Não é Copa do Mundo nem Olimpíadas. Tampouco Copa das Confederações. Os dois milhões e meio de turistas, entre estrangeiros e nacionais, esperados na cidade entre os dias 23 e 28 de Julho, tem motivações de fé e esperança. É a Jornada Mundial da Juventude, que “nasceu” em Roma, em 1986, e chega ao Rio de Janeiro para sua décima terceira edição. O movimento reúne jovens fiéis de todas as partes do mundo para um encontro de renovação e reforço dos laços católicos e humanos, por meio de palestras, adorações e encontro com o Papa. Será, inclusive, a primeira missão internacional de Francisco I. Dentre tantas expectativas, uma projeção não tão otimista preocupa: será que a cidade consegue acomodar e concentrar este número tão grande de peregrinos somente em sua rede hoteleira?
O número oficial de estabelecimentos de hospedagem na região metropolitana do Rio é de apenas 609 endereços, entre hotéis de todos os portes, campings, pousadas e albergues, segundo dados do IBGE. Um número ínfimo, se considerada a condição de destino turístico mundial da cidade. A incapacidade da cidade de hospedar turistas tem sido apontada pelo TCU como uma das principais deficiências para a Copa de 2014. A capacidade atual total atende apenas 83.130 hóspedes.
A questão da acomodação diante da proximidade da JMJ urge. A menos de 90 dias do evento, a solução encontrada pelo poder público e sociedades civis organizadas é apelar para que cidadãos abram suas casas para receber os peregrinos. Um cadastro no site da organização do evento já conta com 250 mil vagas disponíveis. A ambição é chegar a 800 mil. Entre diversas manobras, as secretarias municipais e estaduais de educação cederam, no total, o espaço de 537 escolas. Outras instituições, como colégios particulares de origem católica, escolas de samba com seus amplos galpões e paróquias, também oferecem acomodação.
A prefeitura corre contra o tempo para estimular empreendimentos com este perfil. Hoje são 32 mil quartos. A projeção da prefeitura para 2016 é aumentar em 20 mil este número, atendendo e ultrapassando as exigências olímpicas. Essa expansão tem um preço, e alto: R$ 1 bilhão de investimento. Mesmo assim, o planejamento desafiador esbarra na apertada contagem regressiva.
A JMJ será o primeiro grande teste para simular a capacidade da cidade em oferecer com eficácia conforto, mobilidade e segurança para os visitantes dos grandes eventos esportivos de 2014 e 2016. Que não fiquemos apenas no “jeitinho brasileiro”.