O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Falta de estrutura prejudica tenistas cariocas

Thiago Leal

O tênis brasileiro teve dois grandes momentos: na década de 1960, com Maria Esther Bueno, e nos anos 2000, com Gustavo Kuerten. Outros nomes ainda são lembrados pelos torcedores, como o ex-tenista Fernando Meligeni e Thomaz Bellucci, primeiro colocado no ranking nacional, que não tiveram grande sucesso internacional. Um ponto em comum, entretanto, é que nenhum dos jogadores citados nasceu no Rio de Janeiro. Este detalhe mostra como o esporte, que é olímpico, é tratado na cidade que irá receber as Olimpíadas de 2016.

Não faltam quadras no Rio. O Clube Piraquê, na Lagoa, a sede do Flamengo, na Gávea, e o Tijuca Tênis Clube, na zona norte da cidade, são algumas das opções para quem deseja jogar tênis. Nenhum deles, porém, é de graça. É preciso ser associado, e logo pagar uma mensalidade, para usar a quadra. O ranking nacional masculino mostra que o melhor carioca encontra-se na 9ª posição e o segundo, na 26ª colocação. Já no feminino, as duas melhores representantes estão na 5ª e na 25ª posições. Um dos motivos para que poucos atletas da cidade cheguem aos primeiros lugares é a falta de um trabalho de base. Segundo o ranking brasileiro infanto-juvenil, com jovens entre 14 e 16 anos, entre os 25 primeiros na categoria masculina só há um carioca no masculino, enquanto São Paulo, por exemplo, tem seis. No feminino, são duas cariocas contra 11 paulistas.

Os dados podem ser influenciados pelo número de quadras disponíveis em São Paulo, onde há mais do que no Rio, mas principalmente, porque, na cidade paulista, há duas quadras públicas. Já os cariocas tiveram a sua primeira, de saibro, em abril, na Rocinha. O projeto do governo estadual prevê a doação de uniforme, raquete e bolinha de tênis, além de os alunos serem submetidos à metodologia de treino do atual primeiro colocado no ranking mundial, o sérvio Novak Djokovic.

Outra razão é a falta de competições de base importantes no Rio de Janeiro. Haverá apenas uma em 2013, no mês de agosto. A maioria dos torneios é realizada nos estados de Santa Catarina e São Paulo, onde nasceram, respectivamente, Gustavo Kuerten e Maria Esther Bueno.

Durantes os Jogos Olímpicos, as partidas de tênis serão disputadas no Hall Olímpico 1, que será construído dentro do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. O local terá capacidade para 16 mil pessoas. O projeto da prefeitura é que, após a competição, o Hall 1 seja integrado ao Centro Olímpico de Treinamento e sirva de instalação para atletas e técnicos. A previsão é de que a sede do tênis esteja pronta no segundo semestre de 2015.

Mostra Cine Índio Brasil fortelece cultura indígena

Alexandra Gurgel

Divulgação
O Microcine Cinema Brasil de Bonsucesso acolheu a 4ª edição da Mostra Cine Índio Brasil. Sob o tema de “Invisibilidade dos Povos das Aldeias”, a mostra teve como objetivo promover a exibição de filmes e debates sobre questões ligadas ao fortalecimento das culturas e tradições indígenas no Rio de Janeiro e no país. Realizado entre os dias 26 de abril a 4 de maio, o festival discutiu temas atuais, como a situação da Aldeia Maracanã após a invasão do Batalhão de Choque da Polícia Militar para a construção do Museu Olímpico. 

O diretor da mostra, Marcos Manhães Marins, relatou em entrevista à TV Brasil que a escolha do tema se deu porque, tanto no interior como na cidade, o índio é visto como um bem material e não como uma pessoa. Sua afirmação relembrou o relato de pouco mais de cinco minutos do índio Ymá Nhandehetama: “Nós sempre fomos invisíveis. Dizem que o Brasil é um estado democrático de direito, mas para o indígena esse estado não existe”. 

A seleção dos filmes para essa edição cuidou de abranger esse assunto. O filme “Aldeia Maracanã, Resiste!”, de Reinaldo Cunha, trouxe a discussão sobre a ocupação do prédio, dando voz aos índios que moravam no local. Já o longa “Segredos da Tribo”, de José Padilha, diretor do sucesso “Tropa de Elite”, discutiu o “olhar alienígena” que as pessoas têm para com os índios; enquanto o documentário “Vale dos Esquecidos”, de Maria Raduan, apresentou um debate sobre a as diversas culturas indígenas presentes no país. A mostra ainda lançou o filme “Tainá 3 – A Origem”, possibilitando que as crianças tivessem acesso a esse universo paralelo do invisível indígena.

Índio Ymá Nhandehetama comenta sobre tema da invisibilidade indígena



Privatização do Maracanã não cobrirá custo das obras

Gabriel Goulart Gonzalez

Mesmo após o governo suspender a liminar que impedia processo de concessão do Maracanã, as críticas sobre a privatização do estádio mais famoso do Brasil seguem fortes. A juíza Gisele Guida de Faria, da 9ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, concedeu a liminar baseada em um possível favorecimento à empresa de Eike Batista - a IMX -, em erros no edital e remuneração insuficiente paga ao estado. Agora, as principais reclamações daqueles que são contra o gerenciamento do Maracanã pela iniciativa privada são em relação aos gastos cobertos pelo dinheiro público e que não deverão ser devolvidos integralmente.

