do projeto de R$50 milhões, anunciado desde 2011, para a qual a Prefeitura recebeu R$22 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Os outros R$28 milhões são recursos da própria Comlurb. Depois da Central de Triagem de Irajá, ficarão faltando ainda seis estações de tratamento de lixo que deverão ser construídas esse ano. Central do Brasil, Gamboa, Penha, Bangu, Campo Grande e Vargem Grande.



O grande problema do processo de coleta e reciclagem na cidade é a falta de investimento e organização. Entre os 160 bairros, apenas 44 são atendidos semanalmente, além disso, não havia caminhões ou funcionários suficientes para atender a demanda dos bairros. Outra questão grave e ainda não solucionada é a falta da coleta seletiva nas favelas, que deixa grande parte da população sem esse serviço. Mas para isso acontecer é preciso primeiro resolver as questões da coleta de lixo comum que já não acontece pelo difícil acesso do caminhão, resultando em situação caótica em dias de chuva.



O coordenador de projetos de coleta seletiva da Comlurb, Jorge Otero, acredita no potencial do projeto. Segundo ele, os 44 bairros que não são devidamente atendidos atualmente terão o processo de coleta seletiva em sua totalidade. A partir da inauguração da Central de Irajá, nove caminhões de lixo estarão circulando pelos bairros.







Brasil promete surpreender em cerimônias

Gabriel Goulart Gonzalez

As cerimônias de abertura e de encerramento são um dos momentos mais esperados e marcantes na história dos megaeventos esportivos. Com a Copa das Confederações chegando, os preparativos para as festas estão intensos e prometem não deixar a desejar em relação às cerimônias de outros países.

Foram inscritos quase 16 mil candidatos para participar das cerimônias de abertura e encerramento. Sob o comando do carnavalesco da escola de samba Unidos da Tijuca, Paulo Barros, os voluntários formarão o corpo artístico que irá realizar uma apresentação de música e dança no gramado do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, antes da partida de abertura entre Brasil e Japão e no Maracanã, no Rio de Janeiro, antes da grande final do torneio.

Na Copa do Mundo de 2014, quem assumirá o comando das festas é Franco Dragone, coreógrafo do Cirque de Soleil. Em 2000, ele foi o responsável por dirigir a cerimônia de abertura da Eurocopa, em Bruxelas, na Bélgica. A festa de abertura será no dia 12 de junho de 2014, no Itaquerão, em São Paulo e a de encerramento acontecerá no Maracanã.

Para que as cerimônias sejam o sucesso esperado os gastos estão sendo altos. Para a cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, por exemplo, a expectativa é que as despesas cheguem a R$ 132 milhões, segundo o primeiro orçamento do Comitê Organizador do Rio 2016. O orçamento supera o da cerimônia da abertura em das Olimpíadas de Londres, em 2012, que custou R$ 90 milhões. A festa mais cara da história foi nas Olimpíadas de Pequim de 2008, R$ 196 milhões.

Cidade das Artes é inaugurada após cinco anos de obras

Renata Pessôa

Após muitos investimentos, polêmicas e atrasos, a Cidade das Artes, antiga Cidade da Música, finalmente foi inaugurada. O projeto do arquiteto francês Christian de Portzampar começou a ser construído em 2008 e trouxe inúmeras discussões sobre a quantidade de dinheiro sendo investido numa obra tão grandiosa e, para uma parte da população carioca, não prioritária. Mas os defensores da cultura afirmam que o complexo é de grande importância para a cidade, que só tem o Theatro Municipal com capacidade de receber uma orquestra sinfônica ou ópera.

Emilio Kalil, presidente da Cidade das Artes, define o lugar como um espaço eclético que reúne todas as formas de arte. Com 97.000m², o complexo abriga duas salas de espetáculos, 21 espaços multiuso compostos por três cinemas, galeria de arte, salas de ensaio, salas de aula, sala de leitura, lojas, cafeteria e restaurante. As áreas externas cobertas também podem ser utilizadas para a realização de performances, exposições, espetáculos e eventos. A Cidade das Artes já recebeu o maior prêmio da arquitetura contemporânea, o International Architecture Awards, e vem recolhendo elogios de especialistas, críticos, artistas e de boa parte do público desde a sua pré-inauguração, com o musical dedicado ao Rock in Rio.

O espetáculo ficou em cartaz durante três meses e o complexo ficou funcionando em sistema de “soft opening”, para que a administração pudesse fazer os testes e ajustes necessários para o dia da grande inauguração. Assim, problemas com as descargas de banheiros e luzes de emergência, por exemplo, puderam ser constatados e corrigidos. Kalil, em entrevista ao jornal O Globo, afirmou que o esse sistema deu sinais de alerta para os riscos que pudessem acontecer, já que não há como antecipar todos os problemas de uma área tão extensa. Ele afirmou que o musical o ajudou a entender como a casa funciona na prática e rendeu R$1 milhão em bilheteria.

A abertura oficial da casa foi no dia 16, e contou com o espetáculo Tatyana, da Companhia de Dança Deborah Colker, a peça “A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento”, do ator Marco Nanini, um recital de piano, da uzbeque Tamila Salimdjanova, e a peça Astronauta, de Maria Borba. Após essas atrações, o público ainda pôde conferir um show ao livre de Elza Soares, no jardim do centro cultural.

A programação continua em junho, a partir do dia 26, com a estreia da temporada da Orquestra Sinfônica Brasileira. No segundo semestre, estão garantidos grandes espetáculos: a gravação do DVD de Marisa Monte, o Festival do Fado e apresentações dos grupos Corpo, Alvin Ailey American Dance Theater, Sankai Juku e Comédie-Française. Também está na programação a peça que estreia Fernanda Montenegro como diretora: “Nelson Rodrigues por ele mesmo”. A Cidade das Artes ainda será palco do Festival do Rio e do Panorama de Dança.

O desafio de Kalil agora é buscar os R$15 milhões anuais para manter o complexo, que custa R$28 milhões por ano. A prefeitura garante R$14 milhões e o presidente está buscando parcerias para fechar a conta.

Leitura cria elos sociais entre crianças



Rafael Caetano 

Uma pesquisa realizada em 2011 nos bairros do Rio de Janeiro pelo Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (CIESP) demonstrou a importância da leitura e das atividades lúdicas no desenvolvimento de elos sociais entre as crianças.

A coordenadora da pesquisa ‘’ Leituras em Elos’’, Laura Pozzano de Barros, observa que a construção de uma relação dinâmica das crianças com o território onde vivem depende das referências adquiridas nos lugares que frequenta. Dessa forma, uma criança precisa ter contato com espaços culturais que promovam a leitura e atividades que a estimulem.

No Rio, há uma transformação na oferta pública desses espaços nos últimos anos com a criação de bibliotecas públicas e espaços de lazer, o que demonstra a entrada dos temas relacionados à promoção cultural na agenda das políticas públicas. As estatísticas do Instituto Pereira Passos de 2009 mostram que em Botafogo-um dos bairros pesquisados- o número de livros emprestados nas Bibliotecas Públicas infantis foi de 1157 enquanto que na Rocinha esse número foi zero.

Em algumas regiões da cidade essa disparidade passa por mudanças. A situação já era pauta de diversos movimentos sociais e fóruns da sociedade civil na Rocinha. A construção de uma biblioteca pública no local elevou os números de empréstimos de livros, ali, para 3517 livros infantis em 2012. O crescimento foi de 100% em comparação com 2009.

