O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Atentado nos EUA vira alerta para a segurança no Rio


Karina Valente     
       
Com o crescimento do número de turistas a caminho do Rio de Janeiro, aumenta a preocupação com a segurança da cidade. Em função dos grandes eventos, a polícia civil e militar vêm sendo treinadas para agir em ações de risco. O recente atentado na maratona de Boston, nos Estados Unidos, que deixou três mortos e mais de 200 feridos no dia 15 de abril, chamou a atenção para possíveis ataques em locais onde um grande número de pessoas esteja presente.

No começo de abril, policiais civis e militares e seguranças privados realizaram um treinamento na estação de metrô do Cantagalo, em Copacabana, onde houve uma simulação de um ataque suicida, evacuação dos vagões do metrô e uma ameaça de bomba. Esse tipo de treinamento é importante para preparar os agentes para garantir a normalidade, mesmo quando os locais estiverem cheios.

Além da simulação na estação de metrô, foi feito um treinamento para situações de risco em um ponto turístico importante e muito movimentado da cidade, o Corcovado. Policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), do Batalhão de Ações com Cães e o Grupamento Aeromóvel participaram do exercício.

Para atender a grande demanda nacional e internacional visando épocas como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mais de 220 profissionais já foram treinados no curso de Capacitação de Operações em Segurança de Grandes Eventos e Seguranças Turística (Cogest). Em abril, mais 63 agentes concluíram o curso, que foi desenvolvido pela Academia de Polícia Sylvio Terra (Acadepol).

Com 30 dias de aulas teóricas e práticas, a meta é treinar dois mil profissionais até 2016. Entre as disciplinas do curso estão Gestão de Conflitos, Gerenciamento de Multidões e Planejamento Estratégico. De acordo com o diretor do Centro de Estudos da Acadepol e coordenador do Cogest, Camilo Dornellas, a grade de disciplinas é diferente das outras capacitações e o profissional formado está preparado para atender turistas e torcedores.

Segundo o Ministério do Turismo, o Brasil registrou em 2012 um aumento de 4,5% de turistas em comparação com 2011. A pesquisa indicou também que o Rio aparece em primeiro lugar na lista dos destinos a lazer, recebendo um total de 1.164.187 turistas no ano passado.

Rio terá escola pública bilíngue no próximo ano


Patricia Cardoso

Pensando nos grandes eventos internacionais que a cidade irá sediar já a partir do próximo mês, o governo do Rio anunciou a criação de uma escola estadual bilíngue Português-Francês. O projeto é fruto de um convênio entre a Secretaria de Estado de Educação com a Académie de Créteil com a Embaixada da França e vai oferecer o ensino do idioma em tempo integral.

A unidade vai começar a funcionar no Méier a partir de fevereiro de 2014. Inicialmente, apenas três turmas do 1º ano participarão desse novo projeto de ensino. As disciplinas básicas do ensino médio terão atividades voltadas para o aprendizado de aspectos da cultura francesa. Conceitos de História, Ciências e Geografia, por exemplo, serão ensinados nas duas línguas. Todos os 102 alunos serão escolhidos através de um processo seletivo, assim como os docentes.

Serão selecionados professores de Língua Francesa e de outras disciplinas que tenham conhecimento básico do idioma. Em julho, eles passarão por um período em Besançon, na França, e até setembro serão realizados estágios integrados e de simulação com a Embaixada francesa. Além disso, serão realizadas reuniões semanais de planejamento pedagógico das atividades integradas, envolvendo todo o corpo docente.

De acordo com a Secretaria de Educação, o Colégio Estadual de Formação em Língua Francesa tem como objetivo formar alunos críticos e autônomos e com um bom conhecimento de uma segunda língua. Dessa forma, esses jovens poderão vir a ter um enriquecimento cultural e competências necessárias ao mundo globalizado.

A Secretaria também avalia implantar o mesmo modelo de ensino com o inglês, espanhol e mandarim. A parceria entre a prefeitura do Rio e a China foi fechada em 2012, mas ainda não tem uma data ou local definido para o início do funcionamento de uma escola bilíngue Português/Mandarim.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Nova York mostra que os benefícios do ensino bilíngue não é apenas estar adaptado ao mundo globalizado, mas também tornar as pessoas mais inteligentes. Segundo o estudo, o bilinguismo tem efeito benéfico no desenvolvimento cognitivo dos mais jovens e também dos adultos.

