O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Engenhão teve outros problemas além da cobertura


Gabriel Goulart Gonzalez

De estádio mais moderno da América Latina e quinto do mundo para um estádio interditado em um período de apenas seis anos. O fechamento do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, com tão pouco tempo de uso, levanta questões sobre os motivos que teriam causado a interdição. Além da falha na cobertura do estádio – que segundo a empresa alemã SBP, especialista em coberturas de estádios, corria o risco de desabar caso fosse atingida por ventos acima de 63 km/h – outros problemas podem ter contribuído para a interdição do estádio.

O jornalista Nildo Carlos de Oliveira, especialista na área de engenharia e contrução, afirma que as obras do Engenhão, visando o Pan Americano de 2007, começaram mal. Segundo ele, o primeiro erro foram as promessas de melhorias no bairro, que não aconteceram. Os acessos continuam precários e inadequados para a quantidade de pessoas que a região recebe em dias de jogos. De acordo com dados do Instituto Pereira Passos, o bairro de Engenho de Dentro, onde se localiza o estádio, possuía 45.540 habitantes em 2010, menos do que a capacidade máxima do Engenhão, que é de 46.931. Para se chegar ao bairro, o torcedor tem à disposição 40 linhas de ônibus, além de metrôs e trens da supervia. No entanto, com o grande contingente de pessoas, o trânsito, principalmente nos fins dos jogos, fica caótico.

Junto a isso, outra questão importante no que diz respeito ao período de construção do estádio, foi a desistência da empresa de engenharia Delta e Recoma de continuar com as obras e a contratação de outro consórcio, este formado pelas construtoras Odebrecht e OAS. Como consequência da troca, a obra que custaria, a princípio, R$ 60 milhões, passou a custar R$ 380 milhões.

Apesar dos estudos fornecidos pela SBP, há quem diga que a interdição do Engenhão não passou de uma estratégia política. O ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, em uma entrevista ao canal ESPN, acusou a prefeitura de usar o fechamento do estádio como ferramenta para favorecer a licitação do Maracanã. Uma semana depois de Flamengo e Fluminense assinarem contrato de dois anos com o Engenhão, o ex-prefeito acredita que a desvalorização do Engenhão foi intencional, a fim de valorizar a concessão do Maracanã.

O Estádio Olímpico João Havelange foi interditado pela prefeitura no dia 26 de março, após laudo apresentado pelas empresas Alpha e Tal, além da empresa alemã SPB, que apontava falha de estrutura na cobertura do estádio. A arena, que receberá provas de atletismo nos Jogos Olímpicos de 2016, não tem data para a reabertura.