A quantidade de livros emprestados pode, a princípio, parecer uma solução para o problema. Mas o empréstimo não significa leitura e tão pouco a presença de um espaço físico- como uma biblioteca- é garantia de um serviço prestado com qualidade. Os mesmos movimentos sociais e fóruns da sociedade civil na Rocinha passaram a questionar o papel do aparelho público que eles reivindicavam.

terça-feira, 28 de maio de 2013

O legado dos Jogos Olímpicos de 2016 em xeque

Rodrigo Belga



Os Jogos Pan-Americanos de 2007 deixaram como principal legado para o Rio de Janeiro o alerta sobre o desperdício de recursos públicos com projetos mal planejados. O Estádio João Havelange, o Engenhão, o Parque Aquático Maria Lenk, e o Velódromo da Barra foram construídos para sediar a competição. O primeiro foi interditado em março deste ano por apresentar falhas estruturais na cobertura, e os outros não estão de acordo com os parâmetros do Comitê Olímpico Internacional e passarão por reformas até 2016. Juntos, os três equipamentos do Pan custaram cerca de R$ 500 milhões, segundo o Tribunal de Contas do Município. Diante dos Jogos Olímpicos daqui a pouco mais de três anos, cresce o desafio da Prefeitura do Rio de deixar uma herança permanente e benéfica para a cidade.

Projeção da Arena de Deodoro em 2016: legado de R$ 90 mi
para menos de 400 esportistas (Divulgação)
O planejamento para os Jogos prevê o uso de 32 instalações olímpicas, sendo 47% já existentes e 25% temporárias. Segundo o Comitê Organizador Local, o custo total das obras chega a R$ 23,2 bilhões e será pago pelos governos federal, estadual e municipal. Dez instalações de competição serão construídas, o que equivale a 28% das necessárias, e, segundo o COL, ficarão como legado dos Jogos. Entre os equipamentos permanentes, está a Arena de Deodoro, que vai receber os duelos de esgrima. A obra, que receberá ainda um aditivo para se adequar aos padrões olímpicos até 2016, está orçada em cerca de R$ 90 milhões, mas a Confederação Brasileira de Esgrima congrega apenas 384 praticantes do esporte.

A Vila do Pan, na Barra da Tijuca, é mais um caso de falta de planejamento no uso de recursos públicos. Ao preço de R$ 190 milhões da Caixa Econômica Federal, o conjunto de 17 prédios residenciais hospedou os atletas em 2007 e foi vendido no mercado imobiliário. O TCU apontou, em relatório, indícios de irregularidades nos contratos e convênios administrativos do empreendimento. Em 2010, teve de sofrer uma reforma no valor de R$ 33 milhões por causa de afundamentos nas ruas do condomínio. Para os Jogos de 2016, a prefeitura constrói a Vila dos Atletas, também no bairro da Zona Oeste, composta por 31 prédios para abrigar 18 mil esportistas.


O Comitê Organizador afirma que cada uma das instalações olímpicas é respaldada por um plano comercial sólido, que vai garantir a sustentabilidade de longo prazo e contribuir para o desenvolvimento do esporte no Brasil. No entanto, os recursos públicos gastos para a realização dos Jogos só aumentam desde mesmo antes da aprovação: apenas com a candidatura do Rio a cidade-sede, foram R$ 60 milhões.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Atraso nas obras do Maracanã prejudica torcedores

Thiago Leal

O dia 15 de junho marca o início da Copa das Confederações no Brasil. No dia seguinte, o Maracanã receberá sua primeira partida, México e Itália. Para este confronto, são esperadas mais de 63 mil pessoas. Outra seleção europeia que jogará no Rio de Janeiro é a Espanha, que enfrentará o Taiti no dia 20, com um público estimado em quase 50 mil. Os torcedores de fora do Brasil serão minoria, mas, para eles, o bom comportamento durante um grande evento é natural. Apesar de não ter erradicado a violência nos estádios, os campeonatos europeus, apresentam melhor organização dentro e fora do estádio, com lugares marcados para cada pessoa. Já os brasileiros terão o desafio de incorporar esse novo costume. No caso dos cariocas, o tempo para essa adaptação será curto. A prática de seguir o número indicado no ingresso não é normal para os torcedores, acostumados a chegarem poucos minutos antes do jogo e sentarem em qualquer cadeira e, às vezes, até ficarem em pé. No entanto, nada disso será permitido. Outra mudança é a ausência do antigo fosso que separava o campo do público. Entrentanto, os cariocas precisarão respeitar o espetáculo e não invadir o gramado ou jogar objetos.

Como o Maracanã só ficará pronto perto do início da Copa das Confederações, ele não pôde ser reaberto e avaliado durante o Campeonato Carioca. O primeiro evento-teste do Maracanã aconteceu no dia 27 de maio. Amigos dos ex-jogadores Ronaldo e Bebeto jogaram para um público composto de operários que trabalham na reforma do estádio, membros do governo, convidados e imprensa. Apenas 30% da capacidade total foi utilizada. Um segundo teste estava previsto para o mês de maio, mas foi cancelado. A próxima partida, desta vez com todos os lugares à disposição, será entre Brasil e Inglaterra, no dia 2 de junho, a última antes do início da Copa das Confederações. Portanto, os cariocas terão apenas uma oportunidade de aprender um novo padrão de comportamento nos estádios. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que os lugares serão marcados no amistoso.

Na Arena Fonte Nova, em Salvador, logo no segundo jogo após a reinaguração do estádio, torcedores do Bahia atiraram caxirolas – semelhantes a um chocalho, criadas para terem o mesmo efeito das vuvuzelas da última Copa do Mundo – depois de se revoltarem com o resultado. Como as obras da nova arena terminaram no prazo, foi possível avaliá-la durante o Campeonato Baiano e a consequência desta atitude do público foi a proibição do uso das caxirolas. No Rio de Janeiro, é impossível prever o que vai acontecer. Se o Brasil chegar até a final, disputará no Rio de Janeiro o título. A dúvida, porém, é como reagirão os torcedores em caso de fracasso. Sem uma medida de prevenção por parte do governo e com o prazo pequeno, a resposta só será conhecida no dia 30 de junho, data do término da competição.

Jeitinho brasileiro para hospedar fiéis na JMJ

Por Filippo Cavalcanti

Não é Copa do Mundo nem Olimpíadas. Tampouco Copa das Confederações. Os dois milhões e meio de turistas, entre estrangeiros e nacionais, esperados na cidade entre os dias 23 e 28 de Julho, tem motivações de fé e esperança. É a Jornada Mundial da Juventude, que “nasceu” em Roma, em 1986, e chega ao Rio de Janeiro para sua décima terceira edição. O movimento reúne jovens fiéis de todas as partes do mundo para um encontro de renovação e reforço dos laços católicos e humanos, por meio de palestras, adorações e encontro com o Papa. Será, inclusive, a primeira missão internacional de Francisco I. Dentre tantas expectativas, uma projeção não tão otimista preocupa: será que a cidade consegue acomodar e concentrar este número tão grande de peregrinos somente em sua rede hoteleira?

O número oficial de estabelecimentos de hospedagem na região metropolitana do Rio é de apenas 609 endereços, entre hotéis de todos os portes, campings, pousadas e albergues, segundo dados do IBGE. Um número ínfimo, se considerada a condição de destino turístico mundial da cidade. A incapacidade da cidade de hospedar turistas tem sido apontada pelo TCU como uma das principais deficiências para a Copa de 2014. A capacidade atual total atende apenas 83.130 hóspedes.

A questão da acomodação diante da proximidade da JMJ urge. A menos de 90 dias do evento, a solução encontrada pelo poder público e sociedades civis organizadas é apelar para que cidadãos abram suas casas para receber os peregrinos. Um cadastro no site da organização do evento já conta com 250 mil vagas disponíveis. A ambição é chegar a 800 mil. Entre diversas manobras, as secretarias municipais e estaduais de educação cederam, no total, o espaço de 537 escolas. Outras instituições, como colégios particulares de origem católica, escolas de samba com seus amplos galpões e paróquias, também oferecem acomodação.

