O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Caso de estupro leva vítimas a fazer mais denúncias

Karina Valente

Os últimos casos de estupro no Rio de Janeiro, além de ganharem repercussão mundial, levaram a um aumento do número de denúncias desse tipo de crime. Depois da divulgação na imprensa do episódio em que um casal de jovens turistas foi sequestrado, tendo a mulher sido estuprada pelos criminosos dentro de uma van, outra vítima relatou um crime semelhante para a polícia.

Segundo os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o número de estupros na capital cresceu 23% em fevereiro de 2013 em comparação com o mesmo mês de 2010. Já no estado, o aumento foi de 27% na análise do mesmo período.

Em entrevista para a BBC Brasil, Andréia Soares, analista criminal do Instituto, ressaltou que esses dados podem estar relacionados a quantidade elevada de pessoas que denunciaram. Embora tenha sido registrado um crescimento no número de casos, não significa um aumento real desse tipo de crime.

Segundo ela, geralmente a vítima conhece o autor do estupro e isso acaba trazendo o medo de fazer a denúncia por ser uma pessoa próxima. Entretanto, a analista afirmou que as pessoas têm mudado essa atitude.

Com base nessa mudança de comportamento, Ignácio Cano, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), afirmou ao portal de notícias UOL que o número está aumentando porque as pessoas estão menos envergonhadas de fazer a denúncia.

A repercussão do caso dos turistas na mídia levou outra vítima a denunciar o suspeito. Após reconhecer o homem que tentou estuprá-la em uma van e a segurou para que outro homem a estuprasse, a jovem de 18 anos foi até a Delegacia Especial de Apoio ao Turista (DEAT) prestar queixa da violência que até então estava guardada em segredo. Ao portal de notícias G1, a jovem relatou que não procurou ninguém, pois estava com vergonha e temia pelos pais.

Por causa desses acontecimentos, a Embaixada da França divulgou um anúncio aos franceses que pretendem visitar o Brasil recomendando que não utilizassem transporte público, em especial as vans, durante a noite e que optasse pelo uso de táxi.

Já a imprensa internacional destacou o caso lembrando que a cidade vai receber grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, e consequentemente um grande número de turistas. O site da TV americana CNN e o jornal britânico The Guardian evidenciaram a preocupação com a segurança da cidade. O jornal também britânico Daily Mail destacou o medo da violência pelos turistas que vão visitar a cidade nos próximos anos.

Em mau momento da moda no país, Rio se destaca

Luiza Mussnich 

Divulgação


O estado do Rio de Janeiro teve aumento de 127% nos últimos dez anos em exportações no setor de moda e superou a média brasileira em 38%. São Paulo e Santa Catarina, principais exportadores do ramo no país, tiveram queda de 42% e 60%, respectivamente, pelo mesmo período.

O vigésimo terceiro Fashion Rio terminou nesta sexta-feira, 19 de abril, depois de apresentar as coleções de primavera/verão 2014 de 25 marcas brasileiras na Marina da Glória.

Além de legítimas marcas cariocas, como Lenny, Salinas, Andrea Marques e Ausländer, o encontro contou com a participação da paulista Iódice, que deixou de desfilar no São Paulo Fashion Week (SPFW) este ano. A migração da marca é um reflexo do cenário pessimista da moda brasileira, que teve queda em 48% de exportação nos últimos dez anos. 

A especialista em comércio exterior, Claudia Teixeira dos Santos, argumenta que a criatividade e design são fatores determinantes para o crescimento da moda carioca.

Segundo a organização do Fashion Rio, 70 mil pessoas estiveram presentes ao longo dos cinco dias do evento, que teve investimento de 12 milhões de reais, gerou oito mil empregos diretos e indiretos e sofreu mudança no calendário por conta dos eventos esportivos que o país vai sediar, pois eles coincidiriam com as datas do calendário de moda.

Sem saída para as vans

Rodrigo Belga

A proibição das vans na Zona Sul do Rio colocou em evidência, na última semana, a política da prefeitura de reorganização do transporte complementar, anunciada em dezembro do ano passado. Sob o comando do delegado Claudio Ferraz, a Coordenadoria Especial, criada em fevereiro, pôs em prática o decreto do prefeito Eduardo Paes, publicado na quinta-feira, dia 11 de abril, que impede a circulação de vans, kombis e micro-ônibus em 13 bairros da cidade. Apenas duas linhas, que ligam o Parque da Cidade à Gávea e a São Conrado, foram autorizadas a continuar funcionando. A licitação para o setor está prevista para ser concluída no início de maio.

A próxima medida é a proibição dos veículos no Centro, mas ainda sem previsão. Desde março, quando a Coordenadoria começou a coibir a circulação das vans piratas, estimadas em seis mil, mais de 700 carros foram apreendidos e levados para depósitos do Departamento de Transporte Rodoviário (Detro). Na última quinta-feira, dia 18 de abril, fiscais da prefeitura descobriram um esquema de motoristas para burlar a proibição na Zona Sul. Passageiros em pontos de ônibus eram convidados por homens à paisana a embarcar em vans descaracterizadas na rua Cupertino Durão, no Leblon. O veículo foi rebocado, e o motorista perdeu a permissão, além de ser autuado por exercício ilegal da profissão.

O sindicato da categoria, Sindvans Rio, defende que o decreto municipal está na contramão do sistema de transportes e busca criminalizar os trabalhadores legalizados. Em vídeo publicado no Youtube, o diretor jurídico da entidade, Adilson Honório da Silva, afirmou que a medida “deixou mais de 100.000 passageiros a pé da noite para o dia e teve reflexos em todo o corredor viário, da Zona Oeste ao Centro”. O sindicato vai tentar derrubar o decreto com ação na Justiça para sustar os efeitos da decisão, além de procurar o Ministério Público para instaurar um inquérito civil e buscar apoio na Câmara dos Vereadores. No decreto, o prefeito argumenta que a suspensão das vans faz parte de um conjunto de ações integradas e previamente planejadas, com o dever de reordenamento e racionalização, para que cada modal cumpra sua função na rede de transportes.

De acordo com um levantamento da prefeitura, as vans atendem cerca de 1,8 milhão de passageiros na cidade, atrás apenas dos ônibus. A licitação em andamento distribuirá os veículos em oitenta linhas. O transporte complementar deverá circular 24 horas em todos os dias da semana, aceitar o bilhete único e será monitorado via satélite. As vans serão identificadas por cores de acordo com a região. Ao todo, haverá mais de 3.500 licenças válidas por dez anos, 40% a menos do número atual de vans.

E o passado como fica?

Igor Ricardo

O título de “Cidade Olímpica” impôs ao Rio de Janeiro a tarefa de se reestruturar para atender as demandas impostas pelo megaevento internacional. Novos corredores expressos, estádios, áreas de hospedagem e habitações estão sendo construídos com essa finalidade. Ao mesmo tempo em que o município busca a modernização de sua infraestrutura, os órgãos executivos lidam com a necessidade de garantir a manutenção dos espaços históricos existentes na capital. De acordo com a Subsecretaria de Patrimônio Cultural, são 2.097 imóveis tombados e 9.098 preservados na cidade.

Por causa das obras do projeto Porto Maravilha, na Zona Portuária, o Centro é o local que deve concentrar maior atenção das autoridades, já que quase a metade dos bens culturais está situada no espaço. Nos próximos quatro anos, a região receberá a instalação de modernas construções, baseadas em um conceito sustentável e com paredões espelhados. Essa arquitetura difere dos edifícios já instalados por lá. Um exemplo é o edifício A Noite, tombado no início do mês pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) . O prédio é referência da art déco carioca, lembrada por suas linhas geométricas, e é considerado o primeiro arranha-céu da América Latina.

