Ana Luiza Carvalho
Um estudo feito na Filadélfia concluiu que a presença de áreas verdes na cidade, como parques, praças e jardins pode contribuir para a redução da taxa de criminalidade. Resultado contrário à pesquisa feita nos principais estados brasileiros, que apontou as mesmas áreas verdes como locais frequentados por criminosos e drogados.
A Professora Mary Wolfe, do departamento de Geografia e Urbanismo da Universidade de Temple, do estado americano da Pensilvânia, analisou por dois anos a relação das taxas de crime com a disposição e intensidade da vegetação na cidade de Filadélfia. Os resultados indicam que os bairros com maior número de áreas arborizadas bem tratadas, seja parques ou praças, são os mesmos que têm as menores taxas de assalto, roubo e furto. Isso se dá porque, segundo o estudo, a vegetação incentiva à interação social, além de, por ser um espaço público, a área é cuidada pela comunidade. A pesquisa ainda revela que as áreas verdes têm o poder de despertar nas pessoas um efeito calmante e mentalmente restaurador, o que inibiria comportamentos violentos. Para a professora, os resultados devem ser considerados uma estratégia de prevenção à criminalidade na política de urbanismo da cidade.
No Brasil, a pesquisa dos professores Sílvio Macedo e Vanderli Custódio, ambos da área de geografia do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), analisou os espaços livres urbanos, como ruas, calçadas, parques e praças, dos principais estados brasileiros. No caso do Rio de Janeiro, uma das conclusões foi que os espaços públicos são mais bem tratados nos bairros das classes médias e altas e há uma grande carência por praças em áreas mais pobres. Mesmo quando implantadas nesses bairros, as áreas verdes não recebem manutenção e iluminação adequadas, tornando o espaço, mesmo durante o dia, uma área frequentada por traficantes e usuários de drogas.
De acordo com as estatísticas do Instituto Pereira Passos, o município do Rio de Janeiro tem hoje um total de 2175 espaços ajardinados e livres (praças, largos, parques e jardins), sendo as favelas os locais que mais carecem desses espaços. No Vidigal, por exemplo, não consta nenhum espaço livre como área para o lazer, enquanto na Rocinha constam apenas dois largos. Na zona sul, o bairro com maior número de áreas verdes é o Leblon (25), seguido da Lagoa (17) e Ipanema (12).