O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Crise do Engenhão atrapalha o futebol carioca

Felipe Sbardella


Enquanto ainda está paralisado por conta da má projeção de sua cobertura, a ausência do Engenhão causa mais prejuízo ainda para o futebol carioca. No último jogo antes da interdição do estádio, no dia 16 de março, público de 4.10 pessoas, gerando uma bilheteria de R$81.600,00. E as despesas para este jogo de 18h30 de um sábado, com pouco apelo para o torcedor, foram de aproximadamente R$110 mil reais. Ou seja: o Botafogo já estava pagando para jogar, ao invés de lucrar quando seus craques desfilavam em campo.

Após a interdição do estádio ser confirmada pelo prefeito Eduardo Paes, no dia 26 de março, os jogos do próprio Botafogo, Flamengo e Fluminense, que atuam com frequência lá, foram transferidos para outras cidades do estado do Rio de Janeiro. O primeiro jogo do atual campeão carioca fora do Engenhão tendo o mando de campo foi no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. O baixo público e renda (3.820 pagantes/R$38.710,00) não foram suficientes para pagar as despesas de jogar na Cidade do Aço (R$66.409,22). Além desse valor, também há de se considerar a viagem para fora da capital e a estadia da delegação alvinegra.

Mas os números mais alarmantes são entre as finais de turno: na decisão da Taça Guanabara (primeira fase), em que o Botafogo venceu o Vasco por 1 a 0, sagrando-se campeão, a taxa de ocupação do Engenhão foi de quase 100%. Apenas 12 ingressos sobraram dos 39.412 colocados à venda. A receita líquida foi superior a R$924.400,00. Já na final da Taça Rio (segunda fase), quando o Botafogo venceu o Fluminense por 1 a 0 e tornou-se campeão carioca, apenas 85% do Raulino de Oliveira estava ocupado por torcedores e a receita foi de aproximadamente R$215.000,00; quase um quarto do valor arrecadado na decisão do primeiro turno.

A notícia ruim não só para os botafoguenses, como para os amantes do futebol carioca, é que o Engenhão não tem previsão para voltar a receber jogos. O que o presidente do Botafogo já afirmou é que, em 2013, o estádio mais moderno da América Latina, como é chamado pelo time alvinegro, não será reaberto.