A prefeitura corre contra o tempo para estimular empreendimentos com este perfil. Hoje são 32 mil quartos. A projeção da prefeitura para 2016 é aumentar em 20 mil este número, atendendo e ultrapassando as exigências olímpicas. Essa expansão tem um preço, e alto: R$ 1 bilhão de investimento. Mesmo assim, o planejamento desafiador esbarra na apertada contagem regressiva.

A JMJ será o primeiro grande teste para simular a capacidade da cidade em oferecer com eficácia conforto, mobilidade e segurança para os visitantes dos grandes eventos esportivos de 2014 e 2016. Que não fiquemos apenas no “jeitinho brasileiro”.





Combate à dengue em tempo real no Rio

Karina Valente

Para acompanhar em tempo real o trabalho dos agentes na busca por focos do Aedes Aegypti, mosquito transmissor da dengue, o governo do Rio de Janeiro lançou este ano o Monitora Dengue. O objetivo do projeto é acelerar o trabalho dos agentes que combatem as endemias, através da distribuição de smartphones para os agentes municipais fazerem um relatório dos locais e a situação das cidades visitadas.

Já implantado em Magé, Nova Iguaçu e Duque de Caxias, o Monitora Dengue deve chegar a mais 79 municípios até setembro. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, os treinamentos para os agentes de algumas cidades já estão acontecendo neste mês de maio e a meta é que todos estejam treinados até setembro. Em 82 dos 92 municípios do estado do Rio que aderiram ao projeto está prevista ainda a distribuição de 10 mil aparelhos de celular.

As campanhas de combate à dengue do governo já contribuíram para uma redução considerável do número de municípios com epidemia da doença. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, neste mês de maio, caiu de 29 para 9 o número de municípios com epidemia de dengue. Entre 1º de janeiro e 11 de maio, foram notificados 162.653 casos suspeitos de dengue e 22 pessoas morreram por causa da doença no estado.

A análise da Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da secretaria concluiu ainda que os números apontam uma tendência de queda do número de casos de dengue em todos os municípios do estado. Segundo os dados da Secretaria Municipal de Saúde, entre janeiro e março deste ano cerca de 1,5 milhão de visitas de inspeção de imóveis no Rio foram realizadas e 218.540 criadouros do mosquito foram eliminados no mesmo período analisado.

Dentre os critérios para considerar que um município esteja em epidemia são os registros de mais de 300 casos da doença por 100 mil habitantes e números crescentes de pessoas afetadas pela doença durante três ou mais semanas consecutivas.

Dengue Trends
Em 2011, a empresa americana Google também se preocupou com a análise imediata dos casos e lançou o Dengue Trends. Este busca verificar se os períodos em que as pessoas pesquisam mais sobre a doença coincidem com o aumento do número de casos.

O Google Trends foi criado em 2004 e é uma ferramenta que permite que os usuários vejam quantas vezes uma palavra foi pesquisada durante um determinado período de tempo. Os dados fornecidos pela empresa são atualizados diariamente e os resultados são expostos em um gráfico.

Segundo o engenheiro de softwares da empresa, Vikram Sahai, o Dengue Trends usa os dados das ocorrências da doença divulgados pelos órgãos oficiais e oferece uma estimativa quase em tempo real da sua incidência, baseando-se também nos acessos dos termos de busca. Os dados analisados pelo Google comprovaram a correlação entre a busca por tópicos relacionados à dengue e a incidência da doença.

Ainda de acordo com Sahai, a vantagem da ferramenta é que ela pode oferecer uma reação mais rápida para o governo proteger a população, já que os dados oficiais demoram a serem analisados.

Hotéis de luxo abrem as portas para os cariocas.

Luana Laranjeira
Foto: JW Marriot Rio de Janeiro
Foto: Marina Palace
Para quem pensava que usufruir dos hotéis luxuosos do Rio era apenas privilégio dos turistas classes A, com certeza não deve conhecer os serviços de day- use disponíveis na cidade válidos para o ano inteiro.
Para quem sonhava com uma massagem no do belíssimo JW Marriot em Copacabana, ou um dia de sol na piscina mais famosa da cidade, o Copacabana Palace, agora pode realizar esse luxoso programa sem ter que se hospedar nos renomados cinco estrelas.
O serviço de day-use funciona basicamente pagando uma diária especial para ter acesso a serviços e às áreas comuns dos hotéis. Assim é possível entrar na piscina, usara academia, fazer massagens, almoçar no restaurante, usar a sauna, tomar um drink no bar e, em alguns casos, ter direito a um quarto.
No Sheraton Barra, o pacote day-use é válido das 10h às 21h e inclui - além da piscina, hidromassagem, academia, jacuzzi e sauna - um apartamento simples. O SPA é cobrado separadamente, mas se o cliente quiser, pode usufruir do pacote day-use. O diferencial dos outros hotéis é que no Sheraton Barra o serviço de praia também está incluído. Em dias lotados, sua barraca e espreguiçadeira na areia estarão garantidas. O valor por pessoa é de R$562,45 - já com as taxas. O pacote é oferecido para todos os dias.
A rede Marina, que conta no Leblon com o Marina All Suítes e em Ipanema com o Marina Palace, oferece tarifas mais acessíveis, mas não incluem quarto. O serviço custa R$ 200,00 com taxas, proporciona o uso da piscina, sauna e sala de ginástica, e vai das 9h ás 19h, e oferece uma vista maravilhosa do bar da piscina no último andar.
Entre Leblon e São Conrado, o Hotel Sheraton Rio oferece um day-use das 9h às 21h, com serviços de resort. Inclui o clube infantil, jacuzzis e piscinas, academia, estacionamento, quarto, e o mais atraente: acesso à praia particular do hotel - com espreguiçadeiras e barracas reservadas. O restaurante Casarão, a quadra de tênis e os serviços de spa também podem fazer parte do pacote, desde que o cliente pague valores a mais. Para casal e individual com almoço, o valor é de R$568,10 e R$486,15, respectivamente. Sem a refeição é de R$466,90 já com taxas (casal ou solteiro).
O Praia Ipanema Hotel também oferece um bom pacote day-use de custo acessível e horário estendido (9h às 21h), além da vista para as praias de Ipanema, Leblon e Arpoador: do alto do hotel avista-se o Cristo Redentor e a Lagoa Rodrigo de Freitas. Só para piscina e acesso ao hotel o valor é de R$100. Para quem quiser tomar café da manhã é R$145, café e almoço R$190, e R$240 com café, almoço e dois drinks. (valores sem taxas)
Em Copacabana, o cinco estrelas JW Marriot, que recebeu o presidente americano Barack Obama no ano passado, oferece um day-use super cobiçado. Dono da piscina mais alta dos hotéis do Rio, no 17° andar, o JW Marriot oferece uma vista invejável da orla mais famosa do país, além de sauna e armário. A academia, que fica no mesmo andar, tem espaço envidraçado e permite se exercitar em frente ao mar com aparelhos aeróbicos de luxo. O horário do day-use é de 6h às 23h, todos os dias. Além disso, o hotel fornece shampoo, condicionador, toalhas e chinelos. O valor de R$110 dá acesso aos serviços mais o mirante. No entanto, caso o cliente queira um quarto (somente para o período de 12h às 18h), o valor passa para R$578, com taxas.
No hotel mais famoso da cidade, o Copacabana Palace, o pacote day-use oferece um dia mais que luxuoso. O preço não fica nada atrás da fama. Embora o hotel parcele em até três vezes, para curtir um dia de luxo é preciso desembolsar R$1.366 para o casal, e R$1.061 o individual (taxas incluídas). Inclui oito horas de uso, uma massagem de uma hora (shiatsu ou sueca). Almoço luxuoso no famoso restaurante Pérgula (com bebidas não alcoólicas) e um quarto sem vista mar. Piscina e serviço de praia também estão incluídos, mas atenção: o pacote encerra às 20h e vale apenas de segunda a sexta.