O ‘fermento populacional’ da Barra

Rodrigo Belga

A Barra da Tijuca é o bairro carioca com maior expectativa de crescimento populacional. Com base nos dados do Censo de 2000 e 2010, um estudo do IPP (Instituto Pereira Passos), da Prefeitura do Rio, apontou que o número de moradores da Barra vai aumentar 31% até 2020. A variação lidera a lista preparada pelo IPP, que indica expansão média de 30,9% na Zona Oeste da cidade, também composta pelos bairros de Jacarepaguá, Bangu, Gericinó, Padre Miguel, Santíssimo, Senador Câmara, Campo Grande, Cosmos, Inhoaíba, Senador Augusto Vasconcelos, Paciência, Santa Cruz, Guaratiba, Sepetiba, Campo dos Afonsos, Deodoro, Magalhães Bastos, Realengo, Mallet, Sulacap e Vila Militar. De acordo com as projeções, a região vai contar com mais de 400 mil moradores nos próximos sete anos.

O Plano Diretor do Rio, elaborado pela Câmara de Vereadores em 2011, já classificava a Barra da Tijuca e outros bairros próximos como áreas de ocupação condicionada. O documento afirma que a construção de prédios e de centros comerciais na região seria restringida de acordo com a capacidade das redes de infraestrutura, como luz e esgoto, com a necessidade de proteção ambiental e paisagística. A preocupação se justifica diante do histórico da Barra: segundo o IPP, o bairro, que tinha cerca de 170.000 habitantes em 2000, quase dobrou e registrou uma população de mais de 300.000 moradores em 2010.

Os sinais de modernidade, como as avenidas largas e a construção de shoppings, convivem com o agravamento do inchaço urbano. Os congestionamentos diários poderão melhorar com a chegada da linha 4 do metrô, que deverá ligar Ipanema ao Jardim Oceânico, sub-bairro da Barra, apenas em 2015. O sistema de esgoto também é deficiente, com 15% dos domicílios fora da rede coletora, de acordo com a Cedae. A Companhia prevê investir R$ 75 milhões para atingir 100% da cobertura até 2016, a tempo dos Jogos Olímpicos do Rio.

A pesquisa usou um método que calcula a tendência de variação baseado no algoritmo chamado de AiBi, o mesmo do IBGE nas estimativas de população. O instituto espera que, a partir das tendências registradas, órgãos municipais definam estratégias e políticas públicas para os próximos anos. A Secretaria Municipal de Educação anunciou que pretende coordenar a construção de novas unidades escolares e a criação de novas vagas, mas a Prefeitura do Rio inaugurou nos últimos três anos em toda a Zona Oeste apenas 23 Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs).

Ocupação para os jovens: o maior desafio das UPPs

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Igor Ricardo

A presença das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio de Janeiro virou referência para a solução dos problemas da segurança pública na cidade. Porém, mais do que isso, a pacificação trouxe o desafio de oferecer aos jovens das comunidades contempladas com o programa uma alternativa de vida para que não voltem ao tráfico de drogas. Quase metade dos jovens de 15 e 24 anos desses locais não está na escola, sendo a situação mais crítica na parcela de jovens que além de não estudarem também não trabalham. Na favela do Batam, na Zona Oeste, esse grupo chega a 37%, segundo apurou pesquisa feita em 2010 pelo Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade) em nove comunidades pacificadas.

Ações públicas e privadas já começam a aparecer nas áreas das UPPs. Um exemplo é o projeto Centros de Referência da Juventude (CRJs), criado pelo governo estadual para oferecer acompanhamento coletivo e individual aos jovens das comunidades já ocupadas. Inspirada em um modelo colombiano, a iniciativa conta com o apoio de US$ 100 milhões do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Os CRJs estão presentes hoje em dez favelas do Rio, como Complexo do Alemão e Morro da Providência, onde são oferecidas práticas esportivas e culturais, funcionando como atividades extracurriculares.

Outro programa é o UPP Social coordenado pela prefeitura e presente em mais de 20 comunidades. O foco é diagnosticar os problemas estruturais das favelas ocupadas e procurar resolvê-los. Além disso, há espaço para o desenvolvimento de projetos locais, geração de oportunidades educativas, de empregos e negócios para os moradores. A Polícia Militar também promove ações educativas com o objetivo de ensinar crianças e adolescentes a se comportarem diante de situações que possam levá-los a experimentar desde drogas lícitas, como o álcool e o tabaco, até as ilícitas. As atividades educacionais do Projeto Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), que já existe há 20 anos, são levadas para dentro das salas de aula dos estudantes do 5º ao 7º anos do ensino fundamental.

Taxa de escolaridade é baixa nas comunidades

Apesar da existência de iniciativas que contemplam a educação nas favelas, o nível de escolaridade dos jovens de 15 a 18 anos que moram nas áreas pacificadas é baixo. O estudo feito pelo IETS revelou que apenas 55% das pessoas dessa faixa etária frequentam a escola. O número contrasta com a média da Região Metropolitana do Rio, que tem 80% desses alunos dentro das salas de aula.

Para o autor do livro “Sorria, você está na Rocinha”, o jornalista Julio Ludemir, as UPPs só vão apresentar sucesso social se “olharem” os jovens das comunidades pacificadas de outra forma. Ele argumenta que na maior favela da Zona Sul há mais de três escolas públicas, além de creches, porém o entrave para o maior desenvolvimento educacional desses jovens está no tratamento aplicado pelos policiais. Segundo o autor, os agentes não os respeitam e até mesmo os desprezam.

