O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Projeto Solos Culturais: a favela além do clichê

Ana Mallet

Chorando à Toa, Teatro Trevo, RT Pipas. Estes são apenas alguns dos projetos culturais que vêm crescendo nas periferias do Rio de Janeiro e que chamaram a atenção do projeto Solos Culturais.

A riqueza cultural e o multiculturalismo das favelas ficam evidentes com diversos exemplos ao redor da cidade. Com a finalidade de integrar as manifestações culturais das comunidades cariocas com o resto da cidade, o projeto Solos Culturais mapeia instituições que produzem cultura em cinco favelas pacificadas: Complexo do Alemão, Rocinha, Complexo da Penha, Manguinhos e Cidade de Deus.

O trabalho de pesquisa resultou em uma publicação para os interessados no assunto: o livro “Solos Culturais”, lançado em fevereiro. O trabalho mostra hábitos culturais dos jovens em favelas. Foram ouvidos 400 de cada comunidade, totalizando dois mil jovens entre 15 e 29 anos.

No Rio de Janeiro, aproximadamente 20% dos cidadãos moram em favelas. São 1.393.314 pessoas em 763 favelas, totalizando 22,03% dos 6.323.037 moradores da cidade, de acordo com o Censo 2010 do IBGE. Mesmo com todas as dificuldades de integração social, econômica e política, a favela é um símbolo do Rio. Hoje, atrai turistas do mundo inteiro que fazem questão de reservar uma parte de sua viagem para conhecer e entender as favelas cariocas. E é por esse lado que as comunidades vêm atraindo mais curiosos e entusiastas: a cultura.

Em maio de 2012, um seminário do Banco Mundial do Brasil discutiu a integração entre favela e cidade, concluindo que as manifestações culturais das periferias vão além do entretenimento: ajudam a comunidade a se desenvolver, gerando cooperação, educação e aumentando a voz dessa parcela por tanto tempo renegada da sociedade carioca. De acordo com os debates, são manifestações de resistência: a barreira invisível que separa a favela do asfalto vai sendo derrubada aos poucos.

Uma das instituições mais conhecidas na Penha é o Centro de Educação Multicultural, que oferece várias atividades: grafite, quadrinhos, moda sustentável, leitura para crianças, oficinas de arte e educação, artes plásticas e estamparia. O grupo, inclusive, trabalhou na decoração do Shopping Downtown, na Barra da Tijuca, utilizando apenas materiais reciclados.

De acordo com o levantamento do projeto Solos Culturais, publicado recentemente no jornal O Globo, dentre as comunidades, a Rocinha é a que mais conta com atividades culturais – são 231, no total. Logo depois vem o Complexo do Alemão com 183 atividades, Cidade de Deus com 111, Manguinhos com 91 e, por último, o Complexo da Penha com 77. As atividades e manifestações variam: música, artes cênicas, artes visuais, literatura, moda, entre outros.