Foto: Copacabana Palace

Endereços: 

Sheraton Barra: Avenida Lúcio Costa, 3150 , Barra da Tijuca tel:3139-8033
JW Marriot: Avenida Atlântica, 2600, Copacabana, tel: 2545-6500
Marina All Suítes: Avenida Delfim Moreira, 696, Leblon, tel:2172-1100
Marina Palace: Avenida Delfim Moreira, 630, Leblon, tel: 2172-1100
Praia Ipanema Hotel: Avenida Vieira Souto, 706, Ipanema, tel: 2141-4990
Sheraton Rio: Avenida Niemeyer, 121 , Leblon, tel: 2274-1122
Copacabana Palace: Avenida Atlântica, 1702, Copacabana, tel: 2548-7070


Cais do Valongo: descoberta em meio a problemas

Ana Mallet 



Com a revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro, no projeto conhecido como Porto Maravilha, parte da história da cidade começou a emergir. A presença negra e as lembranças da escravidão foram desenterradas no Cais do Valongo, porta de entrada para mais de 500 mil africanos entre 1811 e 1831. Redescoberto em 2011 após ficar 168 anos soterrado, o local faz parte do Circuito Histórico e Arqueológico da Herança Africana, inaugurado há um ano pela prefeitura do Rio.

Durante as escavações do Porto Maravilha, foram descobertos dois ancoradouros com uma grande quantidade de objetos de uso pessoal, incluindo amuletos e objetos de culto vindos do Congo, Angola e Moçambique. Calcula-se que o local foi o que recebeu o maior número de africanos das Américas. No século passado, a região chegou a ser conhecida como Pequena África.Em 1843, um aterro de 60 centímetros de espessura para a construção de um novo ancoradouro para receber a imperatriz Teresa Cristina soterrou uma parte da história dos africanos no Rio de Janeiro. Hoje, o Cais do Valongo transformou-se num memorial a céu aberto. Apesar de estar localizado embaixo de duas ruas movimentadas, sob o peso de canos de eletricidade, água e esgoto, o cais apresenta ótimo estado de conservação. Hoje, é uma das principais atrações do circuito cultural carioca.


A Prefeitura do Rio agora está pleiteando, junto à Unesco, que o local ganhe o título de Patrimônio Histórico da Humanidade, visto que é o único ponto de tráfico negreiro preservado nas Américas.

As obras na região portuária, que passam por um processo de reurbanização até 2016, compreendem uma área habitada por cerca de 28 mil pessoas,e abrange as avenidas Rio Branco, Presidente Vargas, Francisco Bicalho e Rodrigues Alves, compreendendo os bairros da Gamboa, Santo Cristo e Saúde, e os morros do Pinto, Conceição, Providência e Livramento.

Apesar da importante descoberta histórica, a reforma da zona portuária vem dividindo opiniões. Desde o início das obras, o Fórum Comunitário do Porto, composto por algumas associações e entidades, divulgou o “Relatório de Violações de Direitos e Reivindicações”. O documento, de 46 páginas, reúne diversas arbitrariedades cometidas pelo poder público na região. A reforma da área, que foi divulgada com o objetivo de atrair turistas para o local, está sendo interpretada pelo Fórum Comunitário do Porto como uma “privatização” da região da cidade. Uma das preocupações das associações é que os atuais ocupantes serão pouco a pouco expulsos do local.


Flagrantes de problemas nas obras da região portuária

Além das preocupações dos moradores do local, a revitalização vêm gerando incômodo nos motoristas que passam diariamente pelas ruas e vias constantemente interditadas para as obras. O jornal O Globo denunciou que, apesar dos R$ 139 milhões disponibilizados para a reforma, basta uma caminhada pelas ruas da zona portuária para perceber os problemas ainda existentes. Um dos exemplos é a fiação que não foi trocada: as calçadas foram quebradas e restauradas, mas a fiação velha continua à mostra, gerando riscos para os passantes.

Projeto inclui favelas pacificadas no mapa do Rio

Patricia Cardoso

Divulgação
Os moradores das favelas pacificadas estão prestes a dar mais um passo em direção à vida formal. Se antes eles não tinham um endereço e consequentemente, não podiam, por exemplo, receber correspondências, agora a realidade será diferente. Um projeto da UPP Social coordenado pelo Instituto Pereira Passos (IPP) vem realizando desde o ano passado um mapeamento dessas comunidades.

O trabalho é feito por 57 moradores de favelas pacificadas que receberam treinamento da ONG Rede de Desenvolvimento da Maré, responsável pela adaptação da metodologia utilizada pelo IBGE no recolhimento de dados para o mapeamento de logradouros. Ao todo, o programa beneficiará 400 mil pessoas que vivem na área onde foram instaladas as 28 UPPs da cidade.

Para dar início à checagem e identificação de travessas e becos, os agentes de campo utilizam a base cartográfica do IPP, que já apresenta as principais ruas das comunidades. Com os mapas nas mãos, os agentes utilizam das suas próprias vivências no território para conferir as informações assinaladas e agregar ao mapa novas ruas e vielas. Tudo é feito manualmente, com auxílio apenas de planilhas que ajudam a conferir as informações desenhadas à mão.

Assim que todo o mapeamento estiver pronto, as informações passarão a compor a base de dado do IPP e serão encaminhadas à Secretaria Municipal de Urbanismo. O registro oficial dos logradouros será feito a partir da publicação de decretos no Diário Oficial do Município. A partir daí, toda essa localidade será reconhecida pela Prefeitura e receberá os respectivos códigos de endereçamento postal, o CEP.

Além dessa novidade para esses moradores, o mapeamento acaba trazendo uma espécie de resgate histórico da comunidade e uma identidade própria. Outra consequência é o processo de integração não só da favela como um todo, como também entre a favela e o asfalto. Para Vinicius Gentili, coordenador do programa, o objetivo é fazer a ligação dessas comunidades com a esfera pública, rompendo com a divisão entre cidade formal e informal e tornando cada beco em uma rua oficial.

O resultado desse trabalho feito pela UPP Social fará parte do novo mapeamento do Rio de Janeiro que começou a ser desenvolvido esse mês pelo IPP. O projeto está sendo financiado com recursos do Programa Nacional de Apoio a Gestão Administrativa e Fiscal dos Municípios, PNAFM, e deve ficar pronto apenas em 2015. Será a primeira vez que as favelas estarão representadas no mapa da cidade que permite uma análise geoespacial do Rio e auxilia o planejamento da Prefeitura e suas Secretarias.

País espera 7,4 milhões de turistas até 2014

Gabriel Goulart Gonzalez

Faltando menos de um mês para o início da Copa das Confederações, primeiro megaevento esportivo dos três que o Brasil sediará (Copa do Mundo 2014 e Olímpiadas de 2016), os estados já se preparam para receber um grande número de turistas nesses períodos. Segundo o secretário de turismo do Rio de Janeiro, Ronald Ázaro, a cidade maravilhosa sozinha receberá 50 mil visitantes no próximo mês. A expectativa para o período de 2010-2014, é que o número de turistas internacionais cresça em 2,98 milhões, alcançando 7,4 milhões no ano da Copa do Mundo. Para receber esse contingente de pessoas, os investimentos no setor turístico são altos.

