O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Rio não prioriza o investimento no esporte olímpico

Thiago Leal

A preparação de um atleta para os Jogos Olímpicos dura quatro anos. Nesse período, ele abdica do lazer e da família para manter o foco na competição esportiva. Para ganhar uma medalha é preciso mais do que dedicação. Uma boa estrutura é crucial para subir ao pódio. Como a próxima edição da competição será realizada no Rio de Janeiro, a ansiedade pelo sucesso brasileiro se torna ainda maior. No entanto, a três anos dos jogos, o discurso do poder público fica restrito às obras que ainda precisam ser concluídas e os atletas, que deveriam ser os principais beneficiados, têm sido esquecidos.

O Rio de Janeiro carece de uma grande estrutura para os atletas. O fechamento do Estádio Célio de Barros, do Parque Aquático Júlio Delamare, e do Velódromo, que serão demolidos, piorou ainda mais esse quadro. Além das poucas opções de locais para treinamento, o desenvolvimento de atletas é dependente dos clubes, que encontram obstáculos. No início do ano, o Flamengo terminou com as equipes profissionais de ginástica olímpica e natação devido a problemas financeiros. Os nadadores Cesar Cielo e Joanna Maranhão e os ginastas Diego Hypólito e Jade Barbosa, esperanças de medalhas, foram alguns dos atletas que precisaram buscar em outros estados uma estrutura melhor. Botafogo e Fluminense também incentivam algumas modalidades olímpicas, como o remo e a natação, respectivamente. No entanto, este investimento ainda é pequeno também em virtude das limitações financeiras.

Já nos Estados Unidos, na China e na Rússia, principais potências olímpicas, o estímulo ao esporte começa nas escolas. Quem se destaca logo cedo, ganha bolsas de estudo em universidades e recursos físicos e financeiros para treinar. No Brasil, esse trabalho ainda é embrionário. Os Jogos Escolares da Juventude são uma tentativa de descobrir talentos dentro dos centros estudantis. A competição, realizada desde 2005 pelo Comitê Olímpico Brasileiro, reúne cerca de 4 mil alunos de todo o país e é dividida em duas faixas etárias: jovens de 12 a 14 anos e de 15 a 17. A edição deste ano será disputada em Natal, no mês de setembro, e em Belém, em novembro.
Se para os torcedores o período de três anos é longo, para os atletas que sonham com uma medalha esse tempo é curto e as possibilidades que se apresentam são poucas.

Um impasse no meio das obras da Transolímpica

Karina Valente

As obras da Transolímpica, que vai ligar o Recreio até a Avenida Brasil, na altura de Deodoro, iniciadas em julho de 2012, enfrentam um impasse. Uma mudança de planos do projeto inicial prevê a possibilidade de desapropriação de casas no bairro de Magalhães Bastos para a construção da via.

Inicialmente, um estudo havia apontado a necessidade de desapropriação de 143 imóveis em Magalhães Bastos e 114 em Sulacap. Em Jacarepaguá, seriam 152 propriedades afetadas na Taquara, 402 na Estrada do Outeiro Santo, 353 em Curicica, e 24 no Condomínio Bosque do Paradiso.

Porém, em outra região do bairro Magalhães Bastos, a desapropriação pegou a população de surpresa. Os moradores da Rua Salustiano Silva não contavam com a possibilidade de terem as casas desapropriadas, já que as obras estavam previstas para passar por um terreno do Exército. De acordo com a prefeitura, o Exército resolveu não ceder a área que seria destinada às obras e uma modificação na rota teve que ser feita, o que prejudica os moradores da rua e cerca de 50 casas poderão ser desapropriadas.

Segundo a Secretaria de Obras, a determinação da área que será afetada vai ser feita através de um estudo topográfico que já está em andamento. Depois de concluído o estudo, a Procuradoria Geral do Município e a Comissão Especial de Avaliação vão analisar os imóveis e comunicar aos proprietários o valor que será pago por cada um deles. Se o acordo for aceito, o próximo passo será o pagamento e, caso não haja acordo, o processo passará para a esfera judicial.

O custo da implantação da Transolímpica, que terá 23 quilômetros de extensão, é de R$ 1,55 bilhão e a previsão é que as obras terminem até o final de 2015. A obra faz parte dos compromissos da cidade com as Olimpíadas de 2016. A Transolímpica vai ligar a Vila dos Atletas e o Parque Olímpico do Rio, no Riocentro, ao Parque Radical do Rio, em Deodoro. Cerca de 400 mil pessoas serão beneficiadas com o corredor que diminuirá o tempo de percurso que atualmente dura uma hora e 50 minutos para 40 minutos.

O morro no mapa

Mariana Broitman 

O Instituto Pereira Passos acaba de anunciar a realização de um novo mapa da cidade do Rio de Janeiro. A decisão simboliza um grande avanço no que diz respeito à integração do Rio de Janeiro - da praia ao morro, do asfalto a favela.

Em 1990, a capital fluminense realizou o mesmo processo de mapeamento digital e englobou as regiões da Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Recreio ao novo formato. Em 1997, Zona Sul e Zona Norte ganhavam contornos, e só em 2000 acontecia o mesmo com a Zona Oeste e o Centro. No entanto, apesar dos novos recursos tecnológicos serem capazes de verticalizar a cidade através dos contornos os morros cariocas, intervenções paralelas já fazem o Estado subir as ladeiras das comunidades de outras formas.

As Unidades de Polícia Pacificadoras foram os primeiros representantes de fato do Estado a fazê-lo, e reformularam as relações entre os moradores e a polícia. A pesquisa da UNESCO em parceria com a London School of Economics and Political Science (LSE), revelou que 93% dos participantes gostam de morar no Rio, mas o vínculo afetivo que liga a favela à cidade ainda é distorcido. No entanto, a presença de ONGs como o Afroreggae e a Central Única das Favelas (CUFA) já trabalham essa inserção do morador de comunidade como carioca há um bom tempo.

Fruto disso, a ascensão da classe C colocou as favelas cariocas também no mapa do consumo da cidade. A nova classe de consumidores agora é caricaturada em novelas e não sai também das telonas brasileiras. Com bom humor e inclusão, está se trabalhando algo que apesar de novo para o grande público, é, no entanto, uma manifestação desse movimento de inclusão.

A arte, a cultura e a criatividade são as ferramentas que vem subvertendo estereótipos, conectando enfim dois espaços urbanos antes separados por muros que por vezes sequer existiam. Se antes o papel principal era de mediar conflitos, agora essas e outras ONGs constroem parcerias inusitadas com movimentos sociais, com a mídia e o setor privado, mas principalmente, com o Estado – já que por muito tempo compensaram as fragilidades públicas.

O Afrroregae levou a favela ao Theatro Municipal para abrir o discurso do Presidente norte-americano Barack Obama e participou da inauguração do Banco Santander no Complexo do Alemão – o primeiro banco em favela, bem atento aos novos potenciais consumidores. Um evento organizado por Tania Lopes, irmã do jornalista Tim Lopes, também foi organizado por lá, em uma tentativa cheia de sucesso de findar qualquer ruído da mídia entre o morro e a família do jornalista assassinado na favela. Descaracterizar o espaço como violento é algo que ainda vai levar tempo, já que de fato, a presença das UPPs não garante completamente a segurança. 

Se os primeiros passos eram dados com construções como o Centro Cultural Waly Salomão em Vigário Geral – que já foi visitado até pela Madonna – e o Viaduto em Madureira, hoje os contornos são outros. O turismo, por exemplo. Hostels como o Vidigalbergue e o Ocean Inn no Vidigal já representam passos independentes das comunidades. O chamariz? As atividades gratuitas e a efervescência cultural. Além, é claro, do churrasco com vista para as praias do Leblon e Ipanema. E não são só turistas, cariocas de todas as zonas sobem o morro atrás da imensa lista de festas a cada fim de semana.

A gastronomia virou livro, com o Guia de Gastronômico das favelas, de Sergio Bloch. O Planetário da Gávea, desde 2009, sobe uma comunidade por mês com o projeto Luneta na Laje – na próxima semana é a vez do Turano. Com a Jornada Mundial da Juventude se aproximando favelas pacificadas da Zona Oeste se preparam para receber visitantes do mundo inteiro dentro de casa.

Animais são a causa da péssima qualidade das areias

Ana Luiza Carvalho

A presença de cachorros nas praias do Rio é sempre motivo de polêmica. Mesmo sendo proibido desde 2001 não é difícil encontrar animais nas areais aproveitando o dia de sol com seus donos. Eles são os grandes vilões e responsáveis pela alta presença de bactérias e coliformes nas areias cariocas. A lei Municipal 2.358/95 proíbe a presença de qualquer animal nas praias, até mesmo na praia do Diabo e do Arpoador, que até 2008 eram as duas únicas em que o acesso dos animais era permitido. 

A qualidade da areia é monitorada quinzenalmente pelo projeto Areia Carioca. O último boletim colocou na lista negra quatro praias com areias não recomendadas para uso e outras seis em situação regular. As praias do Leme, Copacabana, na altura da Rua Souza lima, Diabo, Ipanema, na Rua Maria Quitéria e do Leblon, na Bartolomeu Mitre, receberam sinal vermelho. A avaliação da qualidade da areia é feita através da medição do número de coliformes e da bactéria Escherichia coli, ambos provenientes dos animais. Os restos de comida são a segunda maior causa da presença de bactérias na areia, e está diretamente relacionado à presença de aves e roedores.

A lei ainda estabelece que qualquer cidadão pode exigir dos donos dos animais o cumprimento da norma, e se necessário, pode pedir o auxílio de qualquer autoridade no local. Ainda assim, a prefeitura sugere aos banhistas que usem cadeiras, toalhas, ou cangas, evitando o contato direto com a areia, além de ter atenção com os alimentos entregue às crianças, para que estas não os sujem com a areia. É preciso evitar também o contato de ferimentos com a areia.

A prefeitura também afirma que trabalha em três frentes para evitar a presença dos animais e dos restos de comida nas praias. Através da campanha “Rio, praia limpa”, feita pela Secretaria de Meio Ambiente, que investe na conscientização e educação dos cariocas, através da Secretaria Especial de Ordem Pública (SEOP), que atua nas praias com o objetivo de fazer cumprir a legislação existente, e da COMLURB, que faz a limpeza nas areias das praias, em especial aquelas com alerta de não recomendadas.

Lixo de Janeiro e as Promessas de 2016




Vanessa Forton



Com os grandes eventos que a cidade do Rio de Janeiro irá receber, vêm também às grandes promessas. A cidade, que em 2012 sediou o Rio+20, fechou o ano de 2012 reciclando apenas 1% de seu lixo. Isso significa que das 8.403 toneladas geradas diariamente pela população, apenas 84 delas eram recicladas. Além disso, a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) consegue reduzir ainda mais esse número, tratando apenas 22, 68 toneladas. O restante acaba caindo nas mãos de catadores autônomos ou de cooperativas. Enquanto o Rio desperdiça seus recursos naturais e acumula lixo, as capitais européias recuperam cerca de 40% do seu lixo reciclável. Agora, o Rio quer aumentar esse percentual para 25% até 2016.



Segundo a Prefeitura, as medidas para o projeto estão sendo colocadas em prática desde o começo desse ano. A previsão é que em cerca de três meses a Central de Triagem de Irajá já esteja pronta e funcionando. Essa obra é a primeira do projeto de R$50 milhões, anunciado desde 2011, para a qual a Prefeitura recebeu R$22 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Os outros R$28 milhões são recursos da própria Comlurb. Depois da Central de Triagem de Irajá, ficarão faltando ainda seis estações de tratamento de lixo que deverão ser construídas esse ano. Central do Brasil, Gamboa, Penha, Bangu, Campo Grande e Vargem Grande.