Guia mostra estilo único da carioca

Alexandra Gurgel

Divulgação
Biquíni, rasteirinha, regata branca... Esses são alguns dos itens que criam o estilo único da carioca, seja qual for a tendência que ela siga ou o bairro em que ela more. Essas e outras 30 peças foram listadas por quem entende do assunto no livro "A Carioca - Guia de Estilo para Viver a Cidade Maravilhosa", escrito pelo casal Renata Abranchs e Tiago Petrik. 

No comando do site RioEtc desde 2007, os autores, inspirados no livro "A Parisiense" da designer francesa Inès de la Fressange, realizaram uma pesquisa com mais de 10 mil mulheres brasileiras para rechear a publicação com dicas para aquelas que buscam se tornar, de fato, “cariocas da gema” ou apenas almejam seguir esse jeitinho de levar a vida, visto mundialmente e de forma bem-humorada nos três curtas "Jeitinho Carioca", sucesso no Youtube em 2012

Renata e Tiago não apenas criam uma lista de “tem-que-ter” no guarda-roupa, como dedicam capítulos exclusivos a lugares básicos como a praia, descrevendo os pontos por grupos, e as famosas "nights", seja a mais arrumadinha na Zona Sul ou a mais descontraída na Lapa. Além disso, orientam os leitores com o que se deve levar na mala para um fim de semana em São Paulo ou em Itaipava. 

Para facilitar a vida de quem pretende sair às compras na cidade e aderir ao visual carioca, os autores apontam uma infinidade de brechós e lojas badaladas, mencionando marcas famosas como as das estilistas Lenny Niemeyer e Isabela Capeto. Além disso, Renata e Tiago não deixam de lado a obsessão com o corpo, típica da moradora do Rio, indicando uma lista de academias e espaços para ginástica. 

No decorrer da leitura, percebe-se que o que se tem nas mãos é uma bíblia de moda de rua para a mulher que vive no Rio ou para a que pretende adotar esse estilo. No entanto, não deixa de ser um manual de comportamento, que facilita descobrir se uma pessoa nasceu no Rio ou não: "Se você vir uma mulher de biquíni no calçadão, pode ter certeza: ela não é carioca", pois, segundo o livro, a verdadeira carioca só exibe o biquíni após pisar na areia. 

Nos capítulos finais, os autores desfiam os 10 mandamentos da carioca, como por exemplo: "Amar ao Rio sobre todas as coisas e ao mar como a si mesmo" e "Não matar a ida semanal ao salão nem o chopinho com a galera".


 Curta sucesso em 2012 "O Jeitinho Carioca"

Linha 4 do metrô não será testada para Copa


Caio Lima

Enquanto o Rio de Janeiro se prepara para receber grande quantidade de pessoas nos chamados eventos testes para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, a serem disputadas em 2014 e 2016, respectivamente, o metrô, uma das principais obras para a boa circulação dos turistas pela cidade não está pronto.

Neste ano, durante a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude, os turistas não terão a oportunidade de usufruir da expansão o metrô. Segundo o governo do Estado do Rio, a Linha 4 do metrô, que está sendo construída desde 2010 e ligará a Barra da Tijuca à estação General Osório (Linha 1), em Ipanema, ficará pronta somente em dezembro de 2015, já depois da realização do Mundial e a apenas seis meses das Olimpíadas. Durante os chamados eventos-teste e a Copa de 2014, somente as linhas já existentes estarão aptas para os usuários do metrô.

Além de não estar efetivamente pronto para ser testado para os grandes eventos, a ampliação do metrô pela Linha 4 tem sido constantemente criticada por parte da população.

O governo do Estado afirma no próprio site da Linha 4 que o projeto foi  “minuciosamente avaliado para atender ao maior número de passageiros e integrar mais áreas da cidade”, alegando que foram avaliadas 36 possibilidade de ligação entre a Barra da Tijuca e Ipanema “até os técnicos encontrarem o trajeto que melhor atendesse o usuário”.

Críticos do trajeto escolhido, o Comitê Popular da Copa eOlimpíadas do Rio de Janeiro, formado pela sociedade civil, criaram um dossiê na internet. No tópico “O metrô que o Rio precisa”, eles reivindicam o antigo traçado da Linha 4 do metrô, de 1998 e que ligava a Barra à Botafogo, através do Jardim Botânico e Humaitá.

“O Governo Estadual está fazendo o planejamento e construção do Metrô Linha 4 sem qualquer transparência, baseado em estudos que não são divulgados e tomando decisões arbitrárias com a justificativa de atender a demanda para os Jogos Olímpicos. A cidade do Rio de Janeiro quer um Metrô para os próximos 20 anos, e não apenas para 20 dias de jogos olímpicos. O Movimento propõe como solução mais eficaz em termos do INTERESSE PÚBLICO a implantação do conceito de rede, mantendo o traçado original da Linha 4”, diz um trecho do dossiê.