As seis cidades-sede (Rio de Janeiro, Fortaleza, Belo-Horizonte, Recife, Salvador e Brasília) contarão com investimentos de R$ 198,54 milhões, do Governo Federal, em ações de infraestrutura, acessibilidade e Centros de Atendimento ao Turista (CATs). O Pacto pelo Desenvolvimento do Turismo, firmado com 16 governadores em dezembro do ano passado, garantiu, por exemplo, R$ 92,3 milhões para obras como a reforma do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e complementação do Centro de Convenções, em Brasília, duplicação de rodovias e saneamento de praias.

O Ministério do Turismo também está investindo em cerca de 30 mil profissionais nas cidades-sedes. O Pronatec Copa, ramificação do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico, em parceria com o Ministério da Educação, tem 18.492 alunos matriculados em 20 cursos, além de 867 pré-matrículas solicitadas para 2013. A meta do Pronatec Copa é qualificar 240 mil profissionais em 54 cursos de ocupações de base do setor, até 2014.

Os investimentos no ramo hoteleiro também não foram pequenos. Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro possuem empreendimentos sendo construídos ou ampliados graças a financiamentos públicos oferecidos especialmente para a Copa. No Rio de Janeiro, os hotéis Hyatt e Hilton na Barra da Tijuca, por exemplo, contaram, respectivamente, com R$ 298,5 milhões e R$ 118,5 milhões em financiamentos.

Apesar dos grandes investimentos, os eventos gerarão muita receita para o país. O mundial deve injetar R$ 142 bilhões na economia brasileira de 2010 a 2014, segundo o estudo Brasil Sustentável - impactos socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014, realizado pela consultoria Ernst & Young em parceria com a Fundação Getúlio Vargas,. Somente no turismo, nestes quatro anos, deverão ser geradas receitas adicionais de R$ 5,94 bilhões. Para o ano do campeonato, serão aproximadamente US$ 8,73 bilhões trazidos ao país com gastos de turistas.

Lagoa ainda sofre com promessas de legado ambiental

Felipe Sbardella


Embora a prefeitura e o Comitê Olímpico Brasileiro afirmem que a Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos cartões postais da cidade, está pronta para receber as competições de Remo e Canoagem de Velocidade das Olimpíadas de 2016, a poluição, já conhecida da população carioca, e a falta de estrutura, ainda assustam.

A última competição realizada no local, o Sul-Americano de Remo, no início de maio, recebeu 160 atletas de oito países diferentes, mas apresentou vários problemas estruturais, como ausência de um local próprio para os remadores e falta de espaço para guardar os barcos de alguns países. A solução paliativa encontrada foi guardá-los no terreno atrás do Estádio do Remo, onde funcionava a recém-demolida academia Estação do Corpo. Outros problemas, como a ausência de largadores automáticos e o partidor, praticamente destruído por causa de uma chuva, ainda atrapalham. São indicações de que o local ainda não está completamente pronto para receber as competições.

Além disso, a despoluição da Lagoa ainda apresenta problemas. Por mais que o empresário Eike Batista tenha investido mais de R$15 milhões na revitalização, a mortandade de peixes ainda acontece e o local não é próprio para nado, como havia prometido o investidor há dois anos. As esperanças são depositadas nos US$ 165 milhões que deverão ser investidos pela CEDAE e pelo setor privado para recuperar completamente não só a própria Lagoa Rodrigo de Freitas como a Lagoa de Jacarepaguá na Zona da Barra.

A favela entra na moda


Divulgação
A pacificação das comunidades do Rio de Janeiro estimulou novasformas de manifestação cultural, como a moda. Em comunidades como Santa Marta eRocinha, por exemplo, é possível observar uma produção de vestuário contra-hegemônicae que valorize suas referências culturais. Esse tipo de confecção lança um espírito que dialoga com a dinâmica da favela.


A COOPA-ROCA, Cooperativa de Trabalho Artesanal e de Costura daRocinha Ltda., foi criada nos anos 1980 para incentivar o trabalho de mulheresmoradoras da Rocinha de modo a aumentar seu orçamento familiar. O projeto, alémde gerenciar e coordenar as atividades das cooperadas, também as capacita etorna possível que elas trabalhem sem se afastar dos filhos e das atividadesdomésticas. Hoje a cooperativa tem em torno de 100 artesãos e uma loja no Shopping Fashion Mall, onde desde maio de 2012 são vendidas luminárias, peças de artesanato e roupas. A abertura da loja teve como objetivo suprir a demanda dosclientes “do asfalto”, já que as vendas dos produtos da cooperativa eram feitasapenas por intermédio de grandes marcas, como a Lacoste.


O Costurando Ideias, um grupo comunitário criado em 2002 nacomunidade do Santa Marta, realiza um trabalho artesanal feito com restos detecidos de grandes marcas e matéria prima reciclada. O projeto produz peças de vestuário e bijuterias feitos a partir de retalhos. Em 2007, o CosturandoIdeias montou um estande de vendas no Fashion Rio graças a uma parceria com aFederação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a Firjan.


Além do design e do know-how desenvolvidos em projetos comunitários, a favela passou a influenciar também na maneira de vestir. Nanovela “Avenida Brasil”, exibida em 2012 na Rede Globo, o figurino dapersonagem de Isis Valverde, Suelen, roubou a cena e invadiu araras de lojaspopulares, como o Saara. Na sucessora da trama, “Salve Jorge”, que terminou em meados de maio de 2013, a moradora do Complexo do Alemão, Lurdinha, interpretada por Bruna Marquezine, também atraiu olhares pelas peças de roupa justas e curtas que usou. A moda “periguete”, no entanto, não está apenas restrita às classes mais baixas. De acordo com a consultora de moda do SENAC Moda, Denise Morais, odesejo de ser provocante está presente na mulher independente de seu statussocial. As cantoras Beyoncé e Rihanna, ícones pop americanas, sãorepresentantes desse estilo vestindo conceituadas marcas internacionais. Desdeos anos 80, boutiques como Dolce & Gabanna,Roberto Cavalli e Versace criam vestidos justos e que valorizam os atributosfemininos. Para a coordenadora do GNT Fashion, Lilian Pacce, a moda “periguete”reflete o Brasil.


No país, roupas de personagens de folhetins têm mais impacto nascamadas mais populares que aquelas exibidas em editoriais de revistas de moda. Para o geógrafo Jaílson de Souza e Silva, a partir do momento emque as classes C e D ascenderam economicamente formando uma nova classe deconsumidores, elas viraram protagonistas nas novelas, pondo em evidência suasreferências simbólicas, como vestuário e comportamento.

Morar no Rio custa cada vez mais caro


Rafael Medina




Com a chegada da Copa e Olimpíadas, os holofotes de todo o mundo estão voltados para o Brasil, e, principalmente, para a cidade do Rio de Janeiro. Novas obras, negócios e investimentos, e o preço dos aluguéis e na compra de apartamentos acompanham o aumento da atenção pela cidade.

O preço médio por metro quadrado dos imóveis anunciados, entre Janeiro e Março de 2013, continua valorizado, e chegou a R$ 7.724/m². Segundo a pesquisa Barômetro do Mercado Imobiliário de Março de 2013, a zona sul carioca continua sendo destaque com a maior parcela de bairros valorizados, mas o bairro que registrou maior elevação no preço médio por metro quadrado foi Jacarepaguá, na zona oeste, com uma valorização de 8,1 %.

Seguido de Jacarepaguá, o bairro de São Conrado foi o segundo com maior elevação no preço médio por metro quadrado, 7,7%, atingindo R$ 10.327 reais/m². A instalação das unidades pacificadoras nas comunidades da Rocinha e Vidigal estão relacionadas com a sua valorização.

