O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Programas culturais baratos para aproveitar sem carteirinha de estudante

Alexandra Gurgel

O Rio de Janeiro não se restringe a belas praias e trilhas ecológicas quando a ideia é aproveitar um programa barato e divertido. Após a aprovação unânime da nova lei de meia-entrada pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados – que passa a limitar o benefício aos idosos e estudantes a 40% dos ingressos – exposições, mostras, museus e espetáculos gratuitos podem ser uma alternativa, uma vez que estão espalhados por toda a cidade. 

Para os apreciadores de música instrumental, popular e erudita, o BNDES oferece a programação cultural gratuita “Quintas no BNDES”, realizada durante todo o ano, todas as quintas-feiras a partir das 19h na sede do Banco, no Centro da cidade. Já shows de chorinho e saraus podem ser apreciados no Centro Cultural Parque das Ruínas, em Santa Teresa, que tem programação variada e se destaca pela arquitetura rústica. 

Para os interessados na sétima arte, a Oi Futuro oferece até o dia 7 de julho, em Ipanema e no Flamengo, a mostra “Expo(r) Godard – Viagens em utopia”, em homenagem ao cineasta percursor da Nouvelle Vague, Jean-Luc Godard, com sessões de filmes, palestras e performances. 

Dentre os programas, os museus do Rio, muitas vezes esquecidos, ganham destaque. Entre eles, o recém-inaugurado Museu de Arte do Rio (MAR), na Saúde, o Museu de Arte Moderna (MAM), no Centro, Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Niterói. 


Ano de eventos incentiva qualificação de taxistas

Luana Laranjeira
Foto: Taxista Empreendedor.

Para receber todos os eventos que a cidade do Rio receberá em 2013 e nos próximos anos, a cidade já está passando por muitas transformações. No entanto, alguns setores ainda carecem de projetos e necessitam mais atenção.

Em junho, acontecerá na cidade a Copa das Confederações, Em julho, será a vez da Jornada Mundial da Juventude, e em setembro, mais uma edição do Rock in Rio. Só para este primeiro trimestre do ano, a Secretaria Municipal de Turismo do Rio estimou que mais de três milhões de turistas passaram pela cidade.

Só para a vinda do Papa, por exemplo, são esperados em torno de 700 mil turistas estrangeiros. As escoltas de Francisco I e sua comitiva serão feita por agentes do Núcleo de Segurança da Polícia Federal. O evento prevê um público de 2,5 milhões de pessoas. O Papa terá forte esquema de segurança, com mais de 700 policiais federais. De acordo com o delegado Vitor César, o Papa ficará hospedado no bairro do Sumaré e os policiais trabalharão em equipes fixas, por sistema de rodízio.

Segundo dados do ICCA (International Congress and Convention Association), o Rio de Janeiro voltou a ser a capital brasileira de eventos, depois de anos atrás de São Paulo. No entanto, a infraestrutura da cidade precisa de melhorias. O Ministro do Turismo do Brasil, Gastão Vieira, afirmou que a Jornada da Juventude e a Copa das Confederações iniciaram de vez a maratona dos grandes eventos internacionais, e que por conta disso, as expectativas para o turismo são extremamente animadoras. Como o turismo cresceu, os setores de transporte, segurança, hospedagem e alimentação virou foco de desenvolvimento do governo e a qualificação de mão de obra não pode ficar de fora.

O SEBRAE criou o projeto Taxista Empreendedor, lançado há seis meses no Rio, no qual espera atender as mais de 30 mil licenças da cidade. Depois de concluir o curso e entregar a ficha, o profissional receberá um Certificado de Participação e um adesivo com a marca Taxista Empreendedor. Quem ver a marca afixada no táxi saberá que ele está preparado para oferecer serviços de qualidade. Outra parceria da Universidade Federal Fluminense com a Secretaria de Turismo do Rio criou o projeto “Taxista boa-praça”, que oferece aulas de inglês e espanhol, além de aulas de recepção ao turista, também para capacitar as áreas de transporte para os eventos esportivos, religiosos e de entretenimento da cidade. Para o Rio de Janeiro estão reservadas mil vagas, sendo 700 para a capital e 300 para Niterói. A previsão é de que 160 horas de aula sejam terminadas em três meses. E os taxistas também receberão certificado e adesivo para o veículo.


Crise do Engenhão atrapalha o futebol carioca

Felipe Sbardella


Enquanto ainda está paralisado por conta da má projeção de sua cobertura, a ausência do Engenhão causa mais prejuízo ainda para o futebol carioca. No último jogo antes da interdição do estádio, no dia 16 de março, público de 4.10 pessoas, gerando uma bilheteria de R$81.600,00. E as despesas para este jogo de 18h30 de um sábado, com pouco apelo para o torcedor, foram de aproximadamente R$110 mil reais. Ou seja: o Botafogo já estava pagando para jogar, ao invés de lucrar quando seus craques desfilavam em campo.

Após a interdição do estádio ser confirmada pelo prefeito Eduardo Paes, no dia 26 de março, os jogos do próprio Botafogo, Flamengo e Fluminense, que atuam com frequência lá, foram transferidos para outras cidades do estado do Rio de Janeiro. O primeiro jogo do atual campeão carioca fora do Engenhão tendo o mando de campo foi no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. O baixo público e renda (3.820 pagantes/R$38.710,00) não foram suficientes para pagar as despesas de jogar na Cidade do Aço (R$66.409,22). Além desse valor, também há de se considerar a viagem para fora da capital e a estadia da delegação alvinegra.

Mas os números mais alarmantes são entre as finais de turno: na decisão da Taça Guanabara (primeira fase), em que o Botafogo venceu o Vasco por 1 a 0, sagrando-se campeão, a taxa de ocupação do Engenhão foi de quase 100%. Apenas 12 ingressos sobraram dos 39.412 colocados à venda. A receita líquida foi superior a R$924.400,00. Já na final da Taça Rio (segunda fase), quando o Botafogo venceu o Fluminense por 1 a 0 e tornou-se campeão carioca, apenas 85% do Raulino de Oliveira estava ocupado por torcedores e a receita foi de aproximadamente R$215.000,00; quase um quarto do valor arrecadado na decisão do primeiro turno.

A notícia ruim não só para os botafoguenses, como para os amantes do futebol carioca, é que o Engenhão não tem previsão para voltar a receber jogos. O que o presidente do Botafogo já afirmou é que, em 2013, o estádio mais moderno da América Latina, como é chamado pelo time alvinegro, não será reaberto.

Engenhão teve outros problemas além da cobertura


Gabriel Goulart Gonzalez

De estádio mais moderno da América Latina e quinto do mundo para um estádio interditado em um período de apenas seis anos. O fechamento do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, com tão pouco tempo de uso, levanta questões sobre os motivos que teriam causado a interdição. Além da falha na cobertura do estádio – que segundo a empresa alemã SBP, especialista em coberturas de estádios, corria o risco de desabar caso fosse atingida por ventos acima de 63 km/h – outros problemas podem ter contribuído para a interdição do estádio.

O jornalista Nildo Carlos de Oliveira, especialista na área de engenharia e contrução, afirma que as obras do Engenhão, visando o Pan Americano de 2007, começaram mal. Segundo ele, o primeiro erro foram as promessas de melhorias no bairro, que não aconteceram. Os acessos continuam precários e inadequados para a quantidade de pessoas que a região recebe em dias de jogos. De acordo com dados do Instituto Pereira Passos, o bairro de Engenho de Dentro, onde se localiza o estádio, possuía 45.540 habitantes em 2010, menos do que a capacidade máxima do Engenhão, que é de 46.931. Para se chegar ao bairro, o torcedor tem à disposição 40 linhas de ônibus, além de metrôs e trens da supervia. No entanto, com o grande contingente de pessoas, o trânsito, principalmente nos fins dos jogos, fica caótico.

Junto a isso, outra questão importante no que diz respeito ao período de construção do estádio, foi a desistência da empresa de engenharia Delta e Recoma de continuar com as obras e a contratação de outro consórcio, este formado pelas construtoras Odebrecht e OAS. Como consequência da troca, a obra que custaria, a princípio, R$ 60 milhões, passou a custar R$ 380 milhões.

Apesar dos estudos fornecidos pela SBP, há quem diga que a interdição do Engenhão não passou de uma estratégia política. O ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, em uma entrevista ao canal ESPN, acusou a prefeitura de usar o fechamento do estádio como ferramenta para favorecer a licitação do Maracanã. Uma semana depois de Flamengo e Fluminense assinarem contrato de dois anos com o Engenhão, o ex-prefeito acredita que a desvalorização do Engenhão foi intencional, a fim de valorizar a concessão do Maracanã.

O Estádio Olímpico João Havelange foi interditado pela prefeitura no dia 26 de março, após laudo apresentado pelas empresas Alpha e Tal, além da empresa alemã SPB, que apontava falha de estrutura na cobertura do estádio. A arena, que receberá provas de atletismo nos Jogos Olímpicos de 2016, não tem data para a reabertura.

Poluição na Baía complica disputa da vela para 2016

Victor Machado 

No país do futebol, a vela é o esporte mais vitorioso em Jogos Olímpicos, responsável pela conquista de seis medalhas de ouro ao longo da história do Brasil na competição. No entanto, a modalidade ainda não tem lugar definido para ocorrer em 2016, no Rio de Janeiro, pois a Baía de Guanabara está poluída há pelo menos 20 anos.

Sacos plásticos, garrafas PET, de tudo um pouco. Além do mau cheiro causado pela contaminação, o lixo espalhado na água prejudica a navegação e pode atrapalhar o desempenho dos atletas participantes, o que já resultou em críticas feitas por nomes consagrados do esporte, como o bicampeão olímpico Robert Scheidt. 

Após um passeio pela Baía no início de maio, segundo a Agência Brasil, Marcio Fortes, presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), consórcio formado pela União, pelo Estado do Rio e pelo município para coordenar a participação das partes na realização dos Jogos, também avaliou negativamente o local e afirmou que será encaminhado um relatório ao governo federal para a discussão de soluções emergenciais.

A meta do governo do estado é despoluir 80% da Baía de Guanabara até 2016. Para isso, foi inaugurada em dezembro do ano passado uma Unidade de Tratamento de Rio (UTR) no Rio Irajá, causador de até 13% dos despejos de sujeira na região. De acordo com um vídeo divulgado pelo governo, três UTRs estão em funcionamento e mais oito fazem parte do projeto, mas ainda não foram construídas.

Caso as condições da Baía não se tornem propícias para a prática do esporte, uma alternativa para contornar o problema é que a competição de vela seja disputada em alto-mar, o que já foi feito nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, e Londres, em 2012. A decisão poderá tomada mais adiante pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), mas o órgão ainda não se manifestou oficialmente a respeito da possibilidade de mudança de local.

Planejado e elaborado no início da década de 90, o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), a cargo da Cedae, já recebeu mais de R$ 1 bilhão em investimentos, mas ainda não obteve resultados satisfatórios desde que foi implementado.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Reforma do Joá não atende Zona Sul

Maria Clara Faria Lima

Depois de a prefeitura do Rio de Janeiro ter anunciado a construção de dois novos túneis, elevados e uma ciclovia ligando a Barra da Tijuca e a Zona Sul, o projeto parece não dar conta do trecho que tem constantes problemas de congestionamento pela alta circulação de veículos. O investimento de R$ 489 milhões não contempla nenhuma obra de expansão das vias de São Conrado que, atualmente, conta com duas pistas expressas e outras duas que circulam coletivos e tem a velocidade reduzida.

Segundo o planejamento, quatro pistas iriam da Barra até a zona Sul. Porém, elas desembocariam em somente duas, o que talvez não resolva o problema do gargalo como propõe a medida. A prefeitura também não se pronunciou quanto às faixas reversíveis. Hoje em dia, a partir das 6h até às 8h30, uma das duas pistas no sentido Barra é revertida para dar conta do fluxo de carros no horário de pico.

De acordo com a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), o volume de veículos que circula pelo Elevado das Bandeiras, servido pelos túneis do Joá e São Conrado, é de 112.141 veículos, com base nos dados de junho do ano passado. A estimativa, com as novas medidas, é aumentar em 50% a capacidade do tráfego da região.

Além disso, o túnel Zuzu Angel, que tem duas pistas em cada um dos sentidos, também não tem nenhum projeto de ampliação anunciado. Ainda segundo a Secretaria Municipal de Transportes, 118.415 veículos passam pelo local por dia, volume ainda maior que o do Elevado das Bandeiras.

O Elevado das Bandeiras passa por obras de revitalização desde janeiro antes da apresentação do novo projeto. As reformas estão sendo realizados porque a construção apresenta problemas estruturais. O serviço está sendo feito através de um plano emergencial do Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro (Geo-Rio), órgão da Secretaria Municipal de Obras da Prefeitura. De acordo com Prefeitura, foram realizadas também obras de recuperação em todo elevado em 2003, 2006 e 2007.

Gabrieli é novo xodó do Grêmio

Pedro Marcelino

O jogo do Grêmio na Libertadores teve um final feliz. Não apenas pela vitória do tricolor gaúcho sobre o Santa Fé por 2 a 1, mas sim da visita da Gabrieli. A menina, de apenas 3 anos, sofre de leucemia e ficou famosa nas redes sociais depois de tirar uma foto imitando a famosa comemoração do atacante Barcos, o pirata. A foto de Gabrieli vestida com uniforme do Grêmio foi publicada no dia 2 de março no facebook rendeu mais de 800 compartilhamentos. O perfil oficial do time também postou a foto no dia 5 e em apenas 3 dias houve mais de 3 mil compartilhamentos.

O burburinho das redes sociais conseguiu realizar um sonho da Gabrieli provendo um encontro com ela e o jogador Hernán Barcos. O pirata argentino foi visitá-la no Hospital Universitário, em Santa Maria, no dia 17 de Março. Algumas fotos do encontro já somam mais de 16 mil compartilhamentos na rede social.

O dia do jogo teve uma noite especial para a pequena tricolor. Pela primeira vez ela foi acompanhar, ao convite da diretoria do time gaúcho, uma partida na Arena do Grêmio. Gabrieli entrou em campo no colo do atacante Barcos e deu sorte ao time. O jogador passou em branco, mas o time conseguiu sacramentar a primeira derrota do Santa Fé na competição.

No jogo a torcida mostrou que a Gabrieli já é, além de exemplo de perseverança, xodó. A menina foi bastante solicitada para fotos e chegou a dar entrevistas. Durante a partida, ela festejou os dois gols do seu time de coração e ficou apreensiva quando a partida estava empatada. E chegou a pedir para os jogadores do time adversário “pegarem leve” com o pirata, fazendo “biquinho” quando isso acontecia.

O Grêmio começou no final de mês de abril uma campanha para estimular a doação de sangue. Chamada de “Sou Tricolor, sou doador” procura engajar os torcedores sobre essas questões.

Instagram: fascínio e desafio para marcas

Divulgação

Uma nova rede social tem conquistado e desafiado marcas brasileiras. É o Instragram, aplicativo para smartphones criado em 2010, que conta com mais de 100 milhões de usuários ativos em todo o mundo
e foi comprado ano passado por 1 bilhão de dólares pelo Facebook . Essa nova plataforma digital se diferencia das demais por ser exclusivamente um espaço para a postagem de fotos.

O Instagram – que recebe 40 milhões de fotos por dia, 8500 curtidas e 1000 comentários por segundo  – é um fenômeno atraente para as marcas brasileiras, que começaram a apostar na ferramenta para divulgar seus produtos e se promover.

Segundo Nino Carvalho, especialista em marketing digital, a dificuldade de adaptação das marcas à rede é a falta de entendimento de que ela não deve ser uma vitrine de produtos. Para Nino, as empresas devem se comportar na rede de maneira mais intimista no Instagram. O perfil institucional não deve divulgar imagens promocionais à exaustão. Fotos bem elaboradas, de etapas da produção, clientes na loja, embalagens e novidades são o diferencial nessa plataforma. A interação com os seguidores e o incentivo ao compartilhamento de fotos por meio de hashtags – palavras, frases ou expressões acrescentadas ao sinal do jogo da velha (#) – é uma estratégia de sucesso adotada pelas empresas para ganhar seguidores e popularidade no Instagram.

Marcas de moda feminina jovem, como a de vestuário Farm e a de calçados Schutz, que colecionam uma legião de seguidores, publicam fotos de amantes da marca em alternância com a de seus produtos. Através do #tonoadorofarm, a carioca seleciona fotos de usuárias e as posta no perfil da loja (@lojafarmrio).  A Schutz (@schutzoficial), com mais de 250 mil seguidores, alterna fotos institucionais com fotos de clientes, e encoraja fãs a publicarem suas fotos com produtos da marca usando o hashtag #schutzlovers.

Apesar de ter menos usuários que o Twitter, segundo a consultoria comScore, a média de minutos destinados ao Instagram de fotos superou a do microblog – são 257 contra 170 minutos.

As empresas mais populares do Instagram, contudo, não são as maiores do mundo, mas as mais conhecidas.  Entre as marcas que colecionam o maior número de seguidores, estão Victoria’s Secret, H&M, Nike, Forever21 e Topshop, que compõem o ranking dos 25 perfis mais célebres da rede.

Rio: capital do comercio ilegal de obras de arte


Rafael Caetano 

O roubo de parte da instalação do artista Iven Machado no Museu de Arte do Rio (MAR) alertou os cariocas para a falta de segurança do patrimônio artístico existentes na cidade. Na lista de 1 500 obras desaparecidas feita pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), 409 foram levadas de coleções cariocas. Segundo um relatório da Interpol, o roubo de obras de arte está relacionado com o tráfico de drogas.

As investigações revelaram que as obras são trocadas por armas e drogas quando não encontram comprador no mercado. A Lei de proteção de obras de arte e ofícios produzidos no Brasil que trata  sobre o furto de obras de arte é de 1967 e está ultrapassada porque não acompanhou as transformações da arte e dos criminosos.

O Iphan, para dificultar o comércio ilegal de arte, criou o Cadastro Nacional de Negociantes de Antiguidades e Obras de Arte – CNART. Ele foi desenvolvido para registrar os negociantes e agentes de leilão que comercializam objetos com valor histórico e artístico. Mas o CNART é pouco divulgado e acaba burlado por donos de galerias que negociam obras roubadas.

O doutor em economia do Berkeley Program in Law and Economics, Mauro Salvo, argumenta que é preciso medidas mais rígidas para esse tipo de crime. Ele defende a unificação mundial das leis de comércio cultural e a exigência de uma documentação mais específica para a venda das obras.

Muitos roubos são feitos por encomenda de colecionadores, e Volpi parece ser mesmo o artista preferido dos ladrões. Em 2006, bandidos invadiram o museu casa do Céu em Santa Teresa e levaram 25 telas do artista. Entre as obras roubadas estavam um Picasso e um Matisse que ainda não foram encontrados.

Áreas verdes podem reduzir violência

Ana Luiza Carvalho

Um estudo feito na Filadélfia concluiu que a presença de áreas verdes na cidade, como parques, praças e jardins pode contribuir para a redução da taxa de criminalidade. Resultado contrário à pesquisa feita nos principais estados brasileiros, que apontou as mesmas áreas verdes como locais frequentados por criminosos e drogados.

A Professora Mary Wolfe, do departamento de Geografia e Urbanismo da Universidade de Temple, do estado americano da Pensilvânia, analisou por dois anos a relação das taxas de crime com a disposição e intensidade da vegetação na cidade de Filadélfia. Os resultados indicam que os bairros com maior número de áreas arborizadas bem tratadas, seja parques ou praças, são os mesmos que têm as menores taxas de assalto, roubo e furto. Isso se dá porque, segundo o estudo, a vegetação incentiva à interação social, além de, por ser um espaço público, a área é cuidada pela comunidade. A pesquisa ainda revela que as áreas verdes têm o poder de despertar nas pessoas um efeito calmante e mentalmente restaurador, o que inibiria comportamentos violentos. Para a professora, os resultados devem ser considerados uma estratégia de prevenção à criminalidade na política de urbanismo da cidade.

No Brasil, a pesquisa dos professores Sílvio Macedo e Vanderli Custódio, ambos da área de geografia do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), analisou os espaços livres urbanos, como ruas, calçadas, parques e praças, dos principais estados brasileiros. No caso do Rio de Janeiro, uma das conclusões foi que os espaços públicos são mais bem tratados nos bairros das classes médias e altas e há uma grande carência por praças em áreas mais pobres. Mesmo quando implantadas nesses bairros, as áreas verdes não recebem manutenção e iluminação adequadas, tornando o espaço, mesmo durante o dia, uma área frequentada por traficantes e usuários de drogas.

De acordo com as estatísticas do Instituto Pereira Passos, o município do Rio de Janeiro tem hoje um total de 2175 espaços ajardinados e livres (praças, largos, parques e jardins), sendo as favelas os locais que mais carecem desses espaços. No Vidigal, por exemplo, não consta nenhum espaço livre como área para o lazer, enquanto na Rocinha constam apenas dois largos. Na zona sul, o bairro com maior número de áreas verdes é o Leblon (25), seguido da Lagoa (17) e Ipanema (12).

