O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Rio pode se tornar a nova Capital da Bicicleta
Vanessa Forton
A cidade do Rio de Janeiro, hoje com 250 km de malha ciclo viária, irá ganhar até 2014 mais 100 km. Quando isso acontecer, o Rio pretende se tornar a primeira da América Latina em termos de extensão. Totalizando 350 km de ciclovia e ciclo faixas, a cidade promete ultrapassar Bogotá, capital colombiana e atual primeiro lugar no ranking. O projeto Rio, Capital da Bicicleta faz parte do Programa Rio que já está em desenvolvimento pela Prefeitura. O objetivo é a ampliação e conservação do sistema ciclo viário municipal e a integração com os já existentes. O projeto prevê também a construção e instalação de estações de guarda e empréstimos de bicicletas em vários pontos da cidade. Uma das obras do projeto é construir uma ciclovia no Elevado do Joá ligando a Zona Sul da cidade à Barra da Tijuca, porém essa obra depende da finalização da reconstrução do viaduto que ainda não está pronta.
A bicicleta, especificamente no Rio de Janeiro, cada vez mais deixa de ser apenas um esporte ou lazer e se transforma em meio de transporte para a população de diferentes as idades. Nos últimos 20 anos esse crescimento foi tanto que houve investimentos de diferentes empresas em parceria com a Prefeitura. Um exemplo são as famosas bicicletas laranjinhas do Itaú que já têm 66,000 usuários cadastrados.
Atualmente, incluindo as laranjinhas do Itaú, cerca de 4% dos deslocamentos da cidade, de curta e média distância, são feitos de bicicleta. Isso resulta em um total de 1 milhão de viagens por dia com esse meio de transporte, número que já ultrapassa os dos trens e barcas.
Porém, a manutenção dessas ciclovias em relação ao aumento de ciclistas pela cidade não está sendo feita. As obras são mal acabadas e há buracos em diversas regiões. Um exemplo disso são os bairros da Tijuca e da Gávea, onde além desses problemas, a ciclovia passa pela calçada colidindo com pedestres, pontos de ônibus e vans, causando acidentes pela falta de infra-estrutura. Outro problema do cotidiano dos ciclistas é a falta de segurança em várias áreas mal iluminadas e sem policiamento da cidade, dando oportunidade para constantes assaltos. Por causa disso muitos já estão fazendo um seguro para suas bicicletas.
No entanto, o maior obstáculo ainda enfrentado pelos ciclistas é a falta de respeito dos motoristas no trânsito. Só no mês de abril desse ano 13 pessoas morreram em acidentes com bicicleta nas ruas do Rio. Em menos de 24h, na madrugada do dia 30 de abril e no dia 1 de março, dois ciclistas sofreram acidentes com ônibus, os dois foram fatais. O triatleta de 30 anos Pedro Nikolay e Gisela Matta, produtora do programa “Amor e Sexo” da TV Globo. No dia 03 de março houve outra colisão com o estudante Diego dos Santos, na praia do Flamengo que foi socorrido pelos bombeiros e levado diretamente para o hospital, onde teve alta algumas horas depois. A lei no Código de Trânsito define que veículos devem manter uma distância mínima de 1,5m dos ciclistas. Com ciclovias em bom estado cobrindo o município, não haveria necessidade dos ciclistas dividirem as pistas de trânsito com carros, ônibus e vans. Rio, capital da bicicleta ou capital de acidentes com bicicletas?