Com o metro quadrado avaliado em R$ 21.450 reais, o Leblon é o bairro mais caro do país: o aluguel de um apartamento de três quartos no bairro varia entre R$ 5.000 reais a R$10.000 reais mensais (na Avenida Delfim Moreira, o valor é maior ainda). Durante o ano de 2012, sua valorização foi de 21%, e a tendência, até o final de 2013, é um possível aumento com as novas obras da linha 4 do Metrô, facilitando a ligação entre zona sul e barra.

A pesquisa também faz referência aos bairros com preço por metro quadrado mais depreciados no primeiro trimestre de 2013. No topo, aparece o Leme com uma desvalorização de – 0,7%, seguido de Gávea com queda de – 0,3 %.

Outro custo que chama a atenção é o valor do aluguel comercial no Rio. Segundo dados da consultoria imobiliária internacional Colliers, Ipanema e Leblon estão com o custo mais alto de aluguéis comerciais do país, em torno de R$ 203,3/m².

O preço do aluguel de vagas de estacionamento também teve um crescimento elevado. Com os investimentos na indústria automobilística, o aumento da frota de veículos nas ruas e a falta de infraestrutura da cidade para suportar o aumento da demanda, criou-se um espaço propício para prédios executivos do Centro e Zona Sul cobrarem valores altíssimos, com diárias entre R$ 30 a R$ 50 reais e mensais superiores a R$ 400 reais. Na maioria dos restaurantes e bares da zona sul, que o problema de vagas é caótico, o carioca se depara com o serviço de estacionamento Valet Parking, que varia entre R$ 12 a R$ 20 reais. Morar no Rio é pra quem pode.

UPP sem empreendedorismo

Igor Ricardo

Apesar de ter contribuído para a significativa queda nos índices de violência no Rio de Janeiro, a instalação de 20 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), desde 2008, ainda não apresentou impacto sobre o faturamento dos microempreendedores desses locais, conforme demonstra um estudo feito pelo Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade). Entre as pessoas que trabalham por conta própria, 71% afirmaram não ter identificado nenhuma mudança sobre suas vendas ou prestação de serviço por causa da pacificação. O mesmo percentual foi identificado para os efeitos com relação ao lucro, custos, despesas e relação com fornecedores. Mesmo assim, de acordo com o Iets, a renda média mensal dos microempreendedores oscila entre R$ 950 e R$ 1700.

Além disso, mais de 80% dos microempreendedores das UPPs informaram que a fiscalização sobre seus negócios não aumentou. O dado se reflete no percentual dos que contribuem para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Neste grupo, 70% disse que não colaboram com a Previdência Social, se mantendo a margem dos benefícios concedidos pelo governo, como aposentadoria, pensão por morte, auxílio-doença, auxílio-acidente. A estatística oscila, atingindo desde 65% dos microempreendedores no Morro do Borel, na Tijuca, até 84% destes no Morro da Coroa/Fallet/Fogueteiro, no Centro.

A pesquisa também revelou que 30% dos negócios analisados resultaram do desemprego de seus proprietários, colocando a exclusão do mercado de trabalho tradicional como fator principal para esses microempreendedores. Outros motivos apontados foram a oportunidade de abrir o próprio negócio e a busca por um aumento na renda. A presença policial nas comunidades não aparece entre as razões. Um exemplo de iniciativa criada nos morros é a grife Estilo Favella, que vende camisas pela internet com estampas que fazem referência às comunidades. Os criadores da marca, os estudantes Cristiano Maciel e Welbert Coni, da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, afirmaram que a empresa ainda não dá lucro, já que tudo o que recebem é reinvestido no negócio. Para eles, o objetivo principal é fortalecer cada vez mais a empresa dentro de suas comunidades.

UPP Empreendedor

Com o objetivo de impulsionar a abertura do próprio negócio nas regiões pacificadas, o governo do Estado acaba de reduzir de 13 para dois dias o prazo de liberação de crédito. Por meio do Fundo UPP Empreendedor, a AgeRio (Agência de Fomento do Rio de Janeiro) concede financiamentos entre R$ 300 e R$ 15 mil, com juros mensais de 0,25% e até 24 meses para pagar. Os interessados também contam com a assessoria jurídica e administrativa do SEBRAE-RJ. O levantamento do Iets mostrou ainda que a presença das UPPs pode abrir portas para a formalização dos micro e pequenos negócios nas comunidades, apesar disso no momento ser incipiente.

A legislação brasileira considera como microempreendedor individual todo empresário que tenha auferido receita bruta, no ano-calendário anterior, de até R$ 36 mil.




Rio pode ter o maior orçamento cultural da história

Rafael Caetano

O Rio de Janeiro se prepara para o que pode ser a distribuição do maior orçamento da história da cidade destinado à produção cultural. São R$ 184.562.424,00, um crescimento de 188% em relação ao valor investido em 2010. A quantia só foi alcançada devido à criação de uma nova estratégia, a do contribuinte incentivador. Que permitirá a renúncia fiscal de pessoas jurídicas contribuintes do Imposto Sobre Serviços (ISS) por meio de financiamento de projetos culturais.

O dinheiro não virá todo dos cofres públicos, mas também de um instrumento criado pela Lei municipal de incentivo à cultura. Mas não basta apenas escrever um projeto ou escolher um para financiar. Só poderão participar do instrumento de fomento cultural projetos selecionados pela Comissão Carioca de Promoção Cultural. Os membros dessa comissão são nomeados pelo prefeito.

A comissão já decidiu que as empresas de médio e pequeno porte que optaram pelo regime Simples Nacional não poderão patrocinar projetos culturais. A decisão tem causado críticas da Associação de Produtores Culturais da Cidade, pois isso dificultará a participação de projetos de pequeno e médio investimento que terão que concorrer com outros de maior organização.

Os pesquisadores José Carlos Garcia Durand, Maria Alice Gouveia Graça Berman do Centro de Estudos da Cultura e do Consumo da EAESP/FGV, alertam para eventuais dificuldades de efetivação da Lei. Segundo eles o objetivo é estimular as empresas a financiarem no máximo 80 % dos custos dos projetos. Os outros 20 % ou 30% seriam de responsabilidade do proponente. Mas se as empresas não custearem os 80% será como se as administrações públicas queimasse dinheiro que poderia ser empregado diretamente por suas instituições culturais.

O Rio é bi


Renata Pessôa

O Rio é o destino de dois milhões de visitantes por ano, dos quais 500 mil são parte do público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). E é com esse público que a cidade lucra mais: os turistas gays gastam o dobro dos demais e injetam cerca de R$5 milhões por dia na economia carioca. As expectativas quanto a esse novo mercado são altas: Almir Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Turismo GLS, afirma que o aumento de viagens nesse setor subiu 20%.

Em 2011, a cidade virou bi: foi escolhida pela segunda vez como melhor destino gay do mundo, desbancando Madri, Saint Tropez, Portland, Buenos Aires e Estocolmo. A eleição foi feita pelo site TripOutTravel.com em parceria com a MTV americana, e o portal afirma que a comunidade gay se sente muito bem-vinda ao Rio. Segundo a Out Now, empresa de consultoria especializada no mercado LGBT, a cidade já é o segundo lugar mais procurado para viagens.

Por isso, Ministério do Turismo e Embratur estão trabalhando juntos para fazer crescer ainda mais os números. No portal do Guia Rio existe uma seção voltada para o público LGBT, com dicas de bares, restaurantes, hotéis e programação “gay-friendly”. O site sugere ao turista lugares como o Bar D´Hôtel, a boate The Week, a sauna G SPA, o bairro da Lapa e as famosas “label parties”, festas temáticas que recebem um grande número de público LGBT. Na sessão “onde ficar”, as sugestões são de hotéis luxuosos, confortáveis e hospitaleiros, como o Copacabana Palace e o Hotel Fasano.

A Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS) também lançou um conjunto de ações para combater a homofobia no Rio, como o selo Rio Sem Preconceito, afixado em estabelecimentos capacitados pela CEDS como locais com noções e conhecimentos sobre leis e direitos civis e humanos.

Mas apesar de estar à frente de outras cidades, os gays ainda sofrem preconceito no Rio. Para André Fischer, criador do Mix Brasil, maior portal GLS da América Latina, é preciso expandir esse transformação da cidade, já que muitos atrativos turísticos se concentram na Zona Sul. Ele acredita que o carnaval foi um dos principais fatores a impulsionar essa mudança de pensamento em relação ao público LGBT e afirma que é uma questão de tempo até essa “zona de conforto” se espalhar pela cidade. Para ele, as pessoas vão assumir essa postura como um novo valor da cidade, que só tem a acrescentar aos cariocas.

Favela-Bairro diminui crescimento das favelas


Ana Luiza Carvalho

O Favela-Bairro, programa da prefeitura que tem como objetivo integrar a favela à cidade, está colhendo seus frutos quase 20 anos depois de ter sido criado pelo ex-prefeito do Rio, Cesar Maia. Pesquisa feita pelo Instituto Pereira Passos concluiu que as comunidades beneficiadas com o programa crescem quatro vezes menos do que aquelas não beneficiadas.

Das 1071 favelas e comunidades do Rio, 180 receberam o programa, considerado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, um de seus apoiadores, o maior programa de inclusão social do mundo. Entre os principais objetivos do projeto estavam a urbanização e infraestrutura para a comunidade, como a pavimentação das ruas, implantação de redes de água e esgoto e a construção de creches, praças e áreas de lazer. Todas essas melhorias fizeram com que as favelas beneficiadas se tornassem mais valorizadas, e como consequência, tenham se expandido menos do que aquelas não urbanizadas.

A pesquisa ainda revela que a renda das famílias das comunidades atendidas pelo Favela-Bairro é maior do que aquelas famílias que moram em favelas não beneficiadas pelo programa. Mais do que isso, as famílias que compram casas em uma dessas 180 comunidades fazem um esforço maior para conseguir pagar quando comparadas àquelas que compram casas em outras comunidades.

O programa Favela-Bairro foi indicado pela ONU, no Relatório Mundial das Cidades 2006/07, como um exemplo de políticas públicas no combate à pobreza e à miséria a ser seguido por outros países.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Novas iniciativas colaboram com a Operação Lei Seca

Patricia Cardoso

Após quatro anos em funcionamento, os cariocas ainda estão tentando se adaptar a blitz da Lei Seca e criar novos hábitos ao beber para voltar com segurança para casa. Em muitas outras cidades, soluções para evitar a direção depois de beber já oferecem alternativas que ainda não chegaram ao Rio. Mas até o fim deste ano, a filial de um bar que privilegia o motorista da rodada será inaugurada no Rio de Janeiro. A ideia, que já existe em São Paulo desde abril deste ano, beneficiou 18 pessoas só na primeira semana.

O projeto “Motorista da vez volta outra vez” funciona de forma simples. Chegando ao local, o grupo de amigos indica quem será o responsável pela direção na volta para casa. A pessoa escolhida ganha uma comanda diferenciada, onde não é possível pedir produtos com álcool, mas todas as demais bebidas são oferecidas por conta do bar. Além disso, o motorista da rodada ganha um cupom no valor de R$ 30 para gastar apenas em drinks e cervejas na próxima visita. A única exigência é que nesse retorno, um novo condutor seja indicado.

De acordo com o dono do Bar Adventure, Messias Oliveira, a iniciativa estimula, ao mesmo tempo, o consumo responsável e aumenta o lucro do negócio. Para ele, a boa aceitação da campanha de conscientização se deve ao fato que os clientes do local são em sua maioria esportistas e aventureiros que já tem o hábito de beber de forma moderada. A divulgação dessa promoção por meio das redes sociais também tem atraído novos frequentadores ao local.

Várias cidades estão procurando soluções criativas. Duas empresas de Curitiba oferecem o serviço de motorista de aluguel para quem bebeu e precisa voltar para casa com o próprio carro. O condutor contratado chega até o cliente acompanhado de um motociclista e leva o veículo e seu dono até o destino combinado. O atendimento pode ser pré-agendado por telefone, no site da empresa, ou requisitado na hora.

Já o Serviço Autônomo Municipal de Trânsito e Transportes, Seterb, de Blumenau, oferece desde 2012 o programa gratuito carona segura durante o Oktoberfest, tradicional festa da cidade. Além de distribuir materiais explicativos sobre os riscos de conduzir alcoolizado, uma triagem é realizada entre os participantes que estão de carro na festa. Depois de realizar o teste do bafômetro, os que tiverem inaptos a dirigir voltam de carona com uma equipe de voluntários do Seterb, que também levarão seu carro para casa.

Com o endurecimento da Lei Seca, sancionada em dezembro de 2012, o motorista que for flagrado com qualquer teor de álcool no sangue terá que pagar uma multa mais pesada. Dessa forma, em relação a outros países, o Brasil passa a ser um dos mais rígidos no controle do beber e dirigir. De acordo com dados do Centro de Informação sobre Saúde e Álcool, CISA, a tendência na América do Norte é de 0,8 g/l e na Europa 0,5 g/l. O país também é o que registra o maior número de acidentes fatais relacionados ao álcool no mundo.

Desde 2009, a Operação Lei Seca vem tentando mudar essa realidade. Em março, o governo do Rio de Janeiro divulgou um balanço positivo dos últimos quatro anos. O número de acidentes de trânsito com vítimas fatais, por exemplo, teve uma redução de 34% se comparado aos de 2008 e 2011 e a média de motoristas alcoolizados flagrados nas blitzen diminui 40% em relação ao primeiro ano de seu funcionamento. Durante todo esse tempo, mais de um milhão de veículos foram fiscalizados e mais de 900 mil testes de bafômetros realizados.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Shoppings do Rio em falta com os ciclistas


Ana Luiza Carvalho

A intenção da prefeitura do Rio é fazer da cidade a capital da bicicleta. Título merecido, afinal a cidade conta com quase 300 km de ciclovias, ciclofaixas e faixas compartilhadas, o que a torna líder no Brasil em quilômetros de ciclovias construídas. Comparada às capitais da América do Sul, só perde para Bogotá. Ainda assim, há um longo caminho pela frente para a cidade poder honrar esse título. Regras básicas para uma capital da bicicleta ainda deixam a desejar. É o caso de grande parte dos shoppings na cidade, sem respeitar a lei, não oferecem lugares corretos para os ciclistas estacionarem as bicicletas.

A lei complementar nº 77 de 28 de abril de 2005, obriga todos os shoppings centers da cidade a destinar uma área exclusiva para o estacionamento de bicicletas. O ideal é que o espaço seja cercado por grade e trancado, contendo pelo menos um segurança em torno.

Apesar da lei estar em vigor há oito anos, muitos shoppings ignoram as condições exigidas. No Barra Shopping, no Rio Design da Barra e no Via Parque Shopping Center, o local para as bicicletas é o mesmo destinado às motos: um espaço aberto, sem segurança e sem paraciclo (suporte físico onde a bicicleta é presa). Na Zona Sul, o Shopping da Gávea é o que mais chama atenção pelas irregularidades. Só há espaço para guardar cinco bicicletas na calçada e sem nenhum segurança. Também na Gávea, o Gávea Trade Center não tem paraciclos e as bicicletas ficam presas de qualquer maneira ao lado das motos. Os shoppings Botafogo Praia Shopping, Rio Plaza Shopping, Rio Sul e Cittá América já estão no clima “Rio, capital da bicicleta” e reservam um espaço seguro para as bicicletas, respeitando todas as exigências da lei.