Os custos com a reforma do estádio já passam de R$ 1,2 bilhão e as obras ainda não chegaram ao fim. A reprovação se dá pelo fato de que, enquanto o grande investimento no Maracanã foi pago pelo dinheiro público, os lucros da gestão serão privados. A expectativa de retorno ao estado é de R$ 181,5 milhões, menos de 10% do valor investido. Por outro lado, a nova concessionária espera lucrar pelo menos R$ 2,725 bilhões.

Um dos principais defensores da não privatização do estádio Mario Filho é o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Para o parlamentar, o Maracanã privado se torna símbolo de uma cidade-mercado, um balcão de negócios. Insatisfeito com a situação, o deputado do PSOL propôs a criação de uma Comissão Especial para fiscalizar a execução do contrato de exploração do complexo Maracanã pelo Consórcio Maracanã S.A. A comissão proposta ainda está em processo de aprovação.

O Consórcio Maracanã S.A - formado pelas empresas Odebrecht (com 90% de participação), AEG e IMX (com 5% cada) - vai administrar por 35 anos o Maracanã. O consórcio vencedor ofereceu R$ 181,5 milhões pela gestão do complexo, a serem pagos em 33 parcelas. O valor foi R$ 26,4 milhões a mais que o oferecido pelo concorrente. O grupo passará a administrar o Complexo do Maracanã após o dia 30 de junho, quando ocorre a final da Copa das Confederações.

Justiça salva atletas brasileiros de esportes aquáticos

Felipe Sbardella

Uma liminar emitida pela juíza Gisele Guida de Faria, da 10ª Vara Pública, impediu a demolição do Parque Aquático Julio Delamare, que estava prevista no edital de licitação do Maracanã. Com isso, apenas o Centro de Treinamento de Saltos Ornamentais Carlos Arthur Nuzman, situado no complexo do estádio, será demolido.

Ainda assim, o esporte aquático está ameaçado: o fechamento do Parque Aquático Maria Lenk, previsto para o primeiro semestre de 2014, fará com que muitos atletas brasileiros de natação, nado sincronizado e saltos ornamentais só fiquem com o Julio Delamare para treinar até o dia 20 de julho de 2014, quando o Estado promete entregar um um novo CT. 

Construído para a disputa dos Jogos Panamericanos de 2007, realizado no Rio de Janeiro, o parque aquático Maria Lenk faz parte do Complexo Esportivo Cidade dos Esportes, na Barra, e foi cedido ao Comitê Olímpico Brasileiro no ano seguinte e, após o Pan, só recebeu nove competições oficiais: uma Copa do Mundo em piscina curta, a Tentativa Olímpica, os Jogos Mundial Militares, além de seis troféus Maria Lenk. Considerando seu custo de construção, orçado em R$85 milhões, cada uma delas saiu por R$9,4 milhões aos cofres públicos.

Como houve rachaduras na piscina de aquecimento e outros pontos não atendem aos requisitos do COI, o parque será fechado no começo de 2014 e não deverá mais receber competições até 2015, quando será reaberto. Para as Olimpíadas de 2016, só há previsão de o parque receba o torneio de Polo Aquático.

Mercado brasileiro de arte em expansão

Rafael Caetano 


O mercado brasileiro de arte está na contramão do mercado mundial, que encolheu 7% no ano passado. As vendas no Brasil são de R$ 1.190 bilhões, ou seja, 1% do mercado de arte internacional, em expansão conforme indica o relatório anual do mercado de arte mundial patrocinado pela The Fair Defines Excellence in Art (TEFAF)O volume de negócios dos galeristas brasileiros cresceram 44%. O que faz do Brasil o maior exportador de arte do América Latina e também um dos mais citados quando se fala de economia das trocas simbólica. 

Os números da última feira Art Rio mostram isso. Com um faturamento de R$ 150 milhões- o que equivale a um crescimento de 25% em relação à última edição- A exposição atraiu galerias conceituadas mundialmente, como a Gagosian que reuniu 80 obras estimadas num valor de R$ 15 milhões. 

A pergunta sobre como objetos de arte ganham valor simbólico ao ponto de serem vendidos por quantias exorbitantes e configurarem um mercado em crescimento levou o professor do departamento de antropologia da PUC-Rio, Roberto da Veiga, em sua pesquisa, buscar  explicar a relação entre consumo e mercado de arte. Segundo ele, há um complexo conjunto de relações de aliança e rivalidade que modela, reproduz e transforma o mercado de arte. O leilão de arte funciona, assim, como uma instância pública de valorização ou desvalorização da autenticidade da obra e de legitimação social. 