Rio tem mais dengues e menos mortos

Vanessa Forton

A Secretaria de estado de Saúde divulgou um novo balanço sobre os casos de dengue no Rio de Janeiro. Foram notificados desde 1° de janeiro até 20 de abril deste ano 123.121 casos suspeitos de dengue no Estado. Esta é a 16° semana epidemiológica com 15 óbitos. Em 2012, durante a 16° semana de epidemia, tinham sido notificados 90.884 casos suspeitos de dengue no Estado, com 22 óbitos. Em comparação foram 32.237 casos a mais da doença em 2013 do que no ano passado, porém foram menos 7 vítimas fatais de dengue. Os estudos da secretária de saúde também mostram que em comparação, 2012 e 2011 sofreram as mesmas alterações. Houve um aumento de 9,34% nos casos da suspeita da doença e o número de óbitos caiu 70%. Durante todo o ano de 2012 foram atestados 184.123 números de doentes com 42 óbitos no estado.

São 37 dos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro com epidemia. Um dos critérios considerados para que o município entre em epidemia é ter um registro de mais de 300 casos por 100 mil habitantes. O controle e até mesmo a erradicação da transmissão do vírus da dengue é possível. Porém, os responsáveis por esse controle não são apenas o governo ou a secretaria de saúde, a população também pode ajudar tomando as precauções necessárias. O mosquito aedes aegypti se reproduz em água parada e isso acontece principalmente no verão. Sendo assim, a estação do ano em que a população deve se preocupar mais ainda com a água parada em pneus, vasos de plantas ou qualquer outro recipiente, é preciso também manter a caixa d`água fechada.

Por causa do alto índice de casos da doença o governo lançou duas campanhas como mais uma tentativa de conter esses números. Uma delas é a “Campanha 10 Minutos Contra a Dengue”, que tem como objetivo estimular a população a investir 10 minutos por semana para eliminar possíveis criadouros em suas casas, já que é no ambiente doméstico a concentração de 80% dos focos. A outra é a “Monitoria Dengue”, que pela primeira vez no Brasil irá distribuir dez mil telefones inteligentes aos municípios para transmissão dos dados sobre a dengue em tempo real. O objetivo é tentar tornar mais rápida a transmissão das informações para a elaboração dos relatórios e permitir que o tempo de resposta para implantação das ações de combate à dengue e atendimento aos pacientes seja mais eficaz.

A dengue se tornou um dos principais problemas de saúde pública não só no Brasil, mas no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) constata que entre 50 a 100 milhões de pessoas são infectadas anualmente em mais de 100 países. Todos os continentes são vítimas do vírus exceto a Europa. A OMS declara também que mais de 550 mil pessoas são hospitalizadas por causa da doença e 20 mil morrem por causa dela.

No Brasil, de acordo com o governo, já estão em epidemia: Araruama, Saquarema, Iguaba Grande, Rio das Ostras, Armação de Búzios, Cabo Frio, São Pedro D'Aldeia, Arraial do Cabo, Paracambi, Mendes, Vassouras, Valença, Pinheiral, Volta Redonda, Barra do Piraí, Rio das Flores, Resende, Barra Mansa, Piraí, Cardoso Moreira, Bom Jesus do Itabapoana, Carapebus, Macaé, São Francisco de Itabapoana, Angra dos Reis, Mangaratiba, Paraty, Magé, Niterói, Itaboraí, Silva Jardim, Tanguá, São Gonçalo, São Sebastião do Alto, São José do Vale do Rio Preto, Carmo e Macuco.

Ciclistas versus ônibus

Filippo Cavalcanti
De um lado, a sociedade civil organizada – e também a prefeitura do Rio - fazem campanhas de incentivo ao uso do transporte alternativo (na maioria das vezes a bicicleta) para diluir a densidade do trânsito na cidade e reduzir o impacto ambiental dos veículos motorizados. Por outro lado, o poder público – inclusive a mesma prefeitura do Rio – não cria infraestrutura para assegurar o deslocamento seguro para quem tenta contribuir com uma cidade menos caótica.

Três acidentes – dois deles fatais – abriram o debate sobre as medidas que devem ser tomadas para harmonizar o espaço e vias públicas entre ciclistas e motoristas. Na Zona Sul, onde a cultura de pedalar é tradicional, e outro, ontem mesmo, na Praça da Bandeira, Zona Norte da cidade. A vítima, o ciclista Alberto da Silveira Junior (40), promete processar o motorista docoletivo. Os acidentes da Zona Sul levaram a vida do triatleta Pedro Nikolay, de 31 anos, na última terça-feira, e da diretora de televisão Gisele Matta (36), no início do mês de abril.

Em todos estes casos, ônibus – e obviamente seus motoristas –, estão envolvidos, pondo em xeque a qualidade do sistema de transporte público da cidade que, por sinal, detém a segunda maior malha cicloviária da América Latina (somente atrás de Bogotá), com seus 240 km de vias. A cidade que vai receber Copa do Mundo de futebol e as Olimpíadas pretende ganhar, até 2016, mais 150 km de vias destinadas preferencialmenteaos ciclistas. O aumento das ciclofaixas, mais o crescente número de multas por parte de ônibus e desordem no trânsito criam uma equação perigosa. E de difícil resolução.

Mesmo multados, os coletivos, motoristas e empresas de ônibus seguem livres de punições. São 51.888 infrações só nos três primeiros meses deste ano. Isso quer dizer que, divididas entre a relação de tempo e número de ônibus que circulam pelas ruas do Rio, a conta fecha com média de 577 multas por dia, logo, uma a cada dois minutos e meio.

Realidade assustadora atribuída também à pouca mão de obra para conter a desordem. O número de agentes para fiscalizar toda a frota de ônibus, táxis e vans do município cha a ser risível: apenas 40. Em nota, a FETRANSPOR (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de janeiro) que tem como slogan “mobilidade com qualidade”, alega que “incentiva, apoia e mantém estrutura para que as empresas invistam na capacitação dos profissionais”, através de cursos que treinaram 17.290 motoristas desde 2006.

Enquanto o dilema não se transforma em condições seguras, tanto para quem utiliza o transporte público, quanto para transeuntes e adeptos do “transporte alternativo”, dezenas de ciclistas se reuniram ontem em Ipanema - aproveitando o feriado que mantém a via da orla fechada para lazer – para homenagear o triatleta morto, protestar e reivindicar discussões mais amplas – e efetivas - sobre o respeito no trânsito.

Falta de pista reduz chances do Rio de sediar a F1

Thiago Leal

O Autódromo Nelson Piquet, em Jacarepaguá, já sediou dez edições do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 entre 1978 e 1989. A partir da década de 1990, a prova passou a ser disputada em São Paulo, no circuito de Interlagos, e no Rio de Janeiro ficaram sendo disputadas provas como a Stock Car e a MotoGP. A construção do Parque Olímpico na área do autódromo de Jacarepaguá, no entanto, fez com que o circuito fosse desativado em outubro de 2012 e a previsão da prefeitura é que o novo espaço do automobilismo carioca só fique pronto em dois anos. A demora pode prejudicar a cidade, que poderá perder a chance de sediar o principal evento do automobilismo mundial.

A promessa de entrega do autódromo de Deodoro antes da demolição do circuito de Jacarepaguá não foi cumprida. O governo espera uma garantia do Exército e do Governo Federal de que toda a área do projeto está livre de explosivos para iniciar a licitação, prevista para junho. Se isto ocorrer, as obras devem começar em março de 2014.

Não são apenas os fãs do automobilismo que estão órfãos. Bernie Ecclestone, chefe da Formula One Management (FOM) - empresa que comanda a Fórmula 1 -, expressou o desejo de voltar a realizar as corridas no Rio e admitiu ter conversado com o prefeito Eduardo Paes sobre essa possibilidade, mas reconheceu que o trabalho com a organização dos Jogos Olímpicos pode atrapalhar. Além da Fórmula 1, a cidade perdeu a Stock Car e a MotoGP, já que não existe outra pista. Ecclestone afirmou estar decepcionado com o não cumprimento das promessas de obras nas estruturas de box e acesso ao público no circuito paulista. Ele afirmou ainda que pensa em tirar o Brasil do circuito mundial caso não haja outra opção.

Segundo projeções da prefeitura de São Paulo, ano passado a Fórmula 1 gerou cerca de R$ 250 milhões, além da presença de mais de 90 mil turistas na cidade. O contrato de São Paulo com a FOM vai até 2014, embora a falta de estrutura possa forçar a quebra do acordo. Além de garantir que as obras em Interlagos serão feitas, a prefeitura de São Paulo pretende renovar o contrato até 2020. Além do Rio de Janeiro, existe ainda a concorrência de Santa Catarina, onde o circuito foi muito elogiado pelo chefe da FOM.