Os Jogos Pan-Americanos de 2007 deixaram como principal legado para o Rio de Janeiro o alerta sobre o desperdício de recursos públicos com projetos mal planejados. O Estádio João Havelange, o Engenhão, o Parque Aquático Maria Lenk, e o Velódromo da Barra foram construídos para sediar a competição. O primeiro foi interditado em março deste ano por apresentar falhas estruturais na cobertura, e os outros não estão de acordo com os parâmetros do Comitê Olímpico Internacional e passarão por reformas até 2016. Juntos, os três equipamentos do Pan custaram cerca de R$ 500 milhões, segundo o Tribunal de Contas do Município. Diante dos Jogos Olímpicos daqui a pouco mais de três anos, cresce o desafio da Prefeitura do Rio de deixar uma herança permanente e benéfica para a cidade.
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| Projeção da Arena de Deodoro em 2016: legado de R$ 90 mi para menos de 400 esportistas (Divulgação) |
A Vila do Pan, na Barra da Tijuca, é mais um caso de falta de planejamento no uso de recursos públicos. Ao preço de R$ 190 milhões da Caixa Econômica Federal, o conjunto de 17 prédios residenciais hospedou os atletas em 2007 e foi vendido no mercado imobiliário. O TCU apontou, em relatório, indícios de irregularidades nos contratos e convênios administrativos do empreendimento. Em 2010, teve de sofrer uma reforma no valor de R$ 33 milhões por causa de afundamentos nas ruas do condomínio. Para os Jogos de 2016, a prefeitura constrói a Vila dos Atletas, também no bairro da Zona Oeste, composta por 31 prédios para abrigar 18 mil esportistas.
O Comitê Organizador afirma que cada uma das instalações olímpicas é respaldada por um plano comercial sólido, que vai garantir a sustentabilidade de longo prazo e contribuir para o desenvolvimento do esporte no Brasil. No entanto, os recursos públicos gastos para a realização dos Jogos só aumentam desde mesmo antes da aprovação: apenas com a candidatura do Rio a cidade-sede, foram R$ 60 milhões.
