O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Falta de pista reduz chances do Rio de sediar a F1

Thiago Leal

O Autódromo Nelson Piquet, em Jacarepaguá, já sediou dez edições do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 entre 1978 e 1989. A partir da década de 1990, a prova passou a ser disputada em São Paulo, no circuito de Interlagos, e no Rio de Janeiro ficaram sendo disputadas provas como a Stock Car e a MotoGP. A construção do Parque Olímpico na área do autódromo de Jacarepaguá, no entanto, fez com que o circuito fosse desativado em outubro de 2012 e a previsão da prefeitura é que o novo espaço do automobilismo carioca só fique pronto em dois anos. A demora pode prejudicar a cidade, que poderá perder a chance de sediar o principal evento do automobilismo mundial.

A promessa de entrega do autódromo de Deodoro antes da demolição do circuito de Jacarepaguá não foi cumprida. O governo espera uma garantia do Exército e do Governo Federal de que toda a área do projeto está livre de explosivos para iniciar a licitação, prevista para junho. Se isto ocorrer, as obras devem começar em março de 2014.

Não são apenas os fãs do automobilismo que estão órfãos. Bernie Ecclestone, chefe da Formula One Management (FOM) - empresa que comanda a Fórmula 1 -, expressou o desejo de voltar a realizar as corridas no Rio e admitiu ter conversado com o prefeito Eduardo Paes sobre essa possibilidade, mas reconheceu que o trabalho com a organização dos Jogos Olímpicos pode atrapalhar. Além da Fórmula 1, a cidade perdeu a Stock Car e a MotoGP, já que não existe outra pista. Ecclestone afirmou estar decepcionado com o não cumprimento das promessas de obras nas estruturas de box e acesso ao público no circuito paulista. Ele afirmou ainda que pensa em tirar o Brasil do circuito mundial caso não haja outra opção.

Segundo projeções da prefeitura de São Paulo, ano passado a Fórmula 1 gerou cerca de R$ 250 milhões, além da presença de mais de 90 mil turistas na cidade. O contrato de São Paulo com a FOM vai até 2014, embora a falta de estrutura possa forçar a quebra do acordo. Além de garantir que as obras em Interlagos serão feitas, a prefeitura de São Paulo pretende renovar o contrato até 2020. Além do Rio de Janeiro, existe ainda a concorrência de Santa Catarina, onde o circuito foi muito elogiado pelo chefe da FOM.