O grande problema do processo de coleta e reciclagem na cidade é a falta de investimento e organização. Entre os 160 bairros, apenas 44 são atendidos semanalmente, além disso, não havia caminhões ou funcionários suficientes para atender a demanda dos bairros. Outra questão grave e ainda não solucionada é a falta da coleta seletiva nas favelas, que deixa grande parte da população sem esse serviço. Mas para isso acontecer é preciso primeiro resolver as questões da coleta de lixo comum que já não acontece pelo difícil acesso do caminhão, resultando em situação caótica em dias de chuva.



O coordenador de projetos de coleta seletiva da Comlurb, Jorge Otero, acredita no potencial do projeto. Segundo ele, os 44 bairros que não são devidamente atendidos atualmente terão o processo de coleta seletiva em sua totalidade. A partir da inauguração da Central de Irajá, nove caminhões de lixo estarão circulando pelos bairros.







Brasil promete surpreender em cerimônias

Gabriel Goulart Gonzalez

As cerimônias de abertura e de encerramento são um dos momentos mais esperados e marcantes na história dos megaeventos esportivos. Com a Copa das Confederações chegando, os preparativos para as festas estão intensos e prometem não deixar a desejar em relação às cerimônias de outros países.

Foram inscritos quase 16 mil candidatos para participar das cerimônias de abertura e encerramento. Sob o comando do carnavalesco da escola de samba Unidos da Tijuca, Paulo Barros, os voluntários formarão o corpo artístico que irá realizar uma apresentação de música e dança no gramado do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, antes da partida de abertura entre Brasil e Japão e no Maracanã, no Rio de Janeiro, antes da grande final do torneio.

Na Copa do Mundo de 2014, quem assumirá o comando das festas é Franco Dragone, coreógrafo do Cirque de Soleil. Em 2000, ele foi o responsável por dirigir a cerimônia de abertura da Eurocopa, em Bruxelas, na Bélgica. A festa de abertura será no dia 12 de junho de 2014, no Itaquerão, em São Paulo e a de encerramento acontecerá no Maracanã.

Para que as cerimônias sejam o sucesso esperado os gastos estão sendo altos. Para a cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, por exemplo, a expectativa é que as despesas cheguem a R$ 132 milhões, segundo o primeiro orçamento do Comitê Organizador do Rio 2016. O orçamento supera o da cerimônia da abertura em das Olimpíadas de Londres, em 2012, que custou R$ 90 milhões. A festa mais cara da história foi nas Olimpíadas de Pequim de 2008, R$ 196 milhões.

Cidade das Artes é inaugurada após cinco anos de obras

Renata Pessôa

Após muitos investimentos, polêmicas e atrasos, a Cidade das Artes, antiga Cidade da Música, finalmente foi inaugurada. O projeto do arquiteto francês Christian de Portzampar começou a ser construído em 2008 e trouxe inúmeras discussões sobre a quantidade de dinheiro sendo investido numa obra tão grandiosa e, para uma parte da população carioca, não prioritária. Mas os defensores da cultura afirmam que o complexo é de grande importância para a cidade, que só tem o Theatro Municipal com capacidade de receber uma orquestra sinfônica ou ópera.

Emilio Kalil, presidente da Cidade das Artes, define o lugar como um espaço eclético que reúne todas as formas de arte. Com 97.000m², o complexo abriga duas salas de espetáculos, 21 espaços multiuso compostos por três cinemas, galeria de arte, salas de ensaio, salas de aula, sala de leitura, lojas, cafeteria e restaurante. As áreas externas cobertas também podem ser utilizadas para a realização de performances, exposições, espetáculos e eventos. A Cidade das Artes já recebeu o maior prêmio da arquitetura contemporânea, o International Architecture Awards, e vem recolhendo elogios de especialistas, críticos, artistas e de boa parte do público desde a sua pré-inauguração, com o musical dedicado ao Rock in Rio.