O edifício passa por uma reforma e deve abrigar um museu voltado à preservação da história da Rádio Nacional. A obra também faz parte da iniciativa de revitalizar a Zona Portuária e tem previsão de inauguração para o fim do ano. Construído em 1929, o prédio abrigou até outubro de 2012 as instalações da antiga emissora de rádio, que foi responsável por lançar importantes nomes da música brasileira, como Ari Barroso e Francisco Alves. Mas, enquanto algumas construções antigas são modernizadas e reintegradas à sociedade, outras sofrem para se manterem de pé.

A convivência entre o novo e o antigo não é unanimidade entre os urbanistas

Em entrevista para o jornal O Globo, o arquiteto Luiz Fernando Janot, professor e conselheiro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), o Rio de Janeiro erra ao investir em construções grandiosas, quadradas e extravagantes. Na opinião dele, esses projetos apresentam gosto duvidoso e são “espetaculosos”. Entretanto, há quem valorize os futuros imóveis porque funcionam como incentivo à expansão imobiliária na região do Porto. Para isso, um Termo de Compromisso já foi assinado entre a Prefeitura e o Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha, gerido pela Caixa Econômica Federal, com o objetivo de estabelecer regras na construção dos edifícios e de como eles serão aproveitados depois das Olimpíadas de 2016.

Em maio do ano passado, o governo do estado do Rio de Janeiro vendeu o terreno onde funciona o Quartel-General da Polícia Militar, no Centro, para a Petrobras por R$ 336 milhões. A expectativa é de que a empresa construa ali sua nova sede. E para que isso ocorra, o complexo instalado na região deve ser totalmente derrubado. A demolição está sendo duramente criticada por causa do valor histórico do imóvel, inaugurado em 1740. Um dos opositores da medida é o coronel da reserva Milton Corrêa da Costa. Em texto publicado no blog do jornalista Luis Nassif, o militar questiona se não seria melhor modernizar as instalações existentes, já que a justificativa da venda é esta. Além disso, outra preocupação é a preservação da capela de Nossa Senhora das Dores, que fica dentro do prédio. O santuário foi erguido no século XIX. Apesar dos questionamentos e do evidente valor histórico do QG da PM, o prédio nunca foi incluído na lista dos bens preservados ou tombados do município. Desde 2009, existe um projeto de lei na Câmara de Vereadores do Rio para tombar a área, porém a proposta nunca foi votada.

Outro caso polêmico é a remoção da Unidos da Tijuca do seu atual endereço, na Leopoldina, para dar lugar ao complexo corporativo do empresário Donald Trump. Fundada em 1931, a agremiação pode ficar sem teto por causa das intervenções de melhoria na Zona Portuária. O fato de ser a terceira escola de samba mais antiga do país não sensibilizou as autoridades municipais, que já aprovaram o projeto do bilionário americano. O empreendimento deve começar a ser erguido no segundo semestre deste ano. De acordo com o presidente da escola, Fernando Horta, a Prefeitura ofereceu dois terrenos para a construção da nova sede, um em Santa Teresa e outro na Tijuca, mas os locais indicados não atendem aos interesses comerciais da instituição. Até o momento, a escola de samba não sabe onde será sua nova sede.

O projeto Porto Maravilha foi lançado em 2009 com o objetivo de reestruturar e modernizar a área do Porto carioca. A iniciativa abrange uma região de 5 milhões de metros quadrados e vai atingir cerca de 22 mil moradores de seis bairros. A derrubada do Elevado do Perimetral e a transformação da Avenida Rodrigues Alves em uma via expressa são as metas mais ambiciosas do programa, orçado em mais de R$ 8 bilhões.

