Thiago Leal
O tênis brasileiro teve dois grandes momentos: na década de 1960, com Maria Esther Bueno, e nos anos 2000, com Gustavo Kuerten. Outros nomes ainda são lembrados pelos torcedores, como o ex-tenista Fernando Meligeni e Thomaz Bellucci, primeiro colocado no ranking nacional, que não tiveram grande sucesso internacional. Um ponto em comum, entretanto, é que nenhum dos jogadores citados nasceu no Rio de Janeiro. Este detalhe mostra como o esporte, que é olímpico, é tratado na cidade que irá receber as Olimpíadas de 2016.
Não faltam quadras no Rio. O Clube Piraquê, na Lagoa, a sede do Flamengo, na Gávea, e o Tijuca Tênis Clube, na zona norte da cidade, são algumas das opções para quem deseja jogar tênis. Nenhum deles, porém, é de graça. É preciso ser associado, e logo pagar uma mensalidade, para usar a quadra. O ranking nacional masculino mostra que o melhor carioca encontra-se na 9ª posição e o segundo, na 26ª colocação. Já no feminino, as duas melhores representantes estão na 5ª e na 25ª posições. Um dos motivos para que poucos atletas da cidade cheguem aos primeiros lugares é a falta de um trabalho de base. Segundo o ranking brasileiro infanto-juvenil, com jovens entre 14 e 16 anos, entre os 25 primeiros na categoria masculina só há um carioca no masculino, enquanto São Paulo, por exemplo, tem seis. No feminino, são duas cariocas contra 11 paulistas.
Os dados podem ser influenciados pelo número de quadras disponíveis em São Paulo, onde há mais do que no Rio, mas principalmente, porque, na cidade paulista, há duas quadras públicas. Já os cariocas tiveram a sua primeira, de saibro, em abril, na Rocinha. O projeto do governo estadual prevê a doação de uniforme, raquete e bolinha de tênis, além de os alunos serem submetidos à metodologia de treino do atual primeiro colocado no ranking mundial, o sérvio Novak Djokovic.
Outra razão é a falta de competições de base importantes no Rio de Janeiro. Haverá apenas uma em 2013, no mês de agosto. A maioria dos torneios é realizada nos estados de Santa Catarina e São Paulo, onde nasceram, respectivamente, Gustavo Kuerten e Maria Esther Bueno.
Durantes os Jogos Olímpicos, as partidas de tênis serão disputadas no Hall Olímpico 1, que será construído dentro do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. O local terá capacidade para 16 mil pessoas. O projeto da prefeitura é que, após a competição, o Hall 1 seja integrado ao Centro Olímpico de Treinamento e sirva de instalação para atletas e técnicos. A previsão é de que a sede do tênis esteja pronta no segundo semestre de 2015.