O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O ‘fermento populacional’ da Barra

Rodrigo Belga

A Barra da Tijuca é o bairro carioca com maior expectativa de crescimento populacional. Com base nos dados do Censo de 2000 e 2010, um estudo do IPP (Instituto Pereira Passos), da Prefeitura do Rio, apontou que o número de moradores da Barra vai aumentar 31% até 2020. A variação lidera a lista preparada pelo IPP, que indica expansão média de 30,9% na Zona Oeste da cidade, também composta pelos bairros de Jacarepaguá, Bangu, Gericinó, Padre Miguel, Santíssimo, Senador Câmara, Campo Grande, Cosmos, Inhoaíba, Senador Augusto Vasconcelos, Paciência, Santa Cruz, Guaratiba, Sepetiba, Campo dos Afonsos, Deodoro, Magalhães Bastos, Realengo, Mallet, Sulacap e Vila Militar. De acordo com as projeções, a região vai contar com mais de 400 mil moradores nos próximos sete anos.

O Plano Diretor do Rio, elaborado pela Câmara de Vereadores em 2011, já classificava a Barra da Tijuca e outros bairros próximos como áreas de ocupação condicionada. O documento afirma que a construção de prédios e de centros comerciais na região seria restringida de acordo com a capacidade das redes de infraestrutura, como luz e esgoto, com a necessidade de proteção ambiental e paisagística. A preocupação se justifica diante do histórico da Barra: segundo o IPP, o bairro, que tinha cerca de 170.000 habitantes em 2000, quase dobrou e registrou uma população de mais de 300.000 moradores em 2010.

Os sinais de modernidade, como as avenidas largas e a construção de shoppings, convivem com o agravamento do inchaço urbano. Os congestionamentos diários poderão melhorar com a chegada da linha 4 do metrô, que deverá ligar Ipanema ao Jardim Oceânico, sub-bairro da Barra, apenas em 2015. O sistema de esgoto também é deficiente, com 15% dos domicílios fora da rede coletora, de acordo com a Cedae. A Companhia prevê investir R$ 75 milhões para atingir 100% da cobertura até 2016, a tempo dos Jogos Olímpicos do Rio.

A pesquisa usou um método que calcula a tendência de variação baseado no algoritmo chamado de AiBi, o mesmo do IBGE nas estimativas de população. O instituto espera que, a partir das tendências registradas, órgãos municipais definam estratégias e políticas públicas para os próximos anos. A Secretaria Municipal de Educação anunciou que pretende coordenar a construção de novas unidades escolares e a criação de novas vagas, mas a Prefeitura do Rio inaugurou nos últimos três anos em toda a Zona Oeste apenas 23 Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs).