O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sem saída para as vans

Rodrigo Belga

A proibição das vans na Zona Sul do Rio colocou em evidência, na última semana, a política da prefeitura de reorganização do transporte complementar, anunciada em dezembro do ano passado. Sob o comando do delegado Claudio Ferraz, a Coordenadoria Especial, criada em fevereiro, pôs em prática o decreto do prefeito Eduardo Paes, publicado na quinta-feira, dia 11 de abril, que impede a circulação de vans, kombis e micro-ônibus em 13 bairros da cidade. Apenas duas linhas, que ligam o Parque da Cidade à Gávea e a São Conrado, foram autorizadas a continuar funcionando. A licitação para o setor está prevista para ser concluída no início de maio.

A próxima medida é a proibição dos veículos no Centro, mas ainda sem previsão. Desde março, quando a Coordenadoria começou a coibir a circulação das vans piratas, estimadas em seis mil, mais de 700 carros foram apreendidos e levados para depósitos do Departamento de Transporte Rodoviário (Detro). Na última quinta-feira, dia 18 de abril, fiscais da prefeitura descobriram um esquema de motoristas para burlar a proibição na Zona Sul. Passageiros em pontos de ônibus eram convidados por homens à paisana a embarcar em vans descaracterizadas na rua Cupertino Durão, no Leblon. O veículo foi rebocado, e o motorista perdeu a permissão, além de ser autuado por exercício ilegal da profissão.

O sindicato da categoria, Sindvans Rio, defende que o decreto municipal está na contramão do sistema de transportes e busca criminalizar os trabalhadores legalizados. Em vídeo publicado no Youtube, o diretor jurídico da entidade, Adilson Honório da Silva, afirmou que a medida “deixou mais de 100.000 passageiros a pé da noite para o dia e teve reflexos em todo o corredor viário, da Zona Oeste ao Centro”. O sindicato vai tentar derrubar o decreto com ação na Justiça para sustar os efeitos da decisão, além de procurar o Ministério Público para instaurar um inquérito civil e buscar apoio na Câmara dos Vereadores. No decreto, o prefeito argumenta que a suspensão das vans faz parte de um conjunto de ações integradas e previamente planejadas, com o dever de reordenamento e racionalização, para que cada modal cumpra sua função na rede de transportes.

De acordo com um levantamento da prefeitura, as vans atendem cerca de 1,8 milhão de passageiros na cidade, atrás apenas dos ônibus. A licitação em andamento distribuirá os veículos em oitenta linhas. O transporte complementar deverá circular 24 horas em todos os dias da semana, aceitar o bilhete único e será monitorado via satélite. As vans serão identificadas por cores de acordo com a região. Ao todo, haverá mais de 3.500 licenças válidas por dez anos, 40% a menos do número atual de vans.