O espetáculo ficou em cartaz durante três meses e o complexo ficou funcionando em sistema de “soft opening”, para que a administração pudesse fazer os testes e ajustes necessários para o dia da grande inauguração. Assim, problemas com as descargas de banheiros e luzes de emergência, por exemplo, puderam ser constatados e corrigidos. Kalil, em entrevista ao jornal O Globo, afirmou que o esse sistema deu sinais de alerta para os riscos que pudessem acontecer, já que não há como antecipar todos os problemas de uma área tão extensa. Ele afirmou que o musical o ajudou a entender como a casa funciona na prática e rendeu R$1 milhão em bilheteria.

A abertura oficial da casa foi no dia 16, e contou com o espetáculo Tatyana, da Companhia de Dança Deborah Colker, a peça “A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento”, do ator Marco Nanini, um recital de piano, da uzbeque Tamila Salimdjanova, e a peça Astronauta, de Maria Borba. Após essas atrações, o público ainda pôde conferir um show ao livre de Elza Soares, no jardim do centro cultural.

A programação continua em junho, a partir do dia 26, com a estreia da temporada da Orquestra Sinfônica Brasileira. No segundo semestre, estão garantidos grandes espetáculos: a gravação do DVD de Marisa Monte, o Festival do Fado e apresentações dos grupos Corpo, Alvin Ailey American Dance Theater, Sankai Juku e Comédie-Française. Também está na programação a peça que estreia Fernanda Montenegro como diretora: “Nelson Rodrigues por ele mesmo”. A Cidade das Artes ainda será palco do Festival do Rio e do Panorama de Dança.

O desafio de Kalil agora é buscar os R$15 milhões anuais para manter o complexo, que custa R$28 milhões por ano. A prefeitura garante R$14 milhões e o presidente está buscando parcerias para fechar a conta.

Leitura cria elos sociais entre crianças



Rafael Caetano 

Uma pesquisa realizada em 2011 nos bairros do Rio de Janeiro pelo Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (CIESP) demonstrou a importância da leitura e das atividades lúdicas no desenvolvimento de elos sociais entre as crianças.

A coordenadora da pesquisa ‘’ Leituras em Elos’’, Laura Pozzano de Barros, observa que a construção de uma relação dinâmica das crianças com o território onde vivem depende das referências adquiridas nos lugares que frequenta. Dessa forma, uma criança precisa ter contato com espaços culturais que promovam a leitura e atividades que a estimulem.

No Rio, há uma transformação na oferta pública desses espaços nos últimos anos com a criação de bibliotecas públicas e espaços de lazer, o que demonstra a entrada dos temas relacionados à promoção cultural na agenda das políticas públicas. As estatísticas do Instituto Pereira Passos de 2009 mostram que em Botafogo-um dos bairros pesquisados- o número de livros emprestados nas Bibliotecas Públicas infantis foi de 1157 enquanto que na Rocinha esse número foi zero.

Em algumas regiões da cidade essa disparidade passa por mudanças. A situação já era pauta de diversos movimentos sociais e fóruns da sociedade civil na Rocinha. A construção de uma biblioteca pública no local elevou os números de empréstimos de livros, ali, para 3517 livros infantis em 2012. O crescimento foi de 100% em comparação com 2009.

A quantidade de livros emprestados pode, a princípio, parecer uma solução para o problema. Mas o empréstimo não significa leitura e tão pouco a presença de um espaço físico- como uma biblioteca- é garantia de um serviço prestado com qualidade. Os mesmos movimentos sociais e fóruns da sociedade civil na Rocinha passaram a questionar o papel do aparelho público que eles reivindicavam.