É nas feiras de arte e nos grandes leilões que se pode sentir os números das pesquisas e as reflexões acadêmicas sobre o tema. Recentemente, a artista carioca Rosângela Rennó realizou uma séria de trabalhos a partir de objetos baratos, relacionados ao universo do fotógrafo coletados em bazares e lojas de caco velho. O valor bruto arrecadado com as obras vendidas pelo leiloeiro Aloisio Cravo- foi de R$ 666 mil. 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Teleférico em favelas divide opiniões

Patricia Cardoso

A primeira favela do Rio ganhará nos próximos meses uma nova forma de acesso. Em vez de percorrer vias estreitas e ladeiras, os moradores da Providência poderão subir e descer o morro usando o teleférico. Ao todo três estações vão interligar a comunidade com a Central do Brasil e com a Cidade do Samba.

Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, responsável pela obra, serão 16 cabines com capacidade de transportar oito pessoas sentadas e duas em pé. A expectativa é que duas mil pessoas usem o equipamento por hora. No começo de abril, o teleférico entrou em fase de teste e a Prefeitura aguarda apenas o fim de pequenos reparos para inaugurar a novidade.

Para quem mora ou visita o Complexo do Alemão, esse meio de transporte já faz parte da rotina. Em funcionamento desde 2011, aproximadamente 12 mil moradores e turistas o utilizam diariamente. São seis estações distribuídas ao longo de 3,5 quilômetros de extensão e o teleférico é interligado à rede ferroviária na estação Bonsucesso. O projeto foi inspirado no teleférico que interliga favelas em Medellín, na Colômbia e é o primeiro sistema de transporte de massa por cabos no Brasil.

Durante o seu funcionamento ao longo dos últimos dois anos, a presença de turistas brasileiros e estrangeiros vem crescendo no Alemão. De acordo com dados da Supervia, empresa que administra o transporte, 70% dos usuários em janeiro não eram moradores. Esse número demostra a tendência da comunidade em se tornar uma referência turística na cidade.

Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas em 2011 comprovou o interesse dos turistas em visitar as favelas cariocas. Mais da metade deles responderam que tinham curiosidade em conhecer uma comunidade. Mas, ainda de acordo com a pesquisa, esse serviço turístico ainda precisa melhorar, já que existe uma demanda de informações sobre a história do local e suas atrações.

Muitos moradores do Alemão acreditam que o teleférico ajudou na valorização da comunidade, já que as pessoas estão podendo conhecer melhor o lugar, construindo uma nova imagem que deixa para trás o histórico de violência e repressão. A fim de incentivar o desenvolvimento do turismo, comerciantes locais estão sendo treinados em inglês e espanhol, em projeto do Ministério do Turismo.

Apesar das melhorias, os moradores também fazem críticas. Muitos dizem que a comunidade precisava de investimentos mais urgentes de infraestrutura do que a criação de um teleférico. Pelos becos do Alemão é comum ver esgoto a céu aberto, montanhas de lixo, falta de pavimentação e obras inacabadas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O transporte não é uma preocupação tão relevante para a população local. O desejo maior dos moradores é a instalação de hospitais e postos de saúde na região, segundo dados da pesquisa de campo realizada no Complexo do Alemão pelos engenheiros Nino e Willian de Aquino e Wallace Pereira, diretor da SINERGIA.

Além disso, nos moldes atuais, o funcionamento do teleférico é antieconômico para o governo estadual, que banca o projeto. Como a passagem custa R$ 5 e 55% dos usuários usa a gratuidade, o Estado precisa desembolsar R$ 2 milhões por mês. Com isso, cada viagem custaria em torno de R$6,70, mais que o dobro de uma passagem de ônibus municipal. Mesmo assim, além do teleférico da Providência, o governo ainda estuda a construção do teleférico na Rocinha nos próximos meses. A obra está no pacote de projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

America, da glória ao abandono

Pedro Marcelino Ribeiro de Souza

“Hei de torcer, torcer, torcer...”. É assim que o americano Lamartine Babo começa o hino do seu clube de coração. Mas a música ideal para o momento que vive hoje o America está mais para “Quem te viu, quem te vê”, do tricolor Chico Buarque. O time rubro tijucano já esteve entre os grandes clubes cariocas. Em 1954, ostentava o posto de quarta maior torcida da cidade, com 6% dos torcedores. Em 1956, lotou o Maracanã com 139.599 torcedores em partida contra o Flamengo. Hoje, o clube participa da série B carioca e ostenta apenas 0,5% dos torcedores.

O Diabo, apelido do clube, foi fundado sob o lema “Nunca abandonar o America, mesmo nas maiores crises", mas os torcedores abandonaram o Mecão. O fato de o time ter sido rebaixado seguidas vezes, tanto no Brasileiro quanto no Carioca, e a crise financeira que vive promoveu um distanciamento com os torcedores. O Sangue, outro apelido, passou de segundo time de todos os cariocas para time de ninguém, ou quase. A vitória contra o Tigres em abril desse ano, contou com um show da torcida. Os apenas 925 torcedores festejaram nas arquibancadas.

O clube disputa hoje a série B do Campeonato Carioca e não disputa nenhuma série do Brasileiro. O time conseguiu o primeiro lugar na Taça Santos Dummont (primeiro turno do “carioquinha”), mas perdeu a semifinal do primeiro turno para o Cabrofiense e viu de casa a final consagrar o Bonsucesso campeão. O America precisa ganhar o segundo turno, ou manter a melhor campanha da competição, para se classificar ao triangular final, onde os dois melhores sobem para a série A.


