O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Cidade das Artes é inaugurada após cinco anos de obras

Renata Pessôa

Após muitos investimentos, polêmicas e atrasos, a Cidade das Artes, antiga Cidade da Música, finalmente foi inaugurada. O projeto do arquiteto francês Christian de Portzampar começou a ser construído em 2008 e trouxe inúmeras discussões sobre a quantidade de dinheiro sendo investido numa obra tão grandiosa e, para uma parte da população carioca, não prioritária. Mas os defensores da cultura afirmam que o complexo é de grande importância para a cidade, que só tem o Theatro Municipal com capacidade de receber uma orquestra sinfônica ou ópera.

Emilio Kalil, presidente da Cidade das Artes, define o lugar como um espaço eclético que reúne todas as formas de arte. Com 97.000m², o complexo abriga duas salas de espetáculos, 21 espaços multiuso compostos por três cinemas, galeria de arte, salas de ensaio, salas de aula, sala de leitura, lojas, cafeteria e restaurante. As áreas externas cobertas também podem ser utilizadas para a realização de performances, exposições, espetáculos e eventos. A Cidade das Artes já recebeu o maior prêmio da arquitetura contemporânea, o International Architecture Awards, e vem recolhendo elogios de especialistas, críticos, artistas e de boa parte do público desde a sua pré-inauguração, com o musical dedicado ao Rock in Rio.

O espetáculo ficou em cartaz durante três meses e o complexo ficou funcionando em sistema de “soft opening”, para que a administração pudesse fazer os testes e ajustes necessários para o dia da grande inauguração. Assim, problemas com as descargas de banheiros e luzes de emergência, por exemplo, puderam ser constatados e corrigidos. Kalil, em entrevista ao jornal O Globo, afirmou que o esse sistema deu sinais de alerta para os riscos que pudessem acontecer, já que não há como antecipar todos os problemas de uma área tão extensa. Ele afirmou que o musical o ajudou a entender como a casa funciona na prática e rendeu R$1 milhão em bilheteria.

A abertura oficial da casa foi no dia 16, e contou com o espetáculo Tatyana, da Companhia de Dança Deborah Colker, a peça “A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento”, do ator Marco Nanini, um recital de piano, da uzbeque Tamila Salimdjanova, e a peça Astronauta, de Maria Borba. Após essas atrações, o público ainda pôde conferir um show ao livre de Elza Soares, no jardim do centro cultural.

A programação continua em junho, a partir do dia 26, com a estreia da temporada da Orquestra Sinfônica Brasileira. No segundo semestre, estão garantidos grandes espetáculos: a gravação do DVD de Marisa Monte, o Festival do Fado e apresentações dos grupos Corpo, Alvin Ailey American Dance Theater, Sankai Juku e Comédie-Française. Também está na programação a peça que estreia Fernanda Montenegro como diretora: “Nelson Rodrigues por ele mesmo”. A Cidade das Artes ainda será palco do Festival do Rio e do Panorama de Dança.

O desafio de Kalil agora é buscar os R$15 milhões anuais para manter o complexo, que custa R$28 milhões por ano. A prefeitura garante R$14 milhões e o presidente está buscando parcerias para fechar a conta.