Enquanto esses espaços privados não são fiscalizados pela prefeitura, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente incentiva as pessoas a solicitarem a instalação de bicicletários em vias públicas. Basta encaminhar um requerimento à 2ª Gerência de Projetos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente informando sua identificação, endereço, telefone e indicação do local onde pretende instalar o equipamento (rua/avenida/número de referência, bairro e descrição da área).

Por um Rio mais transparente


Rafael Medina



A Lei de acesso à informação e regras de conduta aos agentes públicos da prefeitura do Rio de Janeiro permite que todos os cariocas busquem informações sobre orçamentos, gastos e investimentos do município através da internet.

Todas as informações produzidas ou custodiadas pelo poder público, não sendo consideradas sigilosas, devem estar acessíveis aos cidadãos. A nova lei também cria mecanismos que regulam a conduta do agente público, como a figura do corregedor-geral, responsável pela investigação interna e tem amplos poderes para recomendar ao prefeito a demissão de funcionários do município.

No ano de 2013, a receita tributária de impostos e taxas já acumuladas pelos órgãos equivale a aproximadamente R$ 3 bilhões. Receitas imobiliárias correspondem a R$ 18 milhões e o valor previsto pelo governo, até o final do ano, é de R$ 65 milhões.

Também é possível obter os valores pagos pelo governo aos órgãos contratados para serviços na cidade. Nos primeiros quatro meses de 2013, já foram pagos R$ 600 mil reais para a CET-Rio, responsável pelo tráfego da cidade. Na área da limpeza urbana, o valor pago para a Comlurb é de R$ 686 mil reais.

Os investimentos nos órgãos do governo também podem ser consultados. Neste ano, o Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro, GEORIO, já arrecadou R$ 50 mil reais em receitas patrimoniais e de serviços, e a Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro, RIOTUR, arrecadou aproximadamente R$ 2 milhões de reais.

Outra novidade foi a necessidade da Ficha Limpa para ingressar no serviço público da cidade do Rio de Janeiro. A pessoa não poderá assumir o cargo se recebeu alguma condenação, em segunda instância, por órgãos do Judiciário, o que tem como objetivo observar a ética e a conduta dos agentes públicos.

A Lei nº 12.527, em vigor desde 16 de Maio de 2012, sancionada pela presidente Dilma Roussef, foi anunciada pelo governo como um avanço da democracia e luta contra a corrupção.

Caso o cidadão não encontre a informação desejada no site, poderá solicitá-la ligando para o telefone 1746 ou pelo site www.1746.rio.gov.br.








Carioca Way of Life



Mariana Broitman

Brisa nos cabelos, pé na areia, cor de sol na pele. Tripé mais vendido no exterior quando o assunto é Rio de Janeiro, as imagens típicas da vida carioca na Zona Sul também são exploradas no mercadode moda. As principais lojas exploram o trunfo ao criar e ditar novas tendências para a hora de se vestir. As semanas de moda internacionais podem até ditar tons escuros e botas de cano alto para a estação, mas os fashionistas brasileiros resistem com estilo. Hoje já não se sabe ao certo se as flores e estampas da Farm, por exemplo, são o estilo do Rio, ou o estilo da Farm para o Rio. Também não dá para lembrar se o estilo cool-despojado da Osklen nasceu com o carioca, ou foi uma boa sacada do estilista Oskar Metsavah.

Enquanto paira a dúvida, é provável que 99% dos cariocas tenham certeza que merecem os créditos. Tanto estilo encanta quem visita o Rio, e quem souber aproveitar, que aproveite. Dificilmente uma celebridade internacional passa por aqui sem notar a Osklen: Madonna, Matthew McConaughey e até o estilista Marc Jacobs escolheram algumas peças para chamar de suas. E o mentor Oskar Metsavah aproveitou a onda: a bolsa selecionada pela cantora americana agora leva o nome “Madonna”, e está nas vitrines da crescente rota da marca no exterior, incluindo capitais que ditam moda como Nova York, Tóquio e Milão.

A recepção calorosa no exterior se enquadra na máxima da “recíproca é verdadeira”. Mais do que nunca, os cariocas estão de olho no lado de lá do Atlântico. O Mercado de luxo no país cresceu cerca de 20% no último ano de acordo com pesquisa da GFK e MFC Consultoria, especialistas no mercado da moda brasileiro. Pela primeira vez, São Paulo diminui a sua fatia na pizza dos endinheirados para dar lugar a outras áreas. Entre elas, o Rio. O calendário de eventos internacionais que terão a cidade como palco atrai um mercado igualmente estrangeiro e voltado para esse potencial mercado.
No ano passado, o mercado da moda movimentou no Rio R$ 890 milhões e empregou 35 mil pessoas em sua cadeia produtiva, segundo dados do Instituto PereiraPassos. Os números apontam uma vocação digna de ser explorada. A inauguração do Shopping Village Mall, na Barra da Tijuca, no ano passado, foi um divisor de águas na cidade. Se antes as principais lojas internacionais estavam timidamente localizadas no Shopping Leblon e no Fashion Mall, em São Conrado, o novo endereço na Barra trouxe marcas inéditas no país. As marcas internacionais mais procuradas pelos cariocas no exterior já estão no Rio de Janeiro, como as francesas Louis Vuitton e Chanel e a italiana Giorgio Armani.

O ritmo acelerado em que os produtos estrangeiros entram na rotina do carioca, no entanto, não assustam as marcas nativas. Luxo aqui passa longe das echarpes flaneladas da Burberry ou das fragrâncias adocicadas de Coco Chanel, ambas disponíveis no Village Mall. Se quando os brasileiros viajam estão atrás do que está rolando por lá, aqui volta e meia também esbarramos com turistas vestidos como nós. A Farm de Katia Barros começou na Babilônia Feira Hype, uma das feiras mais descoladas do Rio de Janeiro, para nunca mais parar. O estilo que a loja vende vai muito além das estampas marcantes e das cores fortes, a imposição da Farm foi tão bem construída que hoje dita o que é ser carioca. Sem participar de semanas de moda ou conferências sobre o assunto, a loja de Katia Barros enfrenta as luxuosas marcas estrangeiras com outra estratégia: a relação vai além do cliente, a relação é com a cidade.

Com uma loja virtual turbinada, a Farm vende para todo o Brasil online, além das lojas físicas espalhadas pelo país etiquetadas com preço acima do encontrado no Rio. A cada temporada, a Casa de Verão da Farm, por exemplo, se bandeia para uma praia diferente. Depois de São Paulo e Santa Catarina, no verão de 2013 a loja realizou pela primeira vez uma ação entre os cariocas. O mate e o biscoito Globo da praia estavam na casa de esquina na Nascimento Silva em Ipanema, com o cachorro-quente Geneal e os queridinhos sucos Do Bem. Oficinas de Surf, Stand UP e DJs, shows e uma série de promoções preencheram a agenda. A Farm se uniu a tudo que remetesse ao Carioca-way-of-life e virou ponto de encontro no pré e pós-praia da estação – com direito a muitos visitantes estrangeiros.

Uma das parceiras no projeto foi a Havaianas. Apesar de ter nascido em São Paulo, a marca encontrou no Rio a ideia que vende para o mundo todo. Patrocinadora de uma série de eventos que promovem o orgulho de ser do Rio – além de ser carta marcada na semana de moda carioca - os chinelos podem custar 60 euros em alguns países europeus.