"Boom" de mercado de arte estimula consumo no Rio

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A multiplicação das galerias online tem como objetivo tornar a arte mais acessível e aproximar o público do universo da arte. Em seu espaço virtual, elas promovem exposições, eventos e encontros de arte, indo além da comercialização de produtos. A MUV Gallery, inaugurada em 2012, também conta com “popup galleries”, galerias em funcionamento provisório em locais inesperados, como lojas e parques. Segundo Stephanie Afonso, uma das fundadoras, a proposta é que a galeria funcione como uma galeria de arte normal, mas no formato digital.

A Vende-se Arte foi criada em 2011 com o intuito de vender obras produzidas por jovens artistas contemporâneas e tornar o consumo de arte mais natural ao emergente mercado brasileiro no setor. Essa nova maneira de abordar o comércio de arte se tornou uma tendência por divulgar o “novo” com poucos custos e democratizar a arte.

Foram os vanguardistas franceses Alexandre de Metz e Paul-Antoine Briat que começaram a vender arte acessível, em 2006. Eles usaram um blog pra se tornar conhecidos e passaram a vender fotografias de notórios profissionais, como Man Ray, numa pequena loja em Paris.

O fenômeno foi alavancado no Brasil graças às vendas de arte no país, que chegaram a 455 milhões de euros em 2012, segundo relatório da Tefaf (The European Fine Art Foundation – fundação europeia de belas artes), o que corresponde a 1% do mercado mundial do ramo. Esse foi o primeiro ano que o Brasil constou na lista.

As galerias de arte brasileiras também tiveram crescimento de 44% nos últimos dois anos e as exportações chegaram à cifra de 60 milhões de dólares em 2011.

A presidente da Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact), Eliana Finkelstein, afirmou que o aumento de vendas, de compradores e de colecionadores, transformou o Brasil num mercado muito próspero para o desenvolvimento de arte.

Para confirmar esse crescimento, a feira de arte ArtRio – que vendeu 120 milhões de reais em 2011 e recebeu 46 mil pessoas – , teve na edição do ano passado um público de 74 mil pessoas, valor que superou as 60 mil esperadas pela organização do evento. Em 2012, entretanto, a organização não divulgou os valores de venda.

Segundo a Abact, obras de artistas da primeira metade do século XX, como Emiliano Di Cavalcanti e Cândido Portinari, ainda figuram entre as mais caras – Sérgio de Camargo teve, recentemente, uma obra leiloada por U$ 1,58 milhão. De acordo com a associação, contudo, a arte brasileira se tornou democrática graças ao boom de galerias jovens e online, que tornaram possível encontrar obras contemporâneas por cerca de 500 dólares.

Preço mais barato de táxi colabora com Lei Seca

Karina Valente              

O Rio de Janeiro é a cidade onde os passageiros pagam o menor valor por quilômetro rodado de táxi no Brasil. Por isso, na hora de escolher como voltar pra casa após consumir bebida alcoólica, o uso desse meio de transporte pode ser um incentivo a mais para os cidadãos colaborarem com a Operação Lei Seca. Os taxistas cariocas cobram R$ 1,70 enquanto que em São Paulo e Belo Horizonte o valor é de, respectivamente, R$ 2,50 e R$ 2,24 por quilômetro rodado.

Segundo pesquisa realizada em todas as capitais do país pela Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC) de Porto Alegre, o levantamento de 2012 mostrou ainda que para corridas médias (com distâncias de até 6 km), o Rio de Janeiro ocupa a 21ª posição cobrando R$ 14,90. Rio Branco, capital do Acre, é a cidade que cobra mais caro por essa distância percorrida, totalizando R$ 24,05. Já a média da cobrança de todas as capitais do país para as corridas de até 6 km é de R$ 16,74.

Desde a implantação das blitz da Lei Seca, as mortes no trânsito no estado do Rio de Janeiro reduziram em 12,6%, de acordo com dados apresentados na comemoração dos quatro anos da operação. Entre 2005 e 2008, anos anteriores ao início da Lei Seca, foram 11.089 óbitos. Já entre os anos de 2009 e 2012 esse número caiu para 9.686. A maior queda foi registrada de 2008 para 2009, ano de início da Lei Seca, quando o número de pessoas que morreu caiu 13,8%, de 2.753 para 2.373. Além da redução do número de mortes, a média de motoristas alcoolizados que foram flagrados desde 2009 pelas blitz diminuiu em 40%.

Os caminhos da bicicleta no Rio

Rodrigo Belga

As bicicletas caíram no gosto dos cariocas e chamaram a atenção da prefeitura do Rio. Porém, ao mesmo tempo em que a política de incentivo a uma alternativa sustentável é elogiada, o modelo de gestão da malha cicloviária, a maior da América Latina, é alvo de críticas. O projeto de aluguel “Bike Rio” já somou mais de 1 milhão de viagens desde a criação da iniciativa em 2011, resultado de parceria com um banco privado. O investimento público também impressiona: apenas nos quatro primeiros meses de 2013, os recursos com implantação e revitalização de ciclovias ultrapassaram R$ 4,5 milhões. A execução orçamentária está no Diário Oficial desta quinta-feira, 9 de maio.