Vôlei é alternativa para fase ruim do futebol

Thiago Leal

O fechamento do Maracanã em 2010 afastou muitos cariocas dos estádios. O Engenhão, uma alternativa que não agradava aos torcedores, está interditado para correção de problemas estruturais. O resultado é o Campeonato Carioca com um público cada vez menor. No Rio de Janeiro, uma cidade com vocação para o esporte, o futebol - a grande paixão dos cariocas - está perdendo um pouco de espaço para o vôlei. Na final da última Superliga Masculina de Vôlei, realizada no Maracanãzinho, 11 mil pessoas – público superior à grande maioria dos jogos do Campeonato Carioca - assistiram a conquista do título do RJX, equipe carioca patrocinada pelo empresário Eike Batista.

O ginásio do Maracanãzinho tem capacidade para 12 mil pessoas, mas, em virtude das obras no entorno do Maracanã, ela foi reduzida para 11 mil. Já o Engenhão, palco dos clássicos durante a Taça Guanabara, dispõe de cerca de 40 mil lugares. O número de torcedores na final da Superliga foi maior do que, por exemplo, o clássico entre Botafogo e Fluminense, disputado num domingo, pela 3ª rodada do Campeonato Carioca. Segundo o site da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), eram 10.474 torcedores presentes no empate em 1 a 1. Um dia antes, outro clássico agitou o vôlei. RJX e Sesi, um dos maiores duelos e que contava com vários jogadores da seleção brasileira, foi assistido por 8.200 espectadores, conforme os dados da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Mais de 70% da capacidade total, portanto, foi usada.

Comparando apenas os jogos entre times grandes e pequenos do Rio, o maior público nesse tipo de confronto foi no jogo entre Flamengo e Quissamã, com 9.839. Os outros três clubes de maior expressão, entretanto, não conseguiram um público maior do que 7 mil torcedores.

Entre os motivos para essa aparente migração, o principal é a qualidade do time. O RJX montou uma forte equipe, que conta com estrelas da seleção, como o levantador Bruninho, o meio de rede Lucão e o ponteiro Thiago Alves, além do campeão olímpico Dante. O conforto e a interatividade também são pontos positivos nos jogos de vôlei. O público não enfrenta os tradicionais transtornos das partidas de futebol, como ruas engarrafadas e lentidão na fila. O público do vôlei é ainda entretido com música, animadores de torcida e brincadeiras durante os intervalos.

Dengue causa menos mortes em 2013

Maria Clara Faria Lima

O número de casos de dengue no Estado do Rio de Janeiro cresceu 35% este ano em comparação com 2012. Apesar do aumento, o número de mortes caiu 32% pela redução de incidências graves da doença. Segundo o Ministério da Saúde, a tendência é resultado das ações em conjunto com os estados e municípios. Desde o início do ano, foram notificadas 15 mortes e 123.121 casos de dengue de acordo com o relatório da Secretaria do Estado de Saúde (SES).

Para atender a epidemia que atinge 37 municípios, a secretaria fez uma parceria junto às prefeituras e organizou 64 postos de hidratação em 43 cidades do estado. As regiões da Baixada Litorânea e Médio Paraíba receberam 11 centros de atendimento, enquanto que o Noroeste do Rio de Janeiro recebeu dez postos cada uma. As demais regiões receberam menos unidades.

A Campanha Nacional de Combate à Dengue desta temporada começou no final de 2012 e o slogan é “Dengue é fácil combater, só não pode esquecer”. O objetivo inicial era mobilizar a população a prevenir a proliferação do mosquito. Desde janeiro, então, o foco passou a ser sinalizar e conscientizar a sociedade com relação aos sintomas e como lidar em casos de suspeita da doença.

O Ministério da Saúde repassou, nos últimos meses do ano passado, R$ 173,3 milhões aos municípios do país para a prevenção e controle da doença. Além disso, foi realizado um apoio técnico às secretarias estaduais para a realização de planos de contingência, compra de soro fisiológico, sais de reidratação oral e ainda um estoque de inseticidas e larvicidas. No Rio de Janeiro, a secretaria promoveu na Campanha 10 Minutos Contra a Dengue, que estimula a população gastar dez minutos por semana para verificar se existe qualquer foco do mosquito em casa.