Rio tem projeto fotográfico via Instagram


Luana Laranjeira
Foto: Rio365

Você já ouviu falar na nova rede social chamada Instagram? Um aplicativo para compartilhar imagens. Ao fazer uma foto no seu celular, você escolhe um filtro especial para aquela fotografia e a publica vinculada à sua conta. O Instagram foi desenvolvido para conectar as pessoas por meio de imagens. Criado nos Estados Unidos, hoje é usado em todos os cantos do mundo. Uma pesquisa realizada pela ComScore, em agosto do ano passado, registrou a média de minutos gastos no aplicativo: 257, contra 170 do twitter.

“O bom do marketing digital é que você pode usá-lo de diversas formas. A internet é muito livre. Uma hora você trabalha assim, outra hora você trabalha diferente. O importante é que seja lá qual for sua publicação, ela seja vista com bons olhos”, disse o professor de marketing da PUC-Rio, Bernardo Mariani. E foi isso que André Galhardo, fotógrafo e diretor de arte, pensou ao criar o projeto @rio365. Com duração de um ano, ele selecionou uma equipe de sete profissionais para escolherem fotos sobre a cidade enviadas pelos usuários, que podem participar sem nenhum custo. Será um assunto por semana, totalizando 52 temas diferentes onde os melhores registros serão escolhidos pelos curadores. Ao término de cada missão, quem se sair melhor será mencionado e receberá prêmios. No fim do ano, o projeto deixa de ser virtual e vira um livro, com as 365 fotos dos melhores compartilhamentos.

De acordo com André Galhardo, o objetivo do projeto é registrar as mudanças da cidade, que vive um momento de transformações com a chegada das UPPs, a reurbanização para os grandes eventos, além do crescimento econômico. Os registros podem ser feitos pelos moradores da cidade ou todos que transitam e presenciam imagens singulares das ruas dos Rio. Os temas variam e abrangem arquitetura, pessoas, natureza, história, arte, locais e etc.. A equipe de curadores escolhida até agora conta com Anna Letícia Cohen (coordenadora do também perfil de fotos IgersRio), o artista plástico Raul Mourão, Sidney Garambone (jornalista), e o escritor Nelson Vasconcelos. Os outros curadores especiais ainda vão ser escolhidos.

O projeto é patrocinado pela Light e pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio além da Superintendência de Museus da cidade e os temas são divulgados com antecedência para que os fotógrafos amadores possam pensar nos melhores cliques. Para participar basta fotografar e taguear #Rio365_ARTE. A missão dessa semana é MUSEU.

Quem tiver interesse e quiser saber mais sobre o projeto:
Instagram: @rio365
Twitter: @rio365doc
Facebook: facebook.com/rio365doc



Novo Maracanã não serve para as Olimpíadas

Felipe Sbardella

As obras com custo de aproximadamente R$1 bilhão não foram suficientes para deixar o Maracanã pronto para as Olimpíadas de 2016, que serão sediadas no Rio de Janeiro. Apesar de o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos 2016 ter tratado areabertura do estádio como uma festa, ainda faltam 39 pontos a serem alteradospara que o Maraca atenda às exigências de ser usado nas Olimpíadas.

Entre essas alterações, estão no ofício do Comitê que os túneis de acesso não estão nos tamanhos adequados, a carga adicional da cobertura só suporta 81 toneladas, quando a necessidade é de 120, e faltam lugares no Maracanãzinho. O edital de licitação também é indesejado, visto que dentre as mudanças previstas pelo governo está a construção de prédios garagem e shoppings centers.

Além destas mudanças, a reinauguração no último sábado, em que os amigos do Ronaldo venceram os amigos do Bebeto por 8 a 5, teve pontos altos e baixos. O estádio ainda não está 100% pronto, mas a iluminação, o sistema de som e os telões funcionaram de forma esperada. Elevadores e banheiros causaram transtorno, assim como o trânsito. Isso por que apenas 27 mil pessoas acompanharam ao evento. A maioria formada por operários que participaram da obra do Maraca. Além disso, cambistas atuaram livremente fora vendendo ingressos – distribuídos para os funcionários e suas famílias ­- por até R$100.

Ainda assim, o comitê organizador considera o Maracanã como uma instalação sede para os jogos de futebol (masculino e feminino), festa de abertura e encerramento.


terça-feira, 30 de abril de 2013

Como os jovens podem mudar a Copa e o Brasil

Pedro Marcelino 
“Se está ruim desse jeito: Imagina na Copa.” Você já deve ter ouvido isso pelo menos uma vez. Seja para reclamar do trânsito, das enchentes, do lixo, da polícia, dos políticos e de uma infinidade de outras coisas. Mas e se ao invés de reclamar você resolvesse mudar o que está ao seu alcance? Com esse pensamento surgiu o movimento jovem Imagina na Copa. O empreendedorismo social e colaborativo é a base do projeto que nasceu de colaborações espontâneas em um site de crowdfunding (sites de financiamento colaborativo e coletivo).

