O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Lixo de Janeiro e as Promessas de 2016




Vanessa Forton



Com os grandes eventos que a cidade do Rio de Janeiro irá receber, vêm também às grandes promessas. A cidade, que em 2012 sediou o Rio+20, fechou o ano de 2012 reciclando apenas 1% de seu lixo. Isso significa que das 8.403 toneladas geradas diariamente pela população, apenas 84 delas eram recicladas. Além disso, a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) consegue reduzir ainda mais esse número, tratando apenas 22, 68 toneladas. O restante acaba caindo nas mãos de catadores autônomos ou de cooperativas. Enquanto o Rio desperdiça seus recursos naturais e acumula lixo, as capitais européias recuperam cerca de 40% do seu lixo reciclável. Agora, o Rio quer aumentar esse percentual para 25% até 2016.



Segundo a Prefeitura, as medidas para o projeto estão sendo colocadas em prática desde o começo desse ano. A previsão é que em cerca de três meses a Central de Triagem de Irajá já esteja pronta e funcionando. Essa obra é a primeira do projeto de R$50 milhões, anunciado desde 2011, para a qual a Prefeitura recebeu R$22 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Os outros R$28 milhões são recursos da própria Comlurb. Depois da Central de Triagem de Irajá, ficarão faltando ainda seis estações de tratamento de lixo que deverão ser construídas esse ano. Central do Brasil, Gamboa, Penha, Bangu, Campo Grande e Vargem Grande.



O grande problema do processo de coleta e reciclagem na cidade é a falta de investimento e organização. Entre os 160 bairros, apenas 44 são atendidos semanalmente, além disso, não havia caminhões ou funcionários suficientes para atender a demanda dos bairros. Outra questão grave e ainda não solucionada é a falta da coleta seletiva nas favelas, que deixa grande parte da população sem esse serviço. Mas para isso acontecer é preciso primeiro resolver as questões da coleta de lixo comum que já não acontece pelo difícil acesso do caminhão, resultando em situação caótica em dias de chuva.



O coordenador de projetos de coleta seletiva da Comlurb, Jorge Otero, acredita no potencial do projeto. Segundo ele, os 44 bairros que não são devidamente atendidos atualmente terão o processo de coleta seletiva em sua totalidade. A partir da inauguração da Central de Irajá, nove caminhões de lixo estarão circulando pelos bairros.