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O programa “Rio, Capital da Bicicleta”, da Secretaria municipal de Meio-ambiente, pretende implantar 450 km de ciclovias até 2016. Até o fim do ano, a meta, anunciada no Planejamento Estratégico 2013, é ampliar dos atuais 300 para 330 km das pistas destinadas aos ciclistas. Os recursos públicos estimados para o projeto chegam à casa de R$ 140 milhões até o ano dos Jogos Olímpicos.

No entanto, o número de bicicletários do serviço “Bike Rio” estacionou em 60. A promessa da prefeitura, divulgada ano passado, durante a conferência Rio+20, era instalar mais 240 estações até o fim de 2012. Agora, a previsão é que mais 100 equipamentos sejam implantados até dezembro e, em 2016, a cidade alcance a marca de 1.000 bicicletários.

A expansão do programa da prefeitura foi criticada numa tese de doutorado em Geografia da PUC-Rio. Em “Embaralhando As Pernas”, o pesquisador Gustavo Lopes defendeu que a ideia de vender o Rio como “capital da bicicleta” já foi usada pela gestão anterior, mas foi transformada num “projeto midiático” pelo governo atual. A pintura de uma faixa compartilhada em cima da calçada proíbe a passagem da bicicleta pela via principal, como prevê o Código Brasileiro de Trânsito. Por outro lado, a ciclovia também prejudica o pedestre, que passa a ser ameaçado na calçada pelas bicicletas em movimento.

Lopes também criticou o modelo de bicicletários da cidade em parceria com a iniciativa privada, ao apontar que a aplicação dos recursos públicos acaba seguindo a lógica da empresa que administra o sistema. Sem mencionar o projeto “Bike Rio”, o pesquisador argumentou que as estações são posicionadas de modo a aumentar a visibilidade da marca e não a atender melhor os moradores. De fato, a análise de 2010, ano de publicação da tese, segue atual: o “Bike Rio” só conta com equipamentos na Zona Sul da cidade.

Falta de escolaridade prejudica ex-catadores de lixão

Igor Ricardo

Com o fechamento do Aterro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, os catadores que viviam na região foram obrigados a procurar outros meios de sobrevivência. Uma indenização de R$ 21 milhões, paga pela Prefeitura do Rio, chegou a ser dividida entre 1.700 catadores, cerca de R$ 14 mil para cada um, mas a perspectiva de melhoria de vida desses profissionais esbarra na falta de escolaridade. Cerca de 23%, ou seja, quase 400 catadores, são analfabetos, segundo apurou uma pesquisa do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade). A situação se agrava quando o analfabetismo funcional (pessoas com menos de quatro anos de estudo) é considerado: mais de 40% dos catadores são enquadrados neste tipo de deficiência.

Divulgação / Prefeitura de Duque de Caxias
O problema também se encontra no bairro de Jardim Gramacho. A taxa de matrícula nas redes de ensino da região passa por uma significativa diminuição, de acordo com o mesmo estudo do Iets. Enquanto para os anos iniciais do Fundamental existem 1.853 matrículas, os anos finais têm 1.355 (quase 500 a menos) e o Ensino Médio, 722 matrículas (600 a menos). Os números evidenciam dois possíveis cenários. Um é o de evasão escolar, quando os alunos deixam de estudar na medida em que avançam nos anos escolares, e o outro é a hipótese de que eles estão indo se qualificar em outros bairros. Uma solução para o déficit educacional dos catadores seria ingressar no programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em Jardim Gramacho, há duas escolas que abrigam o projeto.

A atual situação dos antigos catadores do aterro é objeto de discussão da Comissão de Desenvolvimento Urbano, da Câmara dos Deputados. A instituição realizou uma audiência pública nesta quarta-feira para expor as reais condições desses profissionais. Cinco meses depois da desativação do lixão, e apesar da indenização recebida, os catadores continuam passando por sérias dificuldades financeiras, como mostrou uma reportagem da EBC. A catadora Lucia Helena de Souza, de 54 anos, questionava a utilidade do valor recebido como compensação pelo fechamento do aterro.

“Mudou tudo, meu filho. Ficou muito difícil. O negócio da gente era o lixo. O que adiantou ganhar aquele dinheiro e mais nada? Eu já estou velha, como é que vou arranjar serviço?” reclamou a ex-catadora, em depoimento à TV.

Solução imediata é atuação nas coletas seletivas

O deputado federal Adrian (PMDB-RJ), que preside a subcomissão de Política Nacional de Resíduos Sólidos, defende o apoio às cooperativas de catadores de lixo, dando a elas a oportunidade de atuarem na coleta seletiva das cidades. O parlamentar também propôs, durante sessão no plenário, a ideia de que os municípios façam acordos com as cooperativas. Sendo assim, haveria a continuação do fluxo de renda vindo do recolhimento de lixo.

