O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Os caminhos da bicicleta no Rio

Rodrigo Belga

As bicicletas caíram no gosto dos cariocas e chamaram a atenção da prefeitura do Rio. Porém, ao mesmo tempo em que a política de incentivo a uma alternativa sustentável é elogiada, o modelo de gestão da malha cicloviária, a maior da América Latina, é alvo de críticas. O projeto de aluguel “Bike Rio” já somou mais de 1 milhão de viagens desde a criação da iniciativa em 2011, resultado de parceria com um banco privado. O investimento público também impressiona: apenas nos quatro primeiros meses de 2013, os recursos com implantação e revitalização de ciclovias ultrapassaram R$ 4,5 milhões. A execução orçamentária está no Diário Oficial desta quinta-feira, 9 de maio.

Divulgação
O programa “Rio, Capital da Bicicleta”, da Secretaria municipal de Meio-ambiente, pretende implantar 450 km de ciclovias até 2016. Até o fim do ano, a meta, anunciada no Planejamento Estratégico 2013, é ampliar dos atuais 300 para 330 km das pistas destinadas aos ciclistas. Os recursos públicos estimados para o projeto chegam à casa de R$ 140 milhões até o ano dos Jogos Olímpicos.

No entanto, o número de bicicletários do serviço “Bike Rio” estacionou em 60. A promessa da prefeitura, divulgada ano passado, durante a conferência Rio+20, era instalar mais 240 estações até o fim de 2012. Agora, a previsão é que mais 100 equipamentos sejam implantados até dezembro e, em 2016, a cidade alcance a marca de 1.000 bicicletários.

A expansão do programa da prefeitura foi criticada numa tese de doutorado em Geografia da PUC-Rio. Em “Embaralhando As Pernas”, o pesquisador Gustavo Lopes defendeu que a ideia de vender o Rio como “capital da bicicleta” já foi usada pela gestão anterior, mas foi transformada num “projeto midiático” pelo governo atual. A pintura de uma faixa compartilhada em cima da calçada proíbe a passagem da bicicleta pela via principal, como prevê o Código Brasileiro de Trânsito. Por outro lado, a ciclovia também prejudica o pedestre, que passa a ser ameaçado na calçada pelas bicicletas em movimento.

Lopes também criticou o modelo de bicicletários da cidade em parceria com a iniciativa privada, ao apontar que a aplicação dos recursos públicos acaba seguindo a lógica da empresa que administra o sistema. Sem mencionar o projeto “Bike Rio”, o pesquisador argumentou que as estações são posicionadas de modo a aumentar a visibilidade da marca e não a atender melhor os moradores. De fato, a análise de 2010, ano de publicação da tese, segue atual: o “Bike Rio” só conta com equipamentos na Zona Sul da cidade.