O Rio de Janeiro é uma cidade em transformação. A partir dessa constatação, os alunos da disciplina Laboratório de Jornalismo (2013.1) estão divididos em quatro editorias para acompanhar, reportar, discutir, refletir e investigar, em abordagem jornalística, o que, quando, onde, como e por que muda.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Rio é bi


Renata Pessôa

O Rio é o destino de dois milhões de visitantes por ano, dos quais 500 mil são parte do público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). E é com esse público que a cidade lucra mais: os turistas gays gastam o dobro dos demais e injetam cerca de R$5 milhões por dia na economia carioca. As expectativas quanto a esse novo mercado são altas: Almir Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Turismo GLS, afirma que o aumento de viagens nesse setor subiu 20%.

Em 2011, a cidade virou bi: foi escolhida pela segunda vez como melhor destino gay do mundo, desbancando Madri, Saint Tropez, Portland, Buenos Aires e Estocolmo. A eleição foi feita pelo site TripOutTravel.com em parceria com a MTV americana, e o portal afirma que a comunidade gay se sente muito bem-vinda ao Rio. Segundo a Out Now, empresa de consultoria especializada no mercado LGBT, a cidade já é o segundo lugar mais procurado para viagens.

Por isso, Ministério do Turismo e Embratur estão trabalhando juntos para fazer crescer ainda mais os números. No portal do Guia Rio existe uma seção voltada para o público LGBT, com dicas de bares, restaurantes, hotéis e programação “gay-friendly”. O site sugere ao turista lugares como o Bar D´Hôtel, a boate The Week, a sauna G SPA, o bairro da Lapa e as famosas “label parties”, festas temáticas que recebem um grande número de público LGBT. Na sessão “onde ficar”, as sugestões são de hotéis luxuosos, confortáveis e hospitaleiros, como o Copacabana Palace e o Hotel Fasano.

A Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS) também lançou um conjunto de ações para combater a homofobia no Rio, como o selo Rio Sem Preconceito, afixado em estabelecimentos capacitados pela CEDS como locais com noções e conhecimentos sobre leis e direitos civis e humanos.

Mas apesar de estar à frente de outras cidades, os gays ainda sofrem preconceito no Rio. Para André Fischer, criador do Mix Brasil, maior portal GLS da América Latina, é preciso expandir esse transformação da cidade, já que muitos atrativos turísticos se concentram na Zona Sul. Ele acredita que o carnaval foi um dos principais fatores a impulsionar essa mudança de pensamento em relação ao público LGBT e afirma que é uma questão de tempo até essa “zona de conforto” se espalhar pela cidade. Para ele, as pessoas vão assumir essa postura como um novo valor da cidade, que só tem a acrescentar aos cariocas.