O Imagina pretende percorrer todas as 12 cidades-sede da Copa promovendo oficinas com os jovens locais. O objetivo desses encontros, além de divulgar as ideias do projeto, é ajudar outras pessoas a começarem os seus próprios projetos, ou alavancar iniciativas já existentes. O intuito é tirar os projetos do papel e transformá-los em realidade.

A primeira missão foi de mobilizar os usuários a irem para os pontos de ônibus, onde não havia informação de que coletivos trafegavam neles, e colarem um adesivo mostrando “Que ônibus passa aqui”. As linhas de ônibus iam sido escritas pelos próprios passageiros. Essa iniciativa feita em parceria com o projeto porto alegrense Shoot the Shit e tinha a intenção de sinalizar os pontos das cidades e foi desenvolvida pelo Facebook, onde o Imagina na Copa tem uma página com mais de 15 mil seguidores. Após a ação a prefeitura de São Paulo desenvolveu um adesivo dizendo o itinerário das linhas em algumas paradas da cidade. A iniciativa dos gaúchos busca o engajamento da cidade para criar/financiar/executar ações para impactar a sociedade.

A segunda atividade que está sendo fomentada agora é a Leve este livro. Essa iniciativa tem a função de passar adiante um livro - que tenha sido importante para o leitor. O dono do livro precisa escrever uma dedicatória para a pessoa fictícia que vai achá-lo, contando o motivo de ele ter gostado da história. Junto com o livro deverá conter um marcador de página (disponível online) explicando a iniciativa. Essa missão está sendo realizada em conjunto com o projeto Simplicidades, que se define como incentivador do desenvolvimento urbano coletivo através de ideias criativas.

Durante a Copa cerca de 3,7 milhões de turistas (estrangeiros e brasileiros) passaram pelas 12 cidades-sede. Estimasse que o governo gaste R$ 80 bilhões em investimento nas reformas dos estádios somadas com as obras de acesso urbano para o evento.

Acidentes expõem riscos de andar de ônibus

Patricia Cardoso
Com os recentes acidentes envolvendo ônibus no Rio de Janeiro, a discussão sobre a qualidade do serviço prestado por esse meio de transporte público na cidade veio à tona. Só no mês de abril foram contabilizadas sete ocorrências graves, como a invasão de um posto de gasolina por um ônibus em Quintino, que atropelou quatro pessoas, incluindo um bebê de três meses. No último deles, um coletivo subiu na calçada, atingiu uma banca de jornal e só parou na portaria de um prédio em Ipanema, Zona Sul do Rio.

Essa série de acidentes começou no dia 2 de abril quando o ônibus da linha 328 (Castelo-Bananal) despencou do Viaduto Brigadeiro Trompowski na pista lateral da Avenida Brasil. Oito pessoas morreram e onze ficaram feridas, entre elas o motorista e o passageiro que o teria agredido. Segundo a polícia, os dois são os responsáveis pela queda do coletivo e vão responder por homicídio doloso, quando se assume o risco de matar.

Segundo o dossiê Trânsito 2012, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública, os acidentes que ocasionaram vítimas fatais ou não são em sua maioria categorizados por homicídio ou lesão corporal, o que diferencia do caso ocorrido no início do mês. Só em 2011 foram registrados 2.513 vítimas de homicídio culposo, um aumento de 4,7% comparado ao ano de 2010.

A partir dessa ocorrência, inúmeras queixas começaram a surgir. Motoristas e cobradores reclamam do salário, da enorme carga horária de trabalho, do estresse do trânsito e da estrutura dos coletivos. Segundo dados da Ouvidoria da Secretaria de Transportes, só em 2012 foram registradas 28.294 reclamações de passageiros. As mais frequentes foram não parar no ponto, comprometer a segurança, arrancar ou frear bruscamente e a superlotação.

Em paralelo a isso, as estatísticas dos Bombeiros só comprovam o perigo que funcionários e passageiros passam todos os dias. Nos últimos quatro anos, a média foi de quase dois acidentes com vítimas por semana envolvendo ônibus. Ainda de acordo com o dossiê Trânsito 2012, os meses de agosto e dezembro se destacam como períodos de pico de acidentes. Já os meses de março e novembro registram os menores percentuais com 7,7% e 7,9%, respectivamente.

A situação dos ônibus é caótica. A principal razão para isso é o próprio sistema de transporte vigente na cidade, em que os coletivos são responsáveis por transportar 70% da população. Não houve investimentos nos trens e metrô o que prejudica o tráfego na capital fluminense.

