Rafael
Caetano
O roubo de parte da instalação do artista Iven Machado no Museu de Arte do Rio (MAR) alertou os cariocas para a falta de segurança do patrimônio artístico existentes na cidade. Na lista de 1 500 obras desaparecidas feita pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), 409 foram levadas de coleções cariocas. Segundo um relatório da Interpol, o roubo de obras de arte está relacionado com o tráfico de drogas.
As investigações revelaram que as obras são trocadas por armas e drogas quando não encontram comprador no mercado. A Lei de proteção de obras de arte e ofícios produzidos no Brasil que trata sobre o furto de obras de arte é de 1967 e está ultrapassada porque não acompanhou as transformações da arte e dos criminosos.
O Iphan, para dificultar o comércio ilegal de arte, criou o Cadastro Nacional de Negociantes de Antiguidades e Obras de Arte – CNART. Ele foi desenvolvido para registrar os negociantes e agentes de leilão que comercializam objetos com valor histórico e artístico. Mas o CNART é pouco divulgado e acaba burlado por donos de galerias que negociam obras roubadas.
O doutor em economia do Berkeley Program in Law and Economics, Mauro Salvo, argumenta que é preciso medidas mais rígidas para esse tipo de crime. Ele defende a unificação mundial das leis de comércio cultural e a exigência de uma documentação mais específica para a venda das obras.
Muitos roubos são feitos por encomenda de colecionadores, e Volpi parece ser mesmo o artista preferido dos ladrões. Em 2006, bandidos invadiram o museu casa do Céu em Santa Teresa e levaram 25 telas do artista. Entre as obras roubadas estavam um Picasso e um Matisse que ainda não foram encontrados.