A preparação de um atleta para os Jogos Olímpicos dura quatro anos. Nesse período, ele abdica do lazer e da família para manter o foco na competição esportiva. Para ganhar uma medalha é preciso mais do que dedicação. Uma boa estrutura é crucial para subir ao pódio. Como a próxima edição da competição será realizada no Rio de Janeiro, a ansiedade pelo sucesso brasileiro se torna ainda maior. No entanto, a três anos dos jogos, o discurso do poder público fica restrito às obras que ainda precisam ser concluídas e os atletas, que deveriam ser os principais beneficiados, têm sido esquecidos.
O Rio de Janeiro carece de uma grande estrutura para os atletas. O fechamento do Estádio Célio de Barros, do Parque Aquático Júlio Delamare, e do Velódromo, que serão demolidos, piorou ainda mais esse quadro. Além das poucas opções de locais para treinamento, o desenvolvimento de atletas é dependente dos clubes, que encontram obstáculos. No início do ano, o Flamengo terminou com as equipes profissionais de ginástica olímpica e natação devido a problemas financeiros. Os nadadores Cesar Cielo e Joanna Maranhão e os ginastas Diego Hypólito e Jade Barbosa, esperanças de medalhas, foram alguns dos atletas que precisaram buscar em outros estados uma estrutura melhor. Botafogo e Fluminense também incentivam algumas modalidades olímpicas, como o remo e a natação, respectivamente. No entanto, este investimento ainda é pequeno também em virtude das limitações financeiras.
Já nos Estados Unidos, na China e na Rússia, principais potências olímpicas, o estímulo ao esporte começa nas escolas. Quem se destaca logo cedo, ganha bolsas de estudo em universidades e recursos físicos e financeiros para treinar. No Brasil, esse trabalho ainda é embrionário. Os Jogos Escolares da Juventude são uma tentativa de descobrir talentos dentro dos centros estudantis. A competição, realizada desde 2005 pelo Comitê Olímpico Brasileiro, reúne cerca de 4 mil alunos de todo o país e é dividida em duas faixas etárias: jovens de 12 a 14 anos e de 15 a 17. A edição deste ano será disputada em Natal, no mês de setembro, e em Belém, em novembro.
Se para os torcedores o período de três anos é longo, para os atletas que sonham com uma medalha esse tempo é curto e as possibilidades que se apresentam são poucas.