O aterro de Jardim Gramacho tinha 34 anos de existência, e se estendia por uma área de 1,3 milhão de m², à beira da Baía de Guanabara. O local recebia, até abril de 2011, cerca de 9.500 mil toneladas diárias de resíduos da capital (75%) e dos municípios de Duque de Caxias, São João de Meriti, Nilópolis, Queimados e Mesquita (25%), todos da Baixada Fluminense. O fechamento do maior lixão da América Latina foi provocado por causa dos compromissos assumidos pelo Rio de Janeiro com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para sediar as Olímpiadas de 2016. No caso, era preciso acabar com o aterro para que se iniciasse o processo de despoluição da Baía de Guanabara, palco de provas de iatismo.

Projeto Solos Culturais: a favela além do clichê

Ana Mallet

Chorando à Toa, Teatro Trevo, RT Pipas. Estes são apenas alguns dos projetos culturais que vêm crescendo nas periferias do Rio de Janeiro e que chamaram a atenção do projeto Solos Culturais.

A riqueza cultural e o multiculturalismo das favelas ficam evidentes com diversos exemplos ao redor da cidade. Com a finalidade de integrar as manifestações culturais das comunidades cariocas com o resto da cidade, o projeto Solos Culturais mapeia instituições que produzem cultura em cinco favelas pacificadas: Complexo do Alemão, Rocinha, Complexo da Penha, Manguinhos e Cidade de Deus.

O trabalho de pesquisa resultou em uma publicação para os interessados no assunto: o livro “Solos Culturais”, lançado em fevereiro. O trabalho mostra hábitos culturais dos jovens em favelas. Foram ouvidos 400 de cada comunidade, totalizando dois mil jovens entre 15 e 29 anos.

No Rio de Janeiro, aproximadamente 20% dos cidadãos moram em favelas. São 1.393.314 pessoas em 763 favelas, totalizando 22,03% dos 6.323.037 moradores da cidade, de acordo com o Censo 2010 do IBGE. Mesmo com todas as dificuldades de integração social, econômica e política, a favela é um símbolo do Rio. Hoje, atrai turistas do mundo inteiro que fazem questão de reservar uma parte de sua viagem para conhecer e entender as favelas cariocas. E é por esse lado que as comunidades vêm atraindo mais curiosos e entusiastas: a cultura.

Em maio de 2012, um seminário do Banco Mundial do Brasil discutiu a integração entre favela e cidade, concluindo que as manifestações culturais das periferias vão além do entretenimento: ajudam a comunidade a se desenvolver, gerando cooperação, educação e aumentando a voz dessa parcela por tanto tempo renegada da sociedade carioca. De acordo com os debates, são manifestações de resistência: a barreira invisível que separa a favela do asfalto vai sendo derrubada aos poucos.

Uma das instituições mais conhecidas na Penha é o Centro de Educação Multicultural, que oferece várias atividades: grafite, quadrinhos, moda sustentável, leitura para crianças, oficinas de arte e educação, artes plásticas e estamparia. O grupo, inclusive, trabalhou na decoração do Shopping Downtown, na Barra da Tijuca, utilizando apenas materiais reciclados.

De acordo com o levantamento do projeto Solos Culturais, publicado recentemente no jornal O Globo, dentre as comunidades, a Rocinha é a que mais conta com atividades culturais – são 231, no total. Logo depois vem o Complexo do Alemão com 183 atividades, Cidade de Deus com 111, Manguinhos com 91 e, por último, o Complexo da Penha com 77. As atividades e manifestações variam: música, artes cênicas, artes visuais, literatura, moda, entre outros.




Rio pode se tornar a nova Capital da Bicicleta


Vanessa Forton


A cidade do Rio de Janeiro, hoje com 250 km de malha ciclo viária, irá ganhar até 2014 mais 100 km. Quando isso acontecer, o Rio pretende se tornar a primeira da América Latina em termos de extensão. Totalizando 350 km de ciclovia e ciclo faixas, a cidade promete ultrapassar Bogotá, capital colombiana e atual primeiro lugar no ranking. O projeto Rio, Capital da Bicicleta faz parte do Programa Rio que já está em desenvolvimento pela Prefeitura. O objetivo é a ampliação e conservação do sistema ciclo viário municipal e a integração com os já existentes. O projeto prevê também a construção e instalação de estações de guarda e empréstimos de bicicletas em vários pontos da cidade. Uma das obras do projeto é construir uma ciclovia no Elevado do Joá ligando a Zona Sul da cidade à Barra da Tijuca, porém essa obra depende da finalização da reconstrução do viaduto que ainda não está pronta.

A bicicleta, especificamente no Rio de Janeiro, cada vez mais deixa de ser apenas um esporte ou lazer e se transforma em meio de transporte para a população de diferentes as idades. Nos últimos 20 anos esse crescimento foi tanto que houve investimentos de diferentes empresas em parceria com a Prefeitura. Um exemplo são as famosas bicicletas laranjinhas do Itaú que já têm 66,000 usuários cadastrados.

Atualmente, incluindo as laranjinhas do Itaú, cerca de 4% dos deslocamentos da cidade, de curta e média distância, são feitos de bicicleta. Isso resulta em um total de 1 milhão de viagens por dia com esse meio de transporte, número que já ultrapassa os dos trens e barcas.