Visando melhorias no transporte público, o secretário de transportes, Carlos Roberto Osório, anunciou que irá apoiar o programa de qualificação de motoristas, realizado pelo Sest/Senat. Com a medida ele pretende reduzir o número de acidentes no trânsito e dar melhores condições de trabalho aos motoristas.

Quem anda pela cidade pode observar vários anúncios de empresas convocando motoristas para contratação imediata, mesmo sem qualquer tipo de experiência. Essa situação se evidencia ainda mais com a proibição de vans circularem na Zona Sul da cidade. Consequentemente houve um aumento da frota de ônibus, o que obriga um maior número de motoristas disponíveis.

Além disso, a fiscalização desse transporte na cidade é deficiente. Atualmente, apenas 40 pessoas são responsáveis por fiscalizar nove mil ônibus, 33 mil táxis e seis mil vans. Em vez de o número aumentar, ele foi reduzido nos últimos anos e de acordo com entrevista dado pelo prefeito Eduardo Paes ao jornal O Globo, não haverá uma ampliação no número de agentes. Ele acredita que o número de fiscais será sempre insuficiente e um aumento pode levar a mais corrupção.

Já o ex- secretário de Transportes, Miguel Bahury acredita que é necessário maior rigidez por parte da prefeitura e também das empresas de ônibus. Para ele, a Secretaria de Transportes deveria receber online informações sobre infrações e com isso poderia estabelecer medidas corretivas a tempo.

Em meio a todas essas críticas, o Prefeito Eduardo Paes anunciou que o reajuste da passagem nos coletivos irá aumentar em junho, mas que o novo índice ainda não está definido.

Transcarioca: uma única trilha para Rio de Janeiro


Vanessa Forton

Um trecho de 1,5km da trilha Transcarioca, que começa na Vila Militar de Copacabana e termina no Morro da Babilônia, no Leme, foi inaugurado pelo secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, e pelo diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Inea, André Ilha e o secretário Executivo do Mosaico Carioca, Celso Junius. Quando estiver completa, a trilha Transcarioca terá entre 160 a 220 km de extensão, partindo da Barra de Guaratiba e acabando no Morro da Urca. Nesse percurso, a trilha atravessará cinco parques municipais e os principais pontos turísticos naturais e históricos do Rio, com vistas raras até mesmo para os moradores. O objetivo do projeto é reunir pequenas trilhas já existentes na região, fazendo delas uma só trilha, e incluir ainda mais parques nacionais, formando assim um circuito para visitação principalmente de turistas, porém também para aqueles que querem sair do cotidiano e explorar um pouco a cidade onde vivem.

O projeto completo tem data de entrega prevista para a Copa de 2014, prevê ainda um plano de segurança especialmente para o percurso. Segundo Carlos Minc, os 180 quilômetros de natureza do percurso estarão sinalizados com informações sobre as árvores e os pássaros presentes na região. Ele diz também que tem o objetivo de inserir a trilha no circuito de educação ambiental das escolas. A fim de estimular o uso consciente das trilhas, a secretária promoveu ainda o Seminário Internacional de Trilhas de Longo Curso que teve como objetivo discutir o projeto, além de oficinas e visitas técnicas.

Em contra partida o diplomata Pedro Cunha de Menezes que visitou todo o trajeto, aponta sua preocupação para os trechos que se encontram em situação precária sendo usados para fins destrutivos à natureza. A caça de animais no Parque Estadual da Pedra Branca e o uso frequente de motocross e carros na região são exemplos dessa falta de interesse na preservação.

Trabalho voluntário reduz o custo de grandes eventos

Victor Machado

As competições esportivas de grande porte optam cada vez mais pelo uso de voluntários para colaborar com a organização dos eventos, uma maneira de poupar gastos com mão de obra remunerada. De acordo com o portal Brasil Voluntário, 40.065 pessoas se inscreveram para trabalhar de graça na Copa das Confederações de 2013, que ocorre entre os dias 15 e 30 de junho.

Apesar do grande número de registros, apenas sete mil candidatos serão escolhidos para fazer parte da equipe. Quem não for selecionado ainda terá a chance de participar da Copa do Mundo de 2014, que oferecerá mais 50 mil oportunidades de trabalho.

Segundo dados do Governo Federal, o número de vagas para a ocasião supera em mais de duas vezes a quantidade oferecida para os Jogos Pan-Americanos de 2007, sediados no Rio de Janeiro, que contaram com cerca de 20 mil voluntários do mundo inteiro. Mesmo com o significativo crescimento, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, fez um apelo para que as empresas liberem os funcionários por pelo menos um dia, de modo a alcançar a meta de um milhão de voluntários na Copa de 2014.

