O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.
terça-feira, 4 de junho de 2013
Leitura cria elos sociais entre crianças
Rafael Caetano
Uma pesquisa realizada em 2011 nos bairros do Rio de Janeiro pelo Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (CIESP) demonstrou a importância da leitura e das atividades lúdicas no desenvolvimento de elos sociais entre as crianças.
A coordenadora da pesquisa ‘’ Leituras em Elos’’, Laura Pozzano de Barros, observa que a construção de uma relação dinâmica das crianças com o território onde vivem depende das referências adquiridas nos lugares que frequenta. Dessa forma, uma criança precisa ter contato com espaços culturais que promovam a leitura e atividades que a estimulem.
No Rio, há uma transformação na oferta pública desses espaços nos últimos anos com a criação de bibliotecas públicas e espaços de lazer, o que demonstra a entrada dos temas relacionados à promoção cultural na agenda das políticas públicas. As estatísticas do Instituto Pereira Passos de 2009 mostram que em Botafogo-um dos bairros pesquisados- o número de livros emprestados nas Bibliotecas Públicas infantis foi de 1157 enquanto que na Rocinha esse número foi zero.
Em algumas regiões da cidade essa disparidade passa por mudanças. A situação já era pauta de diversos movimentos sociais e fóruns da sociedade civil na Rocinha. A construção de uma biblioteca pública no local elevou os números de empréstimos de livros, ali, para 3517 livros infantis em 2012. O crescimento foi de 100% em comparação com 2009.
A quantidade de livros emprestados pode, a princípio, parecer uma solução para o problema. Mas o empréstimo não significa leitura e tão pouco a presença de um espaço físico- como uma biblioteca- é garantia de um serviço prestado com qualidade. Os mesmos movimentos sociais e fóruns da sociedade civil na Rocinha passaram a questionar o papel do aparelho público que eles reivindicavam.