Porém, a manutenção dessas ciclovias em relação ao aumento de ciclistas pela cidade não está sendo feita. As obras são mal acabadas e há buracos em diversas regiões. Um exemplo disso são os bairros da Tijuca e da Gávea, onde além desses problemas, a ciclovia passa pela calçada colidindo com pedestres, pontos de ônibus e vans, causando acidentes pela falta de infra-estrutura. Outro problema do cotidiano dos ciclistas é a falta de segurança em várias áreas mal iluminadas e sem policiamento da cidade, dando oportunidade para constantes assaltos. Por causa disso muitos já estão fazendo um seguro para suas bicicletas.

No entanto, o maior obstáculo ainda enfrentado pelos ciclistas é a falta de respeito dos motoristas no trânsito. Só no mês de abril desse ano 13 pessoas morreram em acidentes com bicicleta nas ruas do Rio. Em menos de 24h, na madrugada do dia 30 de abril e no dia 1 de março, dois ciclistas sofreram acidentes com ônibus, os dois foram fatais. O triatleta de 30 anos Pedro Nikolay e Gisela Matta, produtora do programa “Amor e Sexo” da TV Globo. No dia 03 de março houve outra colisão com o estudante Diego dos Santos, na praia do Flamengo que foi socorrido pelos bombeiros e levado diretamente para o hospital, onde teve alta algumas horas depois. A lei no Código de Trânsito define que veículos devem manter uma distância mínima de 1,5m dos ciclistas. Com ciclovias em bom estado cobrindo o município, não haveria necessidade dos ciclistas dividirem as pistas de trânsito com carros, ônibus e vans. Rio, capital da bicicleta ou capital de acidentes com bicicletas?

Microcrédito cresce nas favelas do Rio


Rafael Medina 

As unidades de pacificação, a saída do tráfico e os novos olhares sob as comunidades da cidade do Rio de Janeiro têm estimulado os negócios locais. Uma pesquisa do Escritório de Gerenciamento de Projetos da Casa Civil do Estado do Rio mostrou que, na Rocinha e no Complexo do Alemão, existem mais de 11 mil microempreendedores.

Segundo pesquisa do Instituto Data Popular, o mercado das favelas ocupadas por forças de segurança já movimentam R$ 13 bilhões por ano. Os pequenos negociantes que já atuavam no local, agora aproveitam o incentivo do governo e melhoram seus negócios. As franquias abertas nas favelas já faturam mais do que outras instaladas no asfalto.

O programa de Microcrédito Produtivo, iniciativa do governo, tem finalidade de apoiar o pequeno e micro empreendedor, que tenham boas ideias e com soluções viáveis para o êxito do seu negócio. O projeto concede crédito rápido e sem muita burocracia para as pessoas que não tem acesso às linhas de créditos dos bancos tradicionais, além de fornecer assistência técnica e gerencial para o fortalecimento e sustentabilidade do negócio.

Em dezembro de 2012, moradores das comunidades da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu receberam uma oficina de Microcrédito Produtivo Orientado, iniciativa da Caixa Econômica Federal e do Ministério do Desenvolvimento e Comate à fome (MDS).

O objetivo foi esclarecer o programa Crescer, cujo público alvo são trabalhadores autônomos ou donos de pequenos negócios nessas comunidades. De acordo com o gerente de programas sociais da Caixa, Paulo Zunino, o programa do banco atua de forma inovadora, já que treina os jovens moradores das próprias comunidades onde o serviço é implantado. O microcrédito também está disponível para qualquer cidadão, em todas as agências.

A presidente Dilma Roussef anunciou diversas mudanças no Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), em 2011. O programa teve os juros reduzidos de 60% para 8% ao ano e a Taxa de Abertura de Crédito (TAC) também foi reduzida de 3% sobre o valor financiado para 1%. Com a redução dos juros, o governo ampliou o número de beneficiários e melhorou a sustentabilidade das operações de crédito, aumentando a capacidade de produção dos microempreendedores.

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deverão ser mais de 3,4 milhões de clientes beneficiados com o programa até o final de 2013. A carteira ativa poderá alcançar R$ 3 bilhões, divididos entre o Banco do Brasil, Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Caixa Econômica Federal e Banco da Amazônia (Basa).

A Mercedes e os Leleks


Renata Pessôa
O grupo carioca “MC Federado e os Leleks” pode até ter sonhado com fama e sucesso, mas provavelmente não imaginou que teria seu hit embalando a trilha sonora do novo comercial da Mercedes-Benz. No começo desse mês, a marca alemã divulgou um vídeo lançando seu novo Classe A ao som do “Passinho do Volante”, música que marcou o carnaval carioca. Se aproveitando do refrão “Ah, lelek lek lek/ Girando, girando, girando pra um lado/ Girando, girando, girando pro outro”, o vídeo mostra o carro fazendo manobras com a letra A em destaque.
Se a intenção da Mercedes era fazer barulho, conseguiu: o comercial já ultrapassou dois milhões de visitas no youtube. O público está razoavelmente dividido entre os que gostaram e os que não aprovaram a iniciativa da marca: até agora, 11.503 pessoas clicaram em “gostei”, enquanto 8.317 clicaram em “não gostei. Muitos usuários acreditam que a propaganda foi de mau gosto e que a música não condiz com o carro, além de prejudicar a imagem da empresa. Um fã da BMW chegou a criar um vídeo que mostra um carro da marca ao som de Led Zeppelin. Ao final, a pergunta: “O que você esperava? Um funk?”. Mas outras pessoas acreditam que o comercial mostra a imagem do Brasil e a consideram uma boa jogada de marketing que alcançou muitas pessoas em pouco tempo.
Bruno D’Angelo, diretor de criação da agênciaAdbat/Tesla e do comercial, afirmou que já esperava pela polêmica. Para ele, o vídeo fala sobre conquista. Ele exemplifica falando sobre atletas como Neymar e Anderson Silva, que comemoram suas vitórias dançando o “Passinho do Volante”. Marcel Dellabarba, gerente de comunicação da marca, disse que o comercial foi feito com o objetivo de se tornar um viral na internet para atrair a curiosidade dos consumidores. Ele também afirmou que a estratégia é rejuvenescer a imagem da Mercedes usando bom humor e ousadia.
A marca alemã não foi a primeira a usar funk em seu comercial. Kuat, Dell e C&A já haviam usado a mesma tática na tentativa de entreter seus consumidores. E isso se deve ao momento econômico pelo qual o Brasil está passando: o de ascensão da classe C. Ao utilizarem ícones da cultura popular, as marcas conseguem chamar a atenção desse novo público e garantem novos consumidores.
Segundo dados do IBGE, em 2011, 27 milhões de pessoas passaram das classes D e E para a C, transformando esta na maior classe social, com 54% da população. Com base em dados sobre renda, metade dessas famílias seria moradora de favelas. O levantamento Observador Brasil indica que a capacidade de consumo do brasileiro aumentou: na classe C, a renda disponível cresceu 50%, e a renda média familiar, 8%.
Em entrevista à revista Exame, o sócio-sênior da GS&MD – Gouvêa de Souza (empresa especialista em varejo, marketing e distribuição), Alexandre Horta, afirmou que essa classe passou a priorizar as marcas de sua preferência na hora da compra. Portanto, estas devem saber dialogar com seu público e trazer referências de suas raízes para conquista-los e fidelizá-los. Horta explica: “No passado, o aumento da renda fazia com que essas pessoas assumissem padrões que não eram de sua classe. Um exemplo claro é daqueles que ‘enricavam’ e para mostrar status, saíam de seus bairros. Hoje, além do consumidor ficar na periferia, ele faz questão de lembrar suas raízes e usar suas referências”.

Novo comercial da Mercedes gerou polêmica

Do Cristo para a laje

Renata Pessôa


Os turistas que chegam ao Rio gostam de conferir de perto todas as belezas naturais da cidade. Mas agora os destinos procurados não são apenas os tradicionais, como o Pão de Açúcar ou o Corcovado, e sim as favelas da cidade. Desde que o governo implantou o sistema de Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) nas comunidades, passeios pelo morro Santa Marta ou pela Rocinha são cada vez mais comuns entre os visitantes que desembarcam no Rio, principalmente os que vêm de fora do país. Dos estrangeiros que desembarcam no Galeão, 51,3% têm interesse em conhecer favelas, procurando uma perspectiva diferente sobre a realidade da cidade, segundo uma pesquisa feita pela FGV.

A ideia começou devagar, mas o site Viva Favela afirma que hoje cerca de 20 estrangeiros participam diariamente do tour no morro Santa Marta, primeira comunidade a receber, em 2008, uma UPP. De lá para cá, 32 favelas já foram pacificadas, beneficiando 1,5 milhão de pessoas e incentivando esse tipo de turismo.

No Dona Marta, entre os atrativos turísticos estão o Plano Inclinado - elevador que percorre toda a extensão da favela - e a Laje Michael Jackson, onde, em 1996, o cantor gravou o clipe de “They don’t care about us” com o grupo Olodum. Os estrangeiros se impressionam com o tamanho da comunidade, se encantam com a vista privilegiada, e de quebra ainda recebem a hospitalidade da maioria dos moradores, que já se acostumaram com a rotina de receber visitantes nas favelas.

Alguns ainda olham com desconfiança e por vezes se incomodam com a falta de privacidade, já que os novos turistas gostam de tirar fotos de tudo e todos. Mas, como mostra a pesquisa da FGV, o objetivo dos estrangeiros é conhecer um estilo de vida diferente. Quase 40% afirma que a visita superou as expectativas e destaca como motivo para isso a arquitetura do local, a vista da cidade, e o conhecimento de projetos sociais. Os visitantes estrangeiros recusam, assim, a ideia de que as agências que promovem o turismo em favelas estariam lucrando com a miséria da população.

Alguns estrangeiros se apaixonam tanto pelas comunidades que resolvem voltar – mas para ficar. É o caso dos franceses Benjamin Cano e Louis Planès. Os dois encontraram na ladeira Saint Roman, principal acesso à favela do Cantagalo, uma oportunidade de abrir um hotel butique: a Casa Mosquito. Benjamin explica que a gentileza dos moradores, a cultura do povo e o clima da cidade fizeram os dois investir no local. Hoje, a Casa Mosquito recebe 90% de turistas estrangeiros e tem como lema “Viva um Rio de verdade”. E Benjamin afirma: “Não existe um local como o Rio em lugar nenhum do mundo”.