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) já lucrou mais R$1,2 bilhão com o uso de voluntários nos últimos cinco anos, pelas contas feitas pelo jornalista Cassio Zirpoli, colunista de Esportes do Diário de Pernambuco. Ele chega a esse número a partir de uma simulação do quanto a entidade gastaria se pagasse, por mês, um salário mínimo nacional para cada colaborador.

Com um processo seletivo paralelo ao do governo brasileiro, a Fifa divulgou que 130.919 candidatos se inscreveram para tentar uma chance nos dois próximos megaeventos esportivos do país. Além da Fifa, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) já oferece uma página online destinada ao cadastro de voluntários para as Olimpíadas de 2016, no Rio.

Nas obras do Maracanã, o entorno é o que preocupa

Gabriel Goulart Gonzalez

Quem anda pelo entorno do Maracanã se decepciona com o andamento das obras em volta do palco da final da Copa do Mundo no Brasil. Enquanto o estádio está com quase todas as obras concluídas, o lado de fora parece estar longe de ficar pronto. Apesar disso, a prefeitura garante que as reformas na região ficarão prontas no mês de maio, e estarão em plenas condições para a Copa das Confederações, que acontece entre os dias 15 e 30 de junho, e terá 3 jogos no Maracanã.

Trânsito na Rua Eurico Rabelo, dificuldade para pedestres que caminham pela região, problema de segurança na beira do Rio Joana, ruas fechadas, buracos e terra nas ruas. É o que enfrentam todos os dias moradores, estudantes da UERJ e transeuntes da região do entorno do Maracanã.

O Maracanã, que já tem um evento teste marcado para o dia 27 de abril em um jogo entre amigos do Ronaldo contra amigos do Bebeto, não está pronto para receber qualquer jogo de futebol. As bilheterias não estão prontas, não há iluminação na rampa de acesso da estação do Metrô Maracanã além da quantidade de reformas pendentes, como o recapeamento das ruas de acesso próximas ao estádio. São fatores que impedem, por exemplo, que a final do Campeonato Carioca seja disputada no Maracanã. Com a interdição do Engenhão, clubes cariocas manifestaram desejo de jogar a decisão do estadual no estádio, porém, a ideia foi descartada pelo governador Sérgio Cabral.

A revitalização no entorno do Maracanã foi iniciada em janeiro de 2012 pela Secretaria Municipal de Obras, visando os megaeventos que serão sediados pela cidade do Rio de Janeiro. O projeto prevê a criação de uma nova área de recreação, dois mil metros quadrados de pavimentação, 45 mil metros quadrados de paisagismo, instalação de iluminação em LED e adaptação do entorno para pessoas com mobilidade reduzida. A área que será urbanizada abrange a Radial Oeste, Avenida Maracanã, Rua Eurico Rabelo e Avenida Professor Manuel de Abreu, além de trecho da Rua Visconde de Niterói.

Distribuição desigual dos aparelhos culturais dificulta o acesso à cultura


Rafael Caetano 

O acesso à cultura é um direito garantido por lei. Está no artigo 215 da Constituição que prevê a facilitação pelo poder público nas esferas federais, estaduais e municipais. Na cidade do Rio de Janeiro, apenas 1,02% do orçamento municipal 2013, um total de R$ 240.764.728 foi destinado para a área como mostra a distribuição dos recursos da Prefeitura. Além de poucos recursos, a distribuição desigual dos aparelhos públicos culturais dificulta o exercício de um direito por parte dos cariocas.

A fim de medir as condições de acesso aos aparelhos públicos culturais – como teatro, parques, praças os professores Victor Andrade de Melo e Fabio de Faria Peres criaram o Indicador de Desenvolvimento e Acesso Cultural IDAC. O indicador consiste em dividir o número de equipamentos pelo número de moradores de uma determinada região. Segundo os pesquisadores, o cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de uma região administrativa também é medido pelo número de aparelhos culturais públicos ali existentes.

Os pesquisadores acreditam que um orçamento participativo pode amenizar em médio prazo essa desigualdade. Os professores integram o Grupo de Pesquisa Lazer e Minorias Sociais da UFRJ, e trabalham ainda com as questões referidas ao lazer, considerados como um fenômeno caracteristicamente urbano e também como um campo de lutas e espaço de tensões.

O Rio de Janeiro conta com 440 equipamentos culturais públicos, mas 23,3% das trinta RAs’s não têm nenhum equipamento como teatro, bibliotecas e centros culturais enquanto que a RA Botafogo e a RA Lagoa têm respectivamente 17,3% e 12,5%. Os números mostram como o acesso a cultura é dificultado devido a distribuição desigual dos aparelhos culturais públicos.

Rio atrai recorde de investimento até 2014


Rafael Medina

O Estado do Rio de Janeiro receberá investimentos recordes de R$ 211, 5 bilhões no período entre 2012 e 2014. Segundo o Decisão Rio, um estudo realizado desde 1995 pela Federação das Indústrias do Estado do Rio (FIRJAN), o volume total é composto por investimentos públicos e privados, de origem nacional e estrangeira, e 70,1 % (R$ 148,2 bilhões) correspondem a investimentos na indústria.

A indústria naval se destaca com 38% dos investimentos industriais, referentes à construção de embarcações, à construção do estaleiro da OSX no Complexo Portuário do Açu e à criação de um estaleiro para fabricação de submarinos da Marinha brasileira, em Itaguaí.

Os investimentos relacionados à Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016 somam R$ 17,9 bilhões. Serão investidos em infraestrutura e transporte R$ 7,1 bilhões, em rede hoteleira R$ 1,6 bilhões, nos investimentos do Comitê Olímpico R$ 2,5 bilhões e R$ 6,1 bilhões nos demais investimentos públicos e privados na organização dos Jogos (ainda não detalhados).

No entanto, há um setor que não aparece no estudo e merece atenção dos investidores: a área de saúde. O Rio de Janeiro possui 266 hospitais, entre públicos e privados. Em virtude dos próximos grandes eventos, existe a necessidade de investimentos para aumentar os leitos em hospitais e melhoras nos equipamentos hospitalares.

A Amil programou um investimento de R$ 450 milhões destinados à reforma e construção de hospitais do grupo no Rio. A estratégia é construir hospitais de alto padrão no atendimento e na tecnologia dos equipamentos, evitando que o carioca opte por tratamentos no exterior ou mesmo em São Paulo.

O estudo da FIRJAN ainda ressalta diversos projetos que foram classificados como “potenciais”, com disponibilidade de informação e prazo de execução superiores aos analisados, e não entraram no total, como o trem-bala Rio de Janeiro – São Paulo, a construção de um porto em Maricá e a construção da nova base de exploração de petróleo da Petrobras, em Itaguaí.

Destino turístico: favelas do Rio

Por Filippo Cavalcanti


Famoso pelo cenário que mescla um grande centro urbano com natureza viva e densa, o Rio de Janeiro experimenta novos atrativos turísticos. Muito além dos pontos que ilustram a cidade mundo a fora, como o Pão de Açúcar, Cristo Redentor, e as praias com seus personagens típicos, nossos visitantes também têm curiosidade pelas favelas e pela vida cotidiana das comunidades. Os passeios turísticos em favelas da cidade começaram pela Rocinha, ainda na década de 1990. Embora entusiasmados com a dinâmica, emaranhado arquitetônico e valores culturais que são característicos dessas regiões – como o espírito comunitário, exuberantes mulatas, o futebol e o samba acompanhado da boa e velha cerveja gelada entre amigos – o roteiro esbarrava na insegurança da presença ostensiva de armas do tráfico. Os noticiários não economizavam nas manchetes sangrentas e, para fazer esse tipo de turismo, além de curiosidade, era necessário coragem.

Desde que o projeto de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) saiu do papel, em 2008, o turismo nas favelas cariocas é uma demanda em ascensão. Hoje, já são 33 favelas pacificadas na cidade. A meta é beneficiar a vida de 1,5 milhões de pessoas.


Livres da ousadia do tráfico de drogas, a visita deixou de ser um perigo. Sem imposição de regras – que caso não cumpridas resultava em cobranças desleais e muitas vezes em expulsão da favela – estrangeiros deixaram de ser “persona non grata” e se tornaram, inclusive, fonte de renda para muitosmoradores. É o caso de Reginaldo Pinto, jovem de 20 anos, morador do Santa Marta, na Zona Sul do Rio, que não tinha muitas perspectivas para a vida antes da pacificação: “Sempre tive medo de me tornar uma estatística. Antes a polícia vinha, humilhava e ia embora. Isso fez com que muitos jovens, como vários amigos meus, desenvolvessem ódio pela própria condição de vida. Mas Deus escreve certo por linhas tortas, e hoje eu sustento minha família, com dignidade, sem nem precisar sair daqui”. Régi, como é conhecido, anda uniformizado pelas vielas e recebe os turistas ainda no pé do morro. Criado na favela, sabe como ninguém chegar aos pontos com vista panorâmica da cidade e arrisca as primeiras palavras em inglês: “how are you?”, diz sorrindo, com ar de aprendiz.

Depois que 100 mil turistas passearam pelo teleférico do Complexo do Alemão no ano passado, o governo federal pretende liberar recursos e investir para capacitar e qualificar as comunidades pacificadas, no sentido de melhor prepará-las para esta recepção. O ministro do Turismo, Gastão Vieira, reitera a proposta e enfatiza que as comunidades já estão inseridas no contexto turístico da cidade. Agora é a vez do poder público contribuir com infraestrutura e recursos necessários para que esta interação seja bem desenvolvida.

Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas aponta que mais da metade dos turistas, sejam eles nacionais ou estrangeiros, tem desejo de conhecer alguma favela da cidade.