O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

terça-feira, 28 de maio de 2013

O legado dos Jogos Olímpicos de 2016 em xeque

Rodrigo Belga



Os Jogos Pan-Americanos de 2007 deixaram como principal legado para o Rio de Janeiro o alerta sobre o desperdício de recursos públicos com projetos mal planejados. O Estádio João Havelange, o Engenhão, o Parque Aquático Maria Lenk, e o Velódromo da Barra foram construídos para sediar a competição. O primeiro foi interditado em março deste ano por apresentar falhas estruturais na cobertura, e os outros não estão de acordo com os parâmetros do Comitê Olímpico Internacional e passarão por reformas até 2016. Juntos, os três equipamentos do Pan custaram cerca de R$ 500 milhões, segundo o Tribunal de Contas do Município. Diante dos Jogos Olímpicos daqui a pouco mais de três anos, cresce o desafio da Prefeitura do Rio de deixar uma herança permanente e benéfica para a cidade.

Projeção da Arena de Deodoro em 2016: legado de R$ 90 mi
para menos de 400 esportistas (Divulgação)
O planejamento para os Jogos prevê o uso de 32 instalações olímpicas, sendo 47% já existentes e 25% temporárias. Segundo o Comitê Organizador Local, o custo total das obras chega a R$ 23,2 bilhões e será pago pelos governos federal, estadual e municipal. Dez instalações de competição serão construídas, o que equivale a 28% das necessárias, e, segundo o COL, ficarão como legado dos Jogos. Entre os equipamentos permanentes, está a Arena de Deodoro, que vai receber os duelos de esgrima. A obra, que receberá ainda um aditivo para se adequar aos padrões olímpicos até 2016, está orçada em cerca de R$ 90 milhões, mas a Confederação Brasileira de Esgrima congrega apenas 384 praticantes do esporte.

A Vila do Pan, na Barra da Tijuca, é mais um caso de falta de planejamento no uso de recursos públicos. Ao preço de R$ 190 milhões da Caixa Econômica Federal, o conjunto de 17 prédios residenciais hospedou os atletas em 2007 e foi vendido no mercado imobiliário. O TCU apontou, em relatório, indícios de irregularidades nos contratos e convênios administrativos do empreendimento. Em 2010, teve de sofrer uma reforma no valor de R$ 33 milhões por causa de afundamentos nas ruas do condomínio. Para os Jogos de 2016, a prefeitura constrói a Vila dos Atletas, também no bairro da Zona Oeste, composta por 31 prédios para abrigar 18 mil esportistas.


O Comitê Organizador afirma que cada uma das instalações olímpicas é respaldada por um plano comercial sólido, que vai garantir a sustentabilidade de longo prazo e contribuir para o desenvolvimento do esporte no Brasil. No entanto, os recursos públicos gastos para a realização dos Jogos só aumentam desde mesmo antes da aprovação: apenas com a candidatura do Rio a cidade-sede, foram R$ 60 milhões.