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| Divulgação |
A presença das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio de Janeiro virou referência para a solução dos problemas da segurança pública na cidade. Porém, mais do que isso, a pacificação trouxe o desafio de oferecer aos jovens das comunidades contempladas com o programa uma alternativa de vida para que não voltem ao tráfico de drogas. Quase metade dos jovens de 15 e 24 anos desses locais não está na escola, sendo a situação mais crítica na parcela de jovens que além de não estudarem também não trabalham. Na favela do Batam, na Zona Oeste, esse grupo chega a 37%, segundo apurou pesquisa feita em 2010 pelo Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade) em nove comunidades pacificadas.
Ações públicas e privadas já começam a aparecer nas áreas das UPPs. Um exemplo é o projeto Centros de Referência da Juventude (CRJs), criado pelo governo estadual para oferecer acompanhamento coletivo e individual aos jovens das comunidades já ocupadas. Inspirada em um modelo colombiano, a iniciativa conta com o apoio de US$ 100 milhões do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Os CRJs estão presentes hoje em dez favelas do Rio, como Complexo do Alemão e Morro da Providência, onde são oferecidas práticas esportivas e culturais, funcionando como atividades extracurriculares.
Outro programa é o UPP Social coordenado pela prefeitura e presente em mais de 20 comunidades. O foco é diagnosticar os problemas estruturais das favelas ocupadas e procurar resolvê-los. Além disso, há espaço para o desenvolvimento de projetos locais, geração de oportunidades educativas, de empregos e negócios para os moradores. A Polícia Militar também promove ações educativas com o objetivo de ensinar crianças e adolescentes a se comportarem diante de situações que possam levá-los a experimentar desde drogas lícitas, como o álcool e o tabaco, até as ilícitas. As atividades educacionais do Projeto Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), que já existe há 20 anos, são levadas para dentro das salas de aula dos estudantes do 5º ao 7º anos do ensino fundamental.
Taxa de escolaridade é baixa nas comunidades
Apesar da existência de iniciativas que contemplam a educação nas favelas, o nível de escolaridade dos jovens de 15 a 18 anos que moram nas áreas pacificadas é baixo. O estudo feito pelo IETS revelou que apenas 55% das pessoas dessa faixa etária frequentam a escola. O número contrasta com a média da Região Metropolitana do Rio, que tem 80% desses alunos dentro das salas de aula.
Para o autor do livro “Sorria, você está na Rocinha”, o jornalista Julio Ludemir, as UPPs só vão apresentar sucesso social se “olharem” os jovens das comunidades pacificadas de outra forma. Ele argumenta que na maior favela da Zona Sul há mais de três escolas públicas, além de creches, porém o entrave para o maior desenvolvimento educacional desses jovens está no tratamento aplicado pelos policiais. Segundo o autor, os agentes não os respeitam e até mesmo os desprezam.