Além disso, um projeto novo foi implantado através da distribuição de dez mil smartphones aos municípios, para obter, em tempo real, a transmissão dos dados sobre a doença. A ideia é que as cidades possam acompanhar o trabalho dos agentes de endemia na busca por focos do mosquito.

Outro resultado do MonitoraDengue será o envio, a partir de maio, de SMS da secretaria para a marcação de exames, confirmação de consultas e ainda retirada de remédios na Farmácia Estadual de Medicamentos Especializados (RioFarmes).

As principais causas do aumento de pessoas infectadas são, principalmente, o acúmulo de lixo nas ruas e aos temporais recorrentes nesta época do ano na região sudeste. O mosquito deposita os ovos no ambiente seco e, após as chuvas, os outros Aedes aegypti nascem devido ao acúmulo de água no local. Como medida preventiva, a Comlurb estuda uma providência bem mais simples: a instalação de suportes para que o lixo fique suspenso em uma plataforma de ferro e não mais no chão.

O Rio em capítulos

Mariana Broitman
As curvas do Rio de Janeiro inspiraram Tom Jobim. As cores e o clima atraíram centenas de cineastas. Na literatura, não foi diferente. Relembrando o Rio em texto, a cidade já brilhava aos olhos de Aluísio Azevedo em 1890 com seu épico “O Cortiço”. Em 1908, era a vez de João do Rio captar a “Alma encantadora das Ruas” em um trabalho eternizado por cada vírgula. As crônicas do "flaneur" mais famoso da história da cidade fizeram toda uma geração entender que, definitivamente, nunca seríamos Paris. Uma série de clássicos nasceram do cenário, da ficção com alta dose de realidade de Nelson Rodrigues nos anos 1960 às reflexões de Zuenir Ventura em 1994 em sua “Cidade Partida” pré-pacificação.

Então é 2013. Um tempo sem tanta poesia e muito menos ficção. A cidade acontece bem diante dos olhos dos quase 16 milhões de cariocas. As cores e o clima atraíram gente do mundo todo e o cinema continua atrás do Rio – agora animado e em 3D. Hoje parece impossível dar conta de tudo que a cidade oferece. Coincidentemente, uma enxurrada de guias e roteiros nasce de um senso que parece ser comum entre as editoras: um Rio em capítulos.

O cineasta Sergio Bloch se aventurou e lançou o seu “Guia carioca de gastronomia de rua”, ou, “Street gastronomy carioca guide”, como é mundialmente conhecido. Reuniu botecos e opções bem simples com a cara do Rio. O trabalho de 2010 rendeu frutos e no ano seguinte ganhou atualização. Na hora de lançar a terceira edição, Bloch inovou com o “Guia Gastronômico das Favelas do Rio”. No momento pós-pacificação que as principais comunidades da cidade vivem hoje, o livro caiu como uma luva e é destaque pelas livrarias. De quebra, produziu um documentário que acompanha o livro. Na mesma linha, Augusto Carazza lançou esse ano o “Guia de Feijoadas das Escolas de Samba do Rio de Janeiro”. Mapeou cada feijoada, endereço e ainda incluiu receitas e dicas cheias de história, direto da ala das baianas do Carnaval Carioca, de onde saem as grandes chefs.

Fora do eixo gastronômico, os guias não param. E quem precisa de Paris? O Rio também ganhou uma rota fashionista. Os brechós mais cariocas, e mais tarde os ateliês, foram listados pela editora Memória Visual. Separados por bairro, revelam verdadeiros tesouros, sob a curadoria da designer Manuela Borges e da jornalista Marina Ivo. O guia de Brechós de Manuela nasceu quando ainda cursava moda na PUC-Rio, o que explica o quão detalhado é o livro. Anexo a cada um dos 62 endereços, estão dicas do que procurar e algumas experiências da autora com o lugar.

O verão de 2013 inspirou a equipe do site de tendências Rio&etc, que com apoio da editora Casa da Palavra lançou o guia “A Carioca”. Os editores do site, Renata Abranches e Tiago Petrik descrevem a rotina de uma carioca da gema - de um lado, "mulherzinha”, e de outro, apaixonada pela cidade. De dicas de achados pelo Centro à SPAs de beleza secretos, passando pelas pistas de dança e casas de shows mais badaladas do Rio, o guia fala com uma carioca “descolada”.

Outra novidade esse ano é uma versão mirim da "Agenda Carioca". A jornalista e autora Antonia Leite Barbosa se prepara para lançar a sua “Agendinha Carioca”. A versão-mãe já tem três edições e reúne dicas de serviços e programações comentadas minunciosamente. A versão "tal filha" não deixa por menos. Com carinha de moleskine e arte da designer Mariana Nahoun, o livro promete suprir a carência por guias infantis com o mesmo carisma da versão original. Fornecedores, serviços, cursos e dicas estão catalogadas por lá.

Se alguém tinha alguma dúvida que Rio é a bola da vez, pode esquecer. Na lista do que faltava, assim como Londres, Nova York e Paris, a cidade já tem uma biblioteca de guias e roteiros para chamar de sua.  



Projeto de lei beneficia BNDES


Ana Luiza Carvalho

O projeto de construção de um novo prédio no centro histórico do Rio de Janeiro está dividindo opiniões. Isso porque o futuro edifício do BNDES será construído no Morro Santo Antônio, que faz parte do Corredor Cultural do Centro, local de preservação histórica da cidade. De acordo com a lei de 16 de dezembro de 1987, qualquer edifício construído na área não pode ultrapassar quatro pavimentos. É ai que surge o problema. O BNDES não tem interesse em construir um prédio de apenas 12,5 m e solicitou ao Prefeito Eduardo Paes uma lei especial que se aplicasse somente àquele terreno que pertence ao banco. O objetivo do banco é construir um prédio de até 14 andares.

Pedido feito e atendido. O prefeito encaminhou e foi aprovado pela câmara por 35 votos a 5 o projeto de lei Nº 31/2009 que dá ao banco (somente ao banco) o direito de construir no local um prédio quatro vezes maior do que aquele previsto pela lei original.

No projeto de lei complementar, o Prefeito diz que objetivo é atender o desejo do banco garantindo as suas demandas de espaço. Além disso, Eduardo Paes justifica que a ideia com o projeto é “ocupar vazios urbanos da área central” e “valorizar o patrimônio cultural preservado do entorno”.

Justificativa essa bem contrária a opinião da ex-vereadora do Rio, Sônia Rabello, que acredita que o futuro prédio "irá empachar a visibilidade lateral do que restou do morro Santo Antônio." Durante seu mandato, Sônia, eleita pelo partido Verde, atuou no planejamento urbano da cidade. A partir dessa experiência, ela avalia que o privilégio concedido ao banco "é um desrespeito e uma agressão ao princípio da isonomia urbanística, e ao plano diretor da cidade, que prevê que as leis devem ser gerais!". Mais do que isso, o projeto fere o princípio de igualdade de todos perante a lei.

O edifício, na opinião de Sônia, vai ameaçar a vista e a arquitetura do Convento de Santo Antônio, símbolo cultural do Rio, que fica ao lado do terreno do futuro prédio. O Corredor Cultural é uma área destinada à preservação e revitalização de prédios históricos do centro levando em consideração elementos ambientais que representam valores culturais, históricos e arquitetônicos. A área foi determinada pela lei 506-84 de 1983 e abrange a Lapa, Cinelândia, Carioca, Passeio Público, Praça Tiradentes, Largo São Francisco, Saara e Praça XV.