O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Poluição na Baía complica disputa da vela para 2016

Victor Machado 

No país do futebol, a vela é o esporte mais vitorioso em Jogos Olímpicos, responsável pela conquista de seis medalhas de ouro ao longo da história do Brasil na competição. No entanto, a modalidade ainda não tem lugar definido para ocorrer em 2016, no Rio de Janeiro, pois a Baía de Guanabara está poluída há pelo menos 20 anos.

Sacos plásticos, garrafas PET, de tudo um pouco. Além do mau cheiro causado pela contaminação, o lixo espalhado na água prejudica a navegação e pode atrapalhar o desempenho dos atletas participantes, o que já resultou em críticas feitas por nomes consagrados do esporte, como o bicampeão olímpico Robert Scheidt. 

Após um passeio pela Baía no início de maio, segundo a Agência Brasil, Marcio Fortes, presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), consórcio formado pela União, pelo Estado do Rio e pelo município para coordenar a participação das partes na realização dos Jogos, também avaliou negativamente o local e afirmou que será encaminhado um relatório ao governo federal para a discussão de soluções emergenciais.

A meta do governo do estado é despoluir 80% da Baía de Guanabara até 2016. Para isso, foi inaugurada em dezembro do ano passado uma Unidade de Tratamento de Rio (UTR) no Rio Irajá, causador de até 13% dos despejos de sujeira na região. De acordo com um vídeo divulgado pelo governo, três UTRs estão em funcionamento e mais oito fazem parte do projeto, mas ainda não foram construídas.

Caso as condições da Baía não se tornem propícias para a prática do esporte, uma alternativa para contornar o problema é que a competição de vela seja disputada em alto-mar, o que já foi feito nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, e Londres, em 2012. A decisão poderá tomada mais adiante pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), mas o órgão ainda não se manifestou oficialmente a respeito da possibilidade de mudança de local.

Planejado e elaborado no início da década de 90, o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), a cargo da Cedae, já recebeu mais de R$ 1 bilhão em investimentos, mas ainda não obteve resultados satisfatórios desde que foi implementado.