Rafael Caetano
O mercado brasileiro de arte está na contramão do mercado mundial, que encolheu 7% no ano passado. As vendas no Brasil são de R$ 1.190 bilhões, ou seja, 1% do mercado de arte internacional, em expansão conforme indica o relatório anual do mercado de arte mundial patrocinado pela The Fair Defines Excellence in Art (TEFAF). O volume de negócios dos galeristas brasileiros cresceram 44%. O que faz do Brasil o maior exportador de arte do América Latina e também um dos mais citados quando se fala de economia das trocas simbólica.
Os números da última feira Art Rio mostram isso. Com um faturamento de R$ 150 milhões- o que equivale a um crescimento de 25% em relação à última edição- A exposição atraiu galerias conceituadas mundialmente, como a Gagosian que reuniu 80 obras estimadas num valor de R$ 15 milhões.
A pergunta sobre como objetos de arte ganham valor simbólico ao ponto de serem vendidos por quantias exorbitantes e configurarem um mercado em crescimento levou o professor do departamento de antropologia da PUC-Rio, Roberto da Veiga, em sua pesquisa, buscar explicar a relação entre consumo e mercado de arte. Segundo ele, há um complexo conjunto de relações de aliança e rivalidade que modela, reproduz e transforma o mercado de arte. O leilão de arte funciona, assim, como uma instância pública de valorização ou desvalorização da autenticidade da obra e de legitimação social.
É nas feiras de arte e nos grandes leilões que se pode sentir os números das pesquisas e as reflexões acadêmicas sobre o tema. Recentemente, a artista carioca Rosângela Rennó realizou uma séria de trabalhos a partir de objetos baratos, relacionados ao universo do fotógrafo coletados em bazares e lojas de caco velho. O valor bruto arrecadado com as obras vendidas pelo leiloeiro Aloisio Cravo